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21 de outubro de 2014, 10h25

Aécio Neves culpa governo federal pelo agravo na crise hídrica de São Paulo

Lei da gravidade, estiagem que "só ocorre a cada 3.378 anos", falta de cooperação de São Pedro, invasão de turistas e, agora, "falta de parceria maior do governo federal". Aécio Neves faz coro com o governador Geraldo Alckmin e terceiriza a culpa pela falta de água em São Paulo.

Lei da gravidade, estiagem que “só ocorre a cada 3.378 anos”, falta de cooperação de São Pedro, invasão de turistas e, agora, “falta de parceria maior do governo federal”. Aécio Neves faz coro com o governador Geraldo Alckmin e terceiriza a culpa pela falta de água em São Paulo Por Vinicius Gomes Chegou a vez de o candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) entrar no jogo da terceirização da culpa pela maior crise paulista dos últimos anos – mesmo que seja o seu partido quem governa o estado há duas décadas. Na segunda-feira (20), em visita ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, na Grande...

Lei da gravidade, estiagem que “só ocorre a cada 3.378 anos”, falta de cooperação de São Pedro, invasão de turistas e, agora, “falta de parceria maior do governo federal”. Aécio Neves faz coro com o governador Geraldo Alckmin e terceiriza a culpa pela falta de água em São Paulo

Por Vinicius Gomes

Chegou a vez de o candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB) entrar no jogo da terceirização da culpa pela maior crise paulista dos últimos anos – mesmo que seja o seu partido quem governa o estado há duas décadas. Na segunda-feira (20), em visita ao Santuário Nossa Senhora da Piedade, na Grande Belo Horizonte, o tucano afirmou há falta de “uma parceria maior” por parte do governo federal com relação à crise hídrica enfrentada no estado de seu correligionário Geraldo Alckmin. 

Segundo o presidenciável, as indicações políticas à Agência Nacional de Águas (ANA), promovidas nos 12 anos de administração do PT em Brasília, agravaram a crise, insinuando que a responsabilidade pela falta de água que os paulistas estão vivendo também é da presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). 

“Talvez, o que tenha faltado seja uma parceira maior do governo federal. Por exemplo, a Agência Nacional de Águas, criada no governo Fernando Henrique, se não tivesse no governo do PT servido a outros fins, nós nos lembramos bem quais são, quais foram as indicações, quais os critérios para ocupar cargos da diretoria da ANA”, disse Aécio. E completou: “Eu acho que os paulistas compreenderam o esforço que o governador do estado, Geraldo Alckmin, fez. É uma questão grave, nós estamos tendo a maior estiagem dos últimos 80 anos”.

Histórico da terceirização da culpa

Em participação durante o #48hDemocracia, o coordenador de governo da prefeitura de São Paulo, Chico Macena, afirmou algo que parece traduzir como funciona a lógica tucana a que Aécio Neves toma parte como tentativa de se desvincular da crise hídrica: “Aqui em São Paulo não tem governador. A culpa é sempre da prefeitura ou do governo federal”. Mas nenhuma palavra sobre sucateamento ou a especulação financeira na Bolsa de  Nova York.

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Se Aécio Neves agora joga a culpa na “falta de maior parceria” do Palácio do Planalto, a administração Alckmin já se utilizou de outros artifícios:

Uma seca só vista nos tempos do…faraó  Um relatório técnico produzido pelo Centro Tecnológico de Hidráulica e Recursos Hídricos do governo paulista afirmava que o problema da falta de água em São Paulo se devia a uma “estiagem tão crítica que só ocorre a cada 3.378 anos”.

Malditos turistas –  Diversas cidades do litoral sul de São Paulo  ficaram sem água no final de 2013. A desculpa usada foi um “consumo elevado” e não a falta de planejamento do governo para abastecer as cidades litorâneas que receberiam diversos turistas para a virada do ano

Isaac Newton e sua Lei da Gravidade – O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, afirmou no ano passado que o Sistema Cantareira teria sérias dificuldades em manter o abastecimento da região da Grande São Paulo caso chegasse a 14%, por um simples motivo: a gravidade. Hoje o Sistema está com 3,5% de capacidade.

São Pedro não coopera – E, no fim das contas, a culpa pela crise em São Paulo caiu na conta de São Pedro. Não da falta de planejamento.

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Foto de Capa: Política Livre/Divulgação 

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