12 de setembro de 2018, 18h43

“A Globo e os candidatos estão com medo”, diz Haddad em primeiro ato como candidato

"Estão com medo porque não sou só eu ou o Lula, é um projeto, com milhões de pessoas. Segura o apetite de vocês porque tem muita gente aqui desse lado. Vocês não vão conseguir conter a primavera", disparou o candidato do PT em ato com estudantes em São Paulo. Assista

Foto: Divulgação/Coligação "O Povo Feliz de Novo"

O ex-prefeito Fernando Haddad participou, na tarde desta quarta-feira (12), de sua primeira atividade de campanha como candidato à presidência pela coligação “O povo feliz de novo” (PT/PCdoB/PROS). Até então, o petista figurava como vice do ex-presidente Lula, que teve sua candidatura impugnada pela justiça eleitoral.

Organizado pela companhia de teatro Pessoal do Faroeste, no centro de São Paulo, o evento reuniu estudantes que foram beneficiados pelo sistema de cotas e pelo Prouni – políticas de acesso ao ensino superior implantadas por Haddad enquanto ministro da Educação no governo Lula. Estiveram presentes, além do candidato do PT, a candidata a vice, Manuela D’Ávila (PCdoB), a esposa do ex-prefeito, Ana Estela Haddad, além de candidatos à Câmara e ao Senado, como Eduardo Suplicy e Jilmar Tatto.

Todos os presentes se emocionaram com os depoimentos de estudantes, que contaram suas histórias de vida e a mudança que tiveram ao acessar o ensino superior através das políticas de educação encampadas por Haddad e Lula. Muitos choraram ao “agradecer” o ex-prefeito por sua gestão enquanto ministro.

Após os depoimentos, Haddad fez uma fala relembrando os avanços que conseguiu promover ao implantar políticas como o Prouni ou o sistema de cotas e chamou a atenção para o fato de que é exatamente este projeto de inclusão que “está em jogo” nessas eleições.

“Tem um divisor de águas no Brasil: os governos populares que começaram a abrir oportunidades. Do Luz Para Todos à universidade pública. Isso foi gerando um movimento que se reforçava, e é esse projeto que eles querem interromper. Então, eles disseram o seguinte: ‘esse projeto tem força eleitoral. Então, o que a gente faz? A gente afasta uma presidenta, prende outro e mandamos no país mais 500 anos’. Só que não. E eu digo ‘só que não’ por uma unica razão: por causa de vocês. Vocês não vão deixar”, afirmou em meio aos aplausos e gritos de “Lula livre”.

De acordo com o candidato, quando as pessoas “conseguem realizar parte de seu sonho”, fazendo referência aos governos petistas, “você não consegue apagar”.

“Precisa de pelo menos uns 100 anos para apagar isso, e eles só têm 25 dias”, ironizou.

“Eles estão com medo”

Ainda segundo o ex-prefeito, seus adversários, bem como a imprensa tradicional, estão com “medo” de sua candidatura.

“Não sei se vocês perceberam, mas eles estão nervosos. Vocês leram os jornais hoje? Estamos aqui no teatro, gostoso, juventude, só amor, só carinho, e eles lá fora nervosos. Rede Globo está nervosa, candidatos estão nervosos. Aconteceu de um vice assumir a chapa. Estão com medo do vice? Estão com medo porque não sou só eu, o Lula, é um projeto, com milhões de pessoas. Segura o apetite de vocês porque tem muita gente aqui desse lado. Vocês não vão conseguir conter a primavera”, disse, parafraseando o ex-presidente Lula que, no dia que se entregou à polícia em São Bernardo do Campo, afirmou que “os poderosos podem cortar uma, duas ou três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera”.

“Palácio do Planalto será frequentado por sem-terra” 

O candidato do PT avaliou, em sua intervenção, que essa “é a eleição mais importante do Brasil” que ele já viu. “Desde que me conheço por gente”, pontuou. Apesar das dificuldades que sabe que vai enfrentar, no entanto, Haddad se mostrou confiante, e anunciou que o Palácio do Planalto voltará a ser frequentado pela população, pois seu eventual governo, segundo ele, construirá políticas “junto com a sociedade”.

“O que eles não compreendem é isso: nós vamos presidir o país. Nós vamos subir a rampa do Planalto. Aquele palácio vai voltar a ser frequentado por catador, por população de rua, sem-teto, sem-terra, porque é com eles que vamos dialogar e construir a saída dessa situação. Vamos construir juntos”, disse, pouco antes de ironizar o fato de Temer não morar no Palácio do Alvorada, em um dos momentos mais descontraídos do encontro.

“Aliás, o presidente não mora no Alvorada por medo de assombração. Acho que ele imaginou que duas assombrações não podem viver no mesmo espaço”, brincou.

Assista, abaixo, o vídeo da transmissão do encontro feita pela reportagem da Fórum.