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31 de julho de 2018, 20h32

Advogado alagoano pede prisão de Johnny Hooker após cantor dizer que ‘Jesus é travesti’

O cantor pernambucano fez a fala durante seu show no Festival de Inverno de Garanhuns como uma forma de defender a peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", que retrata Jesus como uma travesti e que sofreu censura no evento; para advogado, Hooker "ofendeu" cristãos e cometeu "discriminação" de religião

Foto: Reprodução/Facebook
O cantor pernambucano Johnny Hooker se tornou, nesta segunda-feira (30), alvo de uma notícia crime que pede sua prisão preventiva por, supostamente, ter “ofendido” seguidores do cristianismo. A queixa foi feita pelo advogado Jethro Ferreira, da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas, que pede a prisão preventiva de Hooker. A motivação da notícia crime foi uma fala feita pelo cantor em sua apresentação na última sexta-feira (27) no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), em Pernambuco. Durante o show, Hooker saiu em defesa da atriz Renata Carvalho e da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que traz...

O cantor pernambucano Johnny Hooker se tornou, nesta segunda-feira (30), alvo de uma notícia crime que pede sua prisão preventiva por, supostamente, ter “ofendido” seguidores do cristianismo. A queixa foi feita pelo advogado Jethro Ferreira, da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas, que pede a prisão preventiva de Hooker.

A motivação da notícia crime foi uma fala feita pelo cantor em sua apresentação na última sexta-feira (27) no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), em Pernambuco. Durante o show, Hooker saiu em defesa da atriz Renata Carvalho e da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que traz o personagem bíblico na pele de uma travesti e que sofreu tentativa de censura no festival.

“E se Jesus voltasse agora à terra como uma travesti? Não era para amar ao próximo como a si mesmo? Estamos aqui num festival de falso viva à liberdade. Pois, eu quero dizer que Jesus também é travesti”, afirmou o cantor.

Para o advogado Jethro Ferreira, Johnny Hooker teria cometido infrações penais pois “as pessoas que professam a fé cristã têm a pessoa de Jesus Cristo como uma pessoa do sexo masculino, heterossexual […] Qualquer afirmativa diferente desses dogmas é considerada uma ofensa à fé cristã”. Ele usou como base, em sua notícia crime, artigo 20 da Lei Federal nº 7.716, que prevê que quem “pratica, induz ou incita a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” está sujeito a uma pena de reclusão de um a três anos e multa.

Em nota, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) manifestou apoio ao cantor e à equipe do espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”.

“A ABGLT reconhece que artistas como Johnny, Renata e tantas outras tem emprestado sua arte para um ativismo em defesa de nossa luta e de nossos corpos, o que tem incomodado de sobremaneira o patriarcado e o machismo que reforçam as violações diárias a todas nós LGBTI+. Por isso nos solidarizamos e nos colocamos a disposição para todo e qualquer tipo de apoio necessário”, diz a nota da entidade.

Confira a íntegra.

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) vem, através deste, manifestar total apoio e solidariedade ao cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker que, desde a última sexta-feira (27), tem sido alvo de ataques protagonizados por oportunistas religiosos, após protestar durante seu show no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) contra a tentativa de proibir o espetáculo “O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”, protagonizado pela atriz transexual Renata Carvalho, como parte da programação do festival. Após tentativas semelhantes de proibições em cidades como Jundiaí (SP), Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e no Rio de Janeiro (RJ), a peça passou por batalha jurídica para compor a programação do festival pernambucano.

Acreditamos que as repetidas tentativas de censura contra a peça e os ataques e denúncias sofridos por Johnny Hooker são reflexos da intolerância e LGBTIfobia presentes na nossa sociedade. Renata Carvalho, atriz protagonista da peça, se posicionou em entrevista ao jornal O Globo, afirmando que “Jesus é tido como a imagem e semelhança de todo mundo, menos de nós pessoas trans”, levantando questionamento sobre a falta de tolerância e respeito com as pessoas trans e seus corpos. Nesse sentido, entendemos o protesto do cantor, ao declarar que “Jesus é travesti sim”, como fundamental na luta contra a censura e silenciamento da população transexual e travesti.

A ABGLT reconhece que artistas como Johnny, Renata e tantas outras tem emprestado sua arte para um ativismo em defesa de nossa luta e de nossos corpos, o que tem incomodado de sobremaneira o patriarcado e o machismo que reforçam as violações diárias a todas nós LGBTI+. Por isso nos solidarizamos e nos colocamos a disposição para todo e qualquer tipo de apoio necessário. Estaremos sempre em defesa irrestrita a estas artistas e a todas que defendam a livre existência de nossas corporeidades. LGBTIfobicos não passarão!

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