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14 de Maio de 2010, 11h35

A cada dois dias um homossexual morre no Brasil

O número foi considerado alarmante para entidades de direitos humanos, que estão preocupadas com desrespeito aos direitos individuais

O número foi considerado alarmante para entidades de direitos humanos, que estão preocupadas com desrespeito aos direitos individuais

Por Alne Scarso

A cada dois dias um homossexual morre no Brasil. Uma pesquisa do Grupo Gay na Bahia mostra que pelo menos 198 homossexuais foram assassinados no país no último ano. O número é 55% maior do que o ano de 2008 e foi considerado alarmante para as entidades de direitos humanos, que estão preocupadas com desrespeito aos direitos individuais.

Para o presidente do Grupo, Marcelo Cerqueira, o crescimento dos crimes é impulsionado pelo pensamento conservador, que embasa práticas homofóbicas.

“Todos esses crimes que nós temos notícia no Brasil foram motivados pela orientação sexual da vítima. Esses dados, que são a ponta do iceberg de sangue, nos mostram que a sociedade ainda é homofóbica e que impunidade com que todos esses casos são tratados no Brasil faz com que novos casos continuem acontecendo do Oiapoque ao Chuí.”

O Grupo usa a imprensa como principal fonte de catalogação das mortes. Por isso, estima-se que o número de homossexuais assassinados seja ainda maior que 198. Apesar 10% da população se declarar homossexual, o Brasil ainda não tem estudos oficiais sobre os crimes de ódio praticados contra eles.

“A única arma que nós temos é denunciar às cortes internacionais, denunciar o Estado e os municípios para que, por exemplo, constituam delegacias especiais para apurar os crimes homofóbicos que ainda acontecem no Brasil de uma forma muito escancarada. E fica feio (sic) para o Brasil, que quer ser considerado um país democrático, civilizado.”

Dentre os 198 mortos em 2009, 117 são gays, 72 travestis e nove lésbicas.

Com informações da agência Brasil de Fato.