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03 de dezembro de 2016, 18h06

A esquerda está na lona, e agora?

Esse foi o tema da terceira mesa de debate do evento de lançamento da Rede Fórum de Jornalismo neste sábado. Por Redação A terceira mesa de debate do evento de lançamento da Rede Fórum de Jornalismo, sob o tema “O cenário atual: desafios e perspectivas das esquerdas” discutiu qual o papel da militância de esquerda no Brasil em […]

Esse foi o tema da terceira mesa de debate do evento de lançamento da Rede Fórum de Jornalismo neste sábado.

Por Redação

A terceira mesa de debate do evento de lançamento da Rede Fórum de Jornalismo, sob o tema “O cenário atual: desafios e perspectivas das esquerdas” discutiu qual o papel da militância de esquerda no Brasil em tempos de golpe e contou com a presença de Rosane Borges (professora da USP e integrante da Cojira-SP), Gilberto Maringoni (professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC) e Reginaldo Nasser (professor do depto. de Relações Internacionais da PUC-SP).

Rosane Borges disse que depois do golpe que culminou com a saída da presidenta eleita Dilma Rousseff a esquerda brasileira está “na lona” e precisa entender qual é o seu papel.

“Se nós estamos na lona a gente tem que saber se levantar dela e nesse processo de levante não ser golpeado novamente”, afirma.

Para ela, o grande desafio da esquerda brasileira é fazer com que os movimentos de minorias como o movimento negro, LGBT, feminista e sejam “seres comuns” e ocupem os espaços de tomadas de decisão. Ela criticou os anos de lulismo em que ascensão foi apenas econômica e não se preocupou com a representatividade nos espaços de tomada de decisão.

“Se a gente não chamar as mulheres, os LGBT como seres comuns eles se a esquerda se manterá do ponto de vista da cultura, da subjetividade se pautando pelo sujeito ocidental branco”, disse.

Em seu argumento, Reginaldo Nasser disse que a esquerda brasileira precisa se “internacionalizar” e dialogar com movimentos progressistas de outros países. Ele disse que enquanto a setores da esquerda não dialogaram com outros movimentos semelhantes, a direita se internacionalizou e cresceu.

“Se não tiver uma articulação internacional de luta, ela acaba se tornando muito pontual, se desfaz e não dá certo”, afirmou.

Ele acredita que uma dessas estratégias é o boicote a grandes corporações que financiam os políticos de direita, a grande imprensa e citou exemplos de boicote que deram certo ao redor do mundo, como o BDS palestino.

“Boicote é uma arma de luta muito antiga, num primeiro momento a atitude é individual e na medida que eu coloco na rede e alguém adere vira um movimento capaz de incomodar”, disse.

Já o professor Gilberto Maringoni, disse que a esquerda sempre se renovou. Desde a revolução francesa, passando por Lênin, Mao-Tsé Tung e Fidel Castro. Ele ainda afirmou que o problema não é a conciliação de classes.

“O problema da esquerda não é a conciliação de classes, o Lênin fez conciliação, o Fidel fez conciliação. O problema foi que o PT entrou com o pescoço, mas a burguesia entrou com o pé. Ditando as regras da economia”, completou.

Saiba mais sobre o evento aqui: http://bit.ly/2fW17wJ