05 de dezembro de 2018, 14h44

A continência à bandeira americana na nossa política para o cinema e o audiovisual

Juca Ferreira comenta, em artigo exclusivo para a Fórum, decreto de Temer que diminuiu o espaço de cineastas brasileiros na nova composição do Conselho Superior do Cinema

Essas mudanças no Conselho Superior de Cinema parecem indicar que o desmonte das políticas, programas e ações públicas de cultura continua.

Tudo indica que, para eles, não basta extinguir o Ministério.

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O setor cultural mais difícil para imporem esse retrocesso que já está sendo implementado – Temer e Bolsonoraro são momentos distintos do mesmo projeto político – é a política do cinema e do audiovisual, que tem na ANCINE e no Fundo Setorial seu epicentro.

Pela autonomia administrativa, por ter recursos extra orçamentários próprios; por estar bem mais avançada que as demais políticas artísticas e culturais; pela amplitude e quantidade de empresas e produtoras envolvidas distribuídas por todo o país, possibilitando o caráter nacional de fato; pelo fato da produção estar se desenvolvendo em todo o Brasil gerando uma base econômica e social de sustentação dessa política etc.

O que esta mudança junto com outras e a própria movimentação do atual ministro parece sinalizar é que, em vez de acabar com a política do cinema e do audiovisual, vão substituir a atual por uma outra e irão direcionar a participação e o apoio do Estado brasileiro para submeter o cinema e nosso audiovisual aos interesses econômicos das “majors” americanas.

É a estratégia da “subalternidade privilégiada”, predadora da nossa soberania e da possibilidade de nos afirmamos como nação no Século XXI. É a continência à bandeira americana na nossa política para o cinema e o audiovisual.

E, no plano interno, ir aos poucos concentrando o financiamento público nas maiores produtoras e empresas do setor, localizadas em apenas duas cidades.

Em última instância, o que estamos vivendo no Brasil e não só na área cultural com o atual governo e o próximo é a tentativa de desresponsabilizar o Estado brasileiro com a nação, retirando-o de todas as questões sociais, culturais, da defesa do meio ambiente etc. que interessam ao país, revelando que não possuem grandes estratégias para o desenvolvimento do Brasil e que são mais afeitos à destruição e ao desmonte do que conquistamos nesses anos de vida democrática.

Se isso acontecer, se forem bem-sucedidos, bye bye Brasil!

Toda essa construção de um amplo e vigoroso – econômica e culturalmente- setor audiovisual brasileiro será trocado por algo bem menor e sem a grandeza e a importância do que vinha sendo construído nesses anos desde 2003. Não me surpreenderá se uma pequena parte do setor se adaptar à essas mudanças, porque já defendiam desde sempre essa estratégia de concentrar no apoio a poucos e que o incentivo deveria ser territorialmente localizado em duas cidades: Rio de Janeiro e São Paulo. C’est la vie.

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