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17 de fevereiro de 2019, 18h32

A República dos assassinos

Marcos Danhoni faz um rescaldo do que a população brasileira sofreu e sofrerá nos próximos anos com Bolsonaro no poder

Foto: Agência Brasil
Por Marcos Cesar Danhoni Neves* “Toda a ambição é legítima, salvo as que se erguem sobre as misérias e as crendices da humanidade”. (Joseph Conrad, “O Coração das Trevas”) Passados quase 50 dias da estreia de Jair Messias Bolsonaro na chefia do país podemos fazer um rescaldo do que a população brasileira sofreu e sofrerá nos próximos anos. A constatação básica é a de que temos uma República de criminosos, de assassinos em potencial e que estão conduzindo rapidamente o país ao precipício. Se duvidam, vamos lá: – Damares Alves: já sabemos que ela é suspeita de sequestrar uma criança...

Por Marcos Cesar Danhoni Neves*

“Toda a ambição é legítima, salvo as que se erguem sobre as misérias e as crendices da humanidade”. (Joseph Conrad, “O Coração das Trevas”)

Passados quase 50 dias da estreia de Jair Messias Bolsonaro na chefia do país podemos fazer um rescaldo do que a população brasileira sofreu e sofrerá nos próximos anos. A constatação básica é a de que temos uma República de criminosos, de assassinos em potencial e que estão conduzindo rapidamente o país ao precipício.

Se duvidam, vamos lá:

– Damares Alves: já sabemos que ela é suspeita de sequestrar uma criança indígena. Aqui temos dois crimes: sequestro de vulnerável e crime de etnocídio. Não sabemos para quais fins esta criança teria sido sequestrada, uma vez que nunca houve processo legal de adoção. Sequestrada para ser “filha”, para ser empregada ou para sofrer coisas piores?!? O etnocídio se completa quando ela, ao mentir deslavadamente, afirma que a tribo mataria a criança. Afora este crime, sabemos que Damares está sendo investigada por tráfico de crianças ao exterior. Some-se a este perfil psicopatológico o fato de Damares mentir sempre, inventar estórias sexuais rocambolescas e ter assumido que é uma falsária ao afirmar que era mestre em Educação e Direito Constitucional. Etnocida e falsária!

– Ricardo Salles: Ministro do Meio Ambiente: acusado de falsificação de documentos, manipulação de fotos de satélite quando Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, para favorecer empresários no zoneamento de indústrias próximas ao leito do rio Tietê. É defensor da flexibilização de leis ambientais e do depauperamento do IBAMA. Brumadinho mostra o desastre a que isso pode levar, com centenas de pessoas e animais mortos e a fauna e flora comprometida por mais de um século. Assassino da Natureza e falsário!

– Gustavo Bebianno Rocha: suspeito de ser captador de recursos do fundo partidário e de lavagem de dinheiro usando mulheres candidatas e laranjas. Um esquema de mega-corrupção envolvendo o assalto direto aos cofres públicos para municiar a eleição da família Bolsonaro e seus asseclas que hoje ou estão no Executivo ou estão eleitos para a Câmara e o Senado.

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– Sérgio Fernando Moro: propositor de leis que são, na verdade, Anti-leis e que dão o direito de matar (soube-se que sua redação mal escrita foi copiada da Argentina): “excludente de ilicitude para policiais assassinos”. Encontrou-se com o dono da Indústria de Armas TAURUS. Somente o anúncio de seu famigerado pacote que modifica 14 leis no país (ele esquece que o país tem uma Constituição soberana) fez com que policiais assassinos do Rio de Janeiro executassem 14 jovens (sem resistência armada) a sangue frio. Moro também é falsificador de provas contra Lula (triplex, sítio de Atibaia) e influenciador de juízes da 13ª Vara e do TRF-4. Dissimulado e assassino das Leis! Com seu ideário de justiça não justa, estimula os assassinatos presentes de forma cada vez mais ostensiva nas forças de segurança que ensanguentam o país.

– Tereza Cristina, Ministra da Agricultura, acusada de favorecimentos em esquemas da JBS, liberou um sem-número de agrotóxicos altamente mortais e poluidores da natureza. Junto com Ricardo Salles é mais uma que se compromete com a destruição do Meio Ambiente, além de regular a questão indígena, como se indígenas fossem gado. Aqui, ela e Damares se equivalem no etnocídio.

– Onyx Lorenzoni: recebeu dinheiro não contabilizado (caixa 2) de empresas por duas vezes e deixou momentaneamente seu papel de ministro para desencavar um projeto na Câmara Legislativa para permitir o uso de armas letais em viagens aéreas por parte de qualquer policial. Corrupto e assassino da ética.

– Ricardo Vélez Rodríguez: falsário, teve a petulância de colocar em seu Currículo Lattes que foi professor da UERJ, sem nunca ter sido. Coloca-se como coautor de uma obra com um autor morto em 1859 (Tocqueville)! Chamando brasileiros (ele é colombiano!) de “canibais” e “ladrões” está rapidamente destruindo todo o sistema educacional brasileiro, aniquilando todo o sistema de avaliação de livros didáticos; impondo educação moral e cívica nas escolas e militarizando-as parcialmente. Crimes de Lesa-Educação a todo momento.

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– Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo envolvido em esquema similar ao de Bebianno e acusado pelo Ministério Público por crime eleitoral, falsidade ideológica. Mantinha muitos laranjas para se apropriar do fundo eleitoral provavelmente para pagar as contas de candidatos potencialmente mais eleitoráveis e, talvez, o impulsionamento de fakenews pelo Whatsapp, como descoberto por reportagem exclusiva da Folha de S.Paulo.

– Presidente do Senado, Davi Alcolumbre é alvo de três ações no TSE e dois inquéritos abertos no STF, envolvendo corrupção e fraudes eleitorais, em sistema que é transversal no Partido Só Laranja (PSL) de Bozo & Famiglia.

– General Hamilton Mourão, admirador do torturador e assassino Brilhante Ustra. Protagonizou ações que levaram seu filho a sair de um cargo inexpressivo para uma posição de destaque na gerência do Banco do Brasil. Configuração, pois, de crime de apologia à tortura e ao crime de nepotismo.

– Marcos Pontes, caroneiro espacial e (rsrsrs) ministro da Ciência e Tecnologia, processado por exercer atividades comerciais e receber gordas contribuições por palestras quando ainda era militar, explorando o fato de ter pego uma carona na espaçonave Soyus e plantar feijão em ambiente de microgravidade. Nada mais fez nem em ciência, nem em tecnologia.

– Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde. Processado por fraude, Caixa 2 e tráfico de influência. Vai reabilitar a volta dos hospícios (que são depósitos imundos de seres humanos e abatedouros de gente) e o uso da “eletroconvulsoterapia”, ou seja, eletrochoques (que provavelmente também serão usados nas delegacias pelos meganhas torturadores e amantes do assassino Brilhante Ustra).

– Paulo Guedes, o superministro, chamado de “Posto Ipiranga”, porque, como Bozo não articula nenhum raciocínio lógico, ele é obrigado a falar sobre tudo, incluindo a destruição do Ministério do Trabalho e da Previdência. É processado por desvios previdenciários de suas empresas ligadas à Educação a Distância (que, “coincidentemente”, ganharão muito espaço no Ministério de seu cúmplice, Vélez-Rodrigues…).

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– General Heleno, também admirador do assassino Ustra, é Lesa-Pátria e agora instigador de espionagem e arapongagem contra a Igreja Católica, ONGs ambientais e o próprio Vaticano.

– Bozo & Famiglia: admiradores da ditadura militar; propugnadores de assassinatos de pessoas de esquerda; admiradores do torturador e assassino Brilhante Ustra; incentivadores da violência incluindo contra Jean Wyllis e Marielle Franco; empregadores de milicianos, supostamente envolvidos com o duplo homicídio de Marielle e Anderson; praticantes de crimes eleitorais e falsidade ideológica e eleitoral. São a ponta da pirâmide na República dos Assassinos do Brasil …

Joseph Conrad, o grande escritor inglês (nascido, porém, na Rússia), em sua espetacular obra “O Coração das Trevas”, escreveu:

“É claro que você pode ser tolo o bastante para cometer erros — estúpido demais até para perceber que está sendo assaltado pelos poderes das trevas. Suponho que nenhum tolo chegou a barganhar sua alma com o diabo; ou o tolo é tolo demais, ou o diabo demasiadamente diabólico — não sei qual é o caso. Ou pode ser que você seja uma criatura tão fantasticamente superior a ponto de ficar surda e cega a tudo que não diga respeito a visões…”

Infelizmente fomos tolos demais e barganhamos nossa dignidade pela perda dos direitos e pela eleição de uma Famiglia de milicianos e toda a gang que ela poderia levar ao poder absoluto. Com a componente do fundamentalismo religioso, o pobre diabo deixou de ser diabólico e, agora, assiste a tudo, em cima do muro, enquanto caímos vertiginosamente como Nação no abismo onde mora o Coração das Trevas.

*Marcos Cesar Danhoni Neves é professor titular da Universidade Estadual de Maringá, autor do livro “Lições da Escuridão”, entre outras obras

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