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27 de agosto de 2007, 16h55

‘”A mídia nas eleições de 2006″‘ é lançado nesta quinta

Livro organizado por Venício A. de Lima, tem lançamento no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Livro organizado por Venício A. de Lima, tem lançamento no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Por Redação

O livro A mídia nas eleições de 2006, da editora Fundação Perseu Abramo, tem lançamento nesta quinta-feira, 30, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O evento ocorre a partir das 19h30, e terá presença do organizador, Venício A. de Lima, e de autores do livro, como o editor da revista Fórum, Renato Rovai, e Luís Nassif.

Na obra, 11 artigos mostram dados que deixam claro o viés da cobertura praticada pela grande mídia, especialmente a impressa – favorável ao candidato do PSDB Geraldo Alckmin – e discutem o papel exercido na disputa. Mesmo com a atuação dos meios de comunicação, o resultado da disputa foi outro.

A mídia nas eleições de 2006 coloca numa mesma publicação reflexões diferentes produzidas durante as eleições. O lançamento ocorre alguns dias depois do início do julgamento dos 40 acusados pelo inquérito do Ministério Público sobre a compra de votos no Congresso, o “mensalão”.

O livro
Lima dividiu em três partes a discussão. Na primeira, os dados do Observatório Social e do Laboratório de Pesquisa em Comunicação Política e Opinião Pública/Instituto Universitário de Pesquisas e Estudos do Rio de Janeiro (Doxa-Iuperj) sobre a cobertura dos principais jornais do país. O Doxa realiza análise semelhante desde 2000, incluindo pleitos municipais.

Os resultados são previsíveis: com mais ou menos difuldade de manifestar essa posição para seus leitores, a mídia queria Alckmin presidente. Lula e o PT não.

A segunda parte, sete jornalistas analisam episódios marcantes da cobertura. Rovai elencou sete práticas nada jornalísticas empregadas com frequência na cobertura – como as invenções e ilações, o jornalismo torcedor, entre outros. Bernardo Kuscinsk alerta para o clima dentro das redações de que a mídia estaria protagonizando um momento histórico ao buscar decisivamente derrotar um projeto político.

Paulo Henrique Amorim destacou o episódio das fotos do dinheiro supostamente destinado à compra do dossiê contra a candidatura de José Serra, então na disputa pelo governo de São Paulo, como o primeiro golpe. Diante da memória do caso Proconsult, nas eleições ao governo do Rio de Janeiro em 1982 e ao histórico recente, ele considera que o segundo golpe “está a caminho”.

Nassif avalia que a mídia cometeu um “suicídio editorial” ao apostar todas as fichas numa derrota de Lula, comprometendo sua credibilidade. O fenômeno foi o desfecho de uma crise da mídia na década de 90 e da própria classe média, leitora dos veículos impressos. Ele critica erros do PT ao ocupar a máquina pública e por não manter um sistema de informações dentro do governo que permitisse apuração e respostas rápidas à sociedade, o que permitiu o surgimento de novas denúncias mais ou menos precisas, contra integrantes do Executivo e do Legislativo sem esclarecimentos rápidos.
Sérgio Amadeu, sociólogo, defende que blogues e comunidades virtuais na internet foram capazes de produzir respostas aos meios de comunicação dominantes, ao mesmo que para divulgar denúncias e acusações. O ponto defendido por ele é que as novas tecnologias são alcançadas por lideranças sociais com alguma influência em seus grupos, o que permitiu respostas aos ataques sofridos durante a campanha. Ele ressalva que não se trata de afirmar que os partidários de Lula foram mais eficientes do que os opositores, mas que era ali que se organizava o discurso de defesa.

Marcos Coimbra fecha a segunda parte defendendo que a mídia comercial foi derrotada ao se prestar a um papel pouco nobre de ser caricaturalmente panfletário. Ele entitula o artigo com a tese reconhecidamente provocativa perguntando se “a mídia teve algum papel” no processo.

Na terceira parte, Luis felipe Miguel discute o que se pode fazer para mudar o cenário de concentração da mídia, incluindo a opção da TV Pública.

Quatro reportagens da revista Carta Capital, a resposta de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo às acusações da revista, a carta do repórter Rodrigo Vianna e o resultado das eleições presidenciais de 2006 são anexos.

Serviço

Lançamento de
A mídia nas eleições de 2006
Venício A. de Lima (org.)
Fundação Perseu Abramo
Quinta-feira, 30, às 19h30
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Rua Rego Freitas, 530, sobreloja, Vila Buarque (São Paulo/SP)
Informações: www.jornalistasp.org.br – (11) 3217-6299 ou www.fpabramo.org.br