Quilombo

02 de agosto de 2012, 15h39

A política de segregação racista tucana em São Paulo

A violência policial na região metropolitana de São Paulo vem crescendo nos últimos tempos e, pior, é tratada como se fosse uma política eficiente de combate à criminalidade, segundo falas das autoridades do estado. Há um evidente retorno ao período dos anos 1990, durante o governo de Fleury (que ficou famoso pelo massacre do Carandiru): a violência policial não decorre de um “descontrole” de policiais mas de uma política deliberada.

O primeiro aspecto que salta aos olhos disto é o perfil das vítimas. Sempre os mesmos: negros (53,7%), menos que sete anos de estudo (49,5%); jovem (60,1% menos que 24 anos), sexo masculino (99,6%). O mapa abaixo mostra a concentração da violência nos distritos da periferia.

O segundo aspecto é a desculpa esfarrapada que os policiais autores destes crimes sempre apresentam: resistência à prisão. O caso recente dos policiais de Osasco que mataram dois jovens na zona oeste de São Paulo, desmascarado pelo pai de uma das vítimas, foi mais um episódio desta triste tragédia.

Esta política de segurança baseada na violência policial atende a um desejo, não manifestado explicitamente, das elites: limpar a cidade das figuras indesejáveis. Vai no mesmo diapasão a repressão na Cracolândia, os costumeiros incêndios suspeitos em favelas, a repressão aos movimentos de moradia do centro da cidade, o desmonte dos albergues nas regiões centrais. É uma política de higienização que assume características de “faxina étnica”. Segregam-se os pobres e negros nas periferias e lá, são “controlados” pela violência das tropas policiais.

Esta é a essência da política demotucana em São Paulo. O autoritarismo destas forças políticas – que, repito, tem base social forte nas classes dominantes da cidade marcadas pelo provincianismo e preconceito – não está apenas e tão somente nas palavras e em algumas atitudes isoladas. Está também no seu modo de governar.