23 de julho de 2018, 18h23

A rede social não é nenhum bicho-papão

Para o ativista digital Luiz Henrique Barbudinho, as redes sociais farão a diferença nessa eleição. “Mas também é verdade que os que deixaram para investir na última hora, terão muita dificuldade em construir um público e atrair engajamento”

Foto: Wikimedia Commons

Por Luiz Henrique Barbudinho*

Vai ter muito marinheiro de primeira viagem dando de graça uns trocados para Mark Zuckerberg, promovendo demasiadamente publicações sem fundamento e sem que o povão usuário da rede tenha interesse em visualizar na sua linha do tempo. Neste período, o que mais se enxerga no feed de notícias são promoções de páginas e conteúdo de políticos que serão, mais cedo ou mais tarde, ocultados em definitivo pelo público de saco cheio.

É verdade que as redes sociais farão a diferença nessa eleição. Mas também é verdade que os que deixaram para investir na última hora, e não falo sobre investimento financeiro, mas investimento de conteúdo e dedicação, terão muita dificuldade em construir um público e atrair engajamento e interação nas suas publicações.

Muitos políticos ficam ambiciosos por curtidas e seguidores e não sabem como atraí-los de forma orgânica. A página do Facebook deve ser usada em sintonia com o assunto político do momento. Eu digo do momento e não o assunto que rolou no Jornal Nacional de ontem à noite. A disposição em alimentar sua rede com conteúdo para gerar debate deve ser constante. Quanto mais publicações, melhor. Claro que não precisa ser um post de cinco em cinco minutos. Oito publicações diárias eu já considero suficiente. Se o assunto do dia, por exemplo, for o aumento da gasolina, é sobre isso que deve ser discutido em suas redes.

Não será com mágica que a rede passará a ter visibilidade. Será necessário tempo, paciência e trabalho em longo prazo. Mas como diz o velho e sábio ditado: “antes tarde do que nunca”.

Fotos de visitas a apoiadores, caminhadas nas vilas ou então apreciando um delicioso pastel devem ser utilizadas nos perfis pessoais e também no Instagram. A página do Facebook deve ser usada exclusivamente para o debate político e posicionamento.

As transmissões ao vivo são ferramentas promissoras, que facilitam o contato entre o político e o eleitor. Estas usadas de maneira disciplinar e cotidiana, constroem a fidelidade do público com a página do político, desde que o assunto seja sério e atraente. As pessoas se sentem prestigiadas ao serem mencionadas e valorizadas por quem está fazendo uma live.

Não pense que suas primeiras transmissões terão centenas de espectadores. Este trabalho também é minucioso e deve ser feito em longo prazo. Uma boa opção é a sintonia com o WhatsApp. Divulgar previamente a transmissão e também disponibilizar para apoiadores o link quando a live for iniciada. Não é necessário ter um assessor de plantão para auxiliar, basta possuir dois aparelhos celulares, um para gravar e o outro para compartilhar o link nos grupos de WhatsApp com simpatizantes, família e amigos mais próximos. Nada de listas de transmissão enfadonhas, pelo amor de Deus! Ainda bem que o WhatsApp anunciou que vai limitar drasticamente o reenvio de mensagens. Usuários poderão reenviar uma mensagem a, no máximo, 20 pessoas ou grupos ao mesmo tempo. Este número era de 250 antes da mudança.

Da mesma forma que as transmissões ao vivo, as publicações feitas na página do Facebook precisam ser disponibilizadas nas relações do político no WhatsApp, no entanto, é necessário ter uma rede ativa com discussão, debate e pessoas que realmente estejam interessadas no assunto. Criar um grupo e atirar qualquer um ali dentro e lotar de conteúdo político vai trazer inimizade e criar indisposição. Não dá para agir no desespero. Tudo deve ser pensado com cautela. Existem diversos profissionais que dominam o assunto e podem auxiliar como utilizar as redes da melhor forma.

Impulsionamentos de publicação e da página são importantes e fundamentais quando o assunto é específico e regionalizado. O Facebook disponibiliza formas para simplificar esta divulgação, dando a oportunidade de selecionar cidade, sexo, idade e outras especificações do público que gostaria de atingir. Vale lembrar que quanto menos se promover posts e a própria página, melhor. Isso acabará viciando a página que terá mais dificuldade para obter engajamento orgânico e espontâneo.

Não sejam chatos nas redes sociais. Tenham senso de humor, criatividade e irreverência. Construam seu próprio conteúdo a partir do assunto que esteja sendo discutido. Não tenham medo de opinar, nem de criticar o que todos estão criticando, isso vai tornar a página popular. Disponibilize um tempo para aprender mais como usar as ferramentas. Facebook, Instagram, WhatsApp não são nenhum bicho-papão.

*Luiz Henrique Barbudinho é ativista digital e estudante de Marketing