A fábula encantada de Tânia Grinberg e Fabio Madureira | Revista Fórum
25 de junho de 2018, 17h31

A fábula encantada de Tânia Grinberg e Fabio Madureira

 O álbum “Gota onde Nada o Peixe” é a consagração da maturidade, com canções sólidas, bonitas, bem realizadas e envolventes

(Foto: Reprodução Facebook)

A cantora e compositora Tânia Grinberg juntou o seu talento e ousadia ao violonista e também compositor Fabio Madureira. O resultado é o lindo e delicado disco “Gota onde Nada o Peixe”, segundo eles um diálogo poético-musical.

Tânia é atriz, artista plástica, poeta e cantora, que se divide entre a canção popular brasileira e a música klezmer – canção não litúrgica judaica. Seu primeiro disco, “Na Paleta do Pintor”, de 2009, que misturava canções dela mesma com clássicos da nossa música, já revelava uma artista madura, que de saída ia muito além da promessa.

O álbum “Gota onde Nada o Peixe” é a consagração da maturidade. Com canções sólidas, bonitas, bem realizadas e envolventes, o disco nos relembra sempre diversas tentativas de novidades da nossa música, com o prazer pelo canto, pela fluidez das composições.

Realizado de forma independente, com vaquinha através do site Benfeitoria, o disco contou com a participação de vários músicos excelentes, a começar pelo multi-instrumentista, dançarino e ator Antônio Nóbrega. Tocam nele também, Ricardo Vignini, Guilherme Kastrup, Alexandre Daloia, Alexandre Fontanetti, Alexandre Ribeiro, Ari Colares, João Taubkin entre outros.

Com muito cuidado instrumental, a produção musical de Rodrigo Bragança entra de alma aberta no sentido onírico, com tom de fábula e encanto das composições. Um clima que lembra um tanto as tentativas psicodélicas do rock da segunda metade da década de 60. Mas lembra também as cantigas medievais, o rock progressivo – como eles mesmo denunciam – Beatles aqui e acolá, vanguarda paulistana, música caipira, enfim, lembra várias coisas que contêm criatividade.

Canções como a própria faixa título ou a linda “Novelo”, que abre o disco, lembram composições infantis que se desdobram em estruturas musicais mais complicadas. Um salto mais à frente e a história muda completamente para a linda “Olhos (Miragem)”, uma canção por excelência, no sentido clássico da nossa música, daquelas feitas pra serem regravadas e sempre lembradas.

Já “Dragão Dourado” consegue a proeza de misturar as duas vertentes. A partir da narração de Antônio Nóbrega, a canção segue com melodia rica para a fábula fantástica, aqui, no caso, em prosa, verso e canção. A guitarra de Rodrigo Bragança rasga o lirismo ao meio e carrega com tintas a melodia, narração e tudo ganha em dramaticidade. Ao final, as cordas refazem outra imagem na conclusão. Quase uma canção/filme/animação.

A teatralidade das canções exige entrega do ouvinte, luzes baixas e concentração. Quase num esquema áudio visual, junte as crianças na sala para ouvir “Coruja”, “Gota onde Nada o Peixe” – entre muitas outras. Se tudo der certo, quase dará mesmo para ver e sentir os bichos entre outros personagens do disco a voar, nadar, perambular pela sala.

Há muito mais para contar e cantar sobre “Gota onde Nada o Peixe”, o belo e intenso disco de Tânia Grinberg e Fábio Madureira. Feito mágica, coisa encantada, você vai se pegar cantando e rodopiando entre os jogos e personagens de cada canção deste disco. Vale cada segundo.