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04 de dezembro de 2012, 16h38

A hora e a vez de Fernando

Gente, após umas férias para juntar os cacos e refletir sobre a hecatombe eleitoral na capital paulista, volto para comemorar com vocês o grande resultado do Julgamento do Século, também conhecido como julgamento do Mensalão do PT. Trata-se de uma nova era. Um tempo em que os malfeitos dos poderosos são punidos com o rigor […]

Gente, após umas férias para juntar os cacos e refletir sobre a hecatombe eleitoral na capital paulista, volto para comemorar com vocês o grande resultado do Julgamento do Século, também conhecido como julgamento do Mensalão do PT.

Trata-se de uma nova era. Um tempo em que os malfeitos dos poderosos são punidos com o rigor que um país minimamente civilizado demanda. Tudo isso graças ao novo herói nacional que surgiu dos tribunais do STF: Joaquim Barbosa.

E por falar em herói, no momento em que as faces mais sórdidas do lulopetismo são expostas na imprensa, o fernandismo volta ao centro da ribalta para demarcar diferença política, ética e de estilo. Por muitos anos, petistas buscavam polarizar a disputa política nacional entre Lula e Fernando. Diziam que os tucanos evitavam a comparação por temerem a popularidade de Lula. Nada mais falso, claro. Evitava-se a polarização para não empobrecer e fulanizar um debate que deveria ser sobre projetos. Agora parece que são os petistas que querem evitar.

Semana passada, a insuspeita Polícia Federal (ou será o braço armado do PIG?) descobriu que uma amiga íntima de Lula mandava e desmandava no governo. Uma história cabeludíssima que revelou a promiscuidade com que nosso ex-presidente e ex-torneiro mecânico do ABC tratava a coisa pública.

Depois de promover festinha junina regada a cachaça em Brasília com os “cumpanhêro” e distribuir mesada pros comparsas, Lula também inventou um cargo justamente para acomodar uma “amiga super mega íntima” no governo.

Não, gente! Chega! Basta! Cansei!

Chegou a hora de mostrar ao Brasil como éramos felizes e não sabíamos. Ontem, Fernando Rodrigues deu o primeiro passo, trouxe respiro a esse mar de lama e apontou caminhos para a imprensa ao oportunamente convocar o ex-presidente, Fernando Henrique, a abrir o coração. Nessa belíssima entrevista pudemos relembrar o seu legado político, intelectual e ético. As respostas são esclarecedoras e estabelecem bem as diferenças de comportamento entre os dois ex-presidentes. Vejamos alguns trechos que eu selecionei com carinho pra vocês :

 

Veja esse último que saiu da Globo, o Avenida Brasil. É interessante. (…) Então você tem que ver como é que essa gente pensa. Eles estão lá, mas ele têm música. Eles têm interesse pelo esporte. Eles têm interesse pelo futebol.

 

Pouca gente conhecia o lado noveleiro de Fernando. Até mesmo para mim foi uma surpresa. O ex-presidente, apesar dos 81 anos, ainda se mostra conectado com o povo: assistiu a novela das 9 e, com seu olhar sociológico, pôde ali enxergar a predileção das camadas desfavorecidas pela música e pelo futebol. Impressionante a análise.

 

 Faço musculação, faço musculação. E rigorosamente. Eu não gosto de andar, mas me obrigam. Mas eu gosto mais de fazer musculação. Máquinas e aquela coisa toda eu faço, exercício, eu faço. E eu como bem e não muito. Eu bebo vinho. Não muito. E, às vezes, whisky, mas raramente. Mas nunca nada muito. E durmo bem. Eu gosto da vida, gosto das pessoas.

 

Fernando malha, bebe socialmente (vinho muito pouco, whisky raramente) e ainda cuida da saúde, enquanto uns e outros se esbaldam na cachaça, na promiscuidade e na falta de cuidado com o templo sagrado da alma que é o corpo. Além de tudo é um cara leve, que gosta da vida, que gosta das pessoas. E dorme bem, talvez porque tenha a consciência tranquila.

Continuemos com essa pertinente entrevista:

 

Folha/UOL: O sr. fumou alguma vez na vida?

FHC: Nunca.

Folha/UOL: Não?

FHC: Não. Eu sou careta [risos].

Folha/UOL: [risos] E como está a vida pessoal?

FHC: Está boa. Muito bem.

Folha/UOL: Está namorando, presidente?

FHC: Isso é o que dizem por aí. Mas dizem tanto, que eu acabo acreditando [risos].

Folha/UOL: Mas está ou não está?

FHC: Eu estou. Mas não estou dizendo que acabo acreditando?

Folha/UOL: Então tá.

FHC: Mas não é meio ridículo? Namorar com 81 anos, não pode.

Folha/UOL: Por quê?

FHC: Mas, no meu caso, eu não penso que eu tenho 81 anos. Então vai [risos].

Folha/UOL: Então tudo bem.

FHC: Mas eu tenho uma vida boa, afetiva. Meus filhos estão aqui sempre comigo. Quase toda semana tenho filhos aqui. E tenho muitos amigos. Muitos. Tenho uma vida, digamos, social, não no sentido de society, mas no sentido de ter com quem almoçar, intensíssima, o tempo todo. Viajo muito, o tempo todo.

 

O Príncipe da Sociologia não é apenas o homem que mudou a cara do Brasil com o Plano Real e a estabilização de uma economia eternamente cambaleante. É também o Fernando, aquele homem família, que sempre preservou os valores democráticos, que sempre soube separar vida pública da privada, que nunca se lambuzou com as benesses do poder. Um homem que teve o máximo respeito com a memória de Dona Ruth Cardoso, aguardando o tempo necessário em respeito ao luto. Hoje, Fernando confessa, encabulado, que está amando novamente e o coração vai muito bem, obrigado.

Infelizmente, esse não é o comportamento que vemos em todos os ex-presidentes. Mal acabou o Julgamento do Século – esse sucesso de crítica e público que passou o país a limpo – e o Brasil se deparou com outro escândalo do crioulo doido envolvendo Lula e uma “amiga”, misturando traição, diploma falso, viagens, cruzeiros, plásticas mal feitas e Bruno & Marrone – o que a Polícia Federal chamou acertadamente de “chinelagem”. Enfim, os detalhes do escândalo são de fazer Berlusconi corar.

Portanto, colegas jornalistas, chegou a hora de revitalizarmos a imagem de Fernando, tão desgastada por gente comprovadamente desqualificada. O Brasil precisa reescrever seu passado mirando no futuro. O sociólogo respeitador da família e dos bons costumes não pode ficar à sombra da popularidade de um torneiro mecânico que se comportou na presidência como um protagonista de pornochanchada dos anos 70. E, nós da imprensa, temos um papel importantíssimo na construção do imaginário coletivo. É urgente haver um contraponto ainda mais enfático ao engodo demagógico lulopetista. Que história contaremos aos nossos filhos, netinhos e tataranetinhos? A verdade precisa ser dita ao Brasil, gente!

Colegas jornalistas da imprensa, uni-vos!

 

PS: E de uma vez por todas, vamos parar de chamar Fernando de FHC, ok? Pelo amor de Deus!

 


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