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31 de julho de 2012, 13h18

Noblat e a volta do jornalismo babado.

Gente, vocês lembram daquela clássica aula de Jornalismo Wando em que Noblat exemplificava a dialética babado x notícia? Então, é com grande orgulho que anuncio a volta do nosso Mestre. Este notável praticante da wandalização jornalística está novamente no centro da ribalta, sob os holofotes do Jornalismo Wando. Em uma esgrima verbal respeitosa com internautas no […]

Gente, vocês lembram daquela clássica aula de Jornalismo Wando em que Noblat exemplificava a dialética babado x notícia? Então, é com grande orgulho que anuncio a volta do nosso Mestre. Este notável praticante da wandalização jornalística está novamente no centro da ribalta, sob os holofotes do Jornalismo Wando.

Em uma esgrima verbal respeitosa com internautas no microblog Twitter, Noblat cumpria seu papel de jornalista do bem defendendo o colega Policarpo da VEJA, o Poli, das acusações de envolvimento com Cachoeira, o Carlinhos.

Aí então se iniciou um interrogatório por parte daquela turminha amarga do jornalismo, no caso composta pelos jornalistas Pedro Alexandre Sanchez, o Pedroca e Cynara Menezes, a Cy. Noblat respondia e devolvia algumas farpas com a usual elegância global, mas sem deixar de ser incisivo. O clima foi ficando tenso no Twitter, esse tribunal informal de pequenas e grandes causas pós-moderno. Sobrou até para o ator e colega de firma José de Abreu, o Nilo, que foi chamado de leviano pelo jornalista da Globo.

Noblat não se intimidou com a patrulha e exigiu provas concretas que incriminassem Poli, já que os áudios apresentados recentemente não provam nada além de uma grande amizade com o empresário. Para desespero dos inquisidores, ter como fonte e amigo um empresário do ramo de jogos ilegais não é crime.

Sentindo a tensão de alguns colegas no ar, twittou:

E é aí que começa o shownarlismo de Noblat. Cansado da patrulha intimidatória petista, escreveu em seu blog um texto curto, porém provocador:

 

Queixem-se ao bispo, mensaleiros! Ou a Lula e Dirceu, pais da ideia de criar a CPI do Cachoeira para se vingarem de Marconi Perillo, governador de Goiás, o primeiro a farejar o mensalão. E de parte da imprensa que denunciou escândalos ao longo do governo Lula.

A CPI serviria também para adiar o julgamento dos mensaleiros ou dividir com ela a atenção do público.

Deu errado.

Apressou-se o julgamento. E ninguém apressa julgamento para absolver os réus.

 

Um verdadeiro tapa na cara daqueles que não querem enxergar as verdadeiras razões que levaram à criação dessa CPI. Os que afirmam que ela foi criada para investigar as relações de Cachoeira com Demóstenes e jornalistas estão mentindo ou, no mínimo, sendo ingênuos. Ela foi criada apenas pra satisfazer o ímpeto vingativo de Lula e Zé Dirceu, o chefe da quadrilha mensaleira. Trata-se de uma CPI emocional, sem base concreta na realidade. Em vez de tratar seus dramas pessoais em sessões de psicoterapia, Lula e Dirceu inventaram uma CPI pra destilar ódio contra Marconi e grande imprensa, os principais caguetas do mensalão. Noblat foi cirúrgico na análise.

A cereja do bolo vem no último parágrafo. Noblat faz uma afirmação pra lá de misteriosa: “Apressou-se o julgamento. E ninguém apressa julgamento para absolver os réus.”

Noblat, propositalmente, coloca uma pulga atrás da orelha do leitor ao demonstrar absoluta confiança na condenação dos réus. Isso é uma notícia? É mais um babado dos bastidores? É um desejo? É jornalismo adivinhativo? Não se sabe exatamente. E é justamente aí que mora a graça e o brilho da coisa toda. Noblat faz um convite à livre reflexão e a um mergulho profundo no mundo das possibilidades. Enfim, essa é mais uma peça de qualidade do Jornalismo Wando. Espero que vocês tenham gostado.