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17 de julho de 2018, 07h30

Agência Lupa diz que Bolsonaro “derrapa” ao falar que Herzog não foi assassinado pela ditadura

De acordo com perícia realizada pela Comissão da Verdade, há provas sim de que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado

A Agência Lupa afirma no título de uma de suas checagens que Bolsonaro “derrapa” ao dizer em entrevista na sexta-feira (6), ao programa Mariana Godoy Entrevista, na RedeTV! que o jornalista não foi assassinado durante a ditadura militar. Na ocasião,  o pré-candidato do PSL  disse que “ninguém tem prova de nada [sobre a morte de Vladimir Herzog]”. A frase, conforme levantado pela agência e de acordo com documento da Comissão da Verdade é absolutamente falsa, já que há provas inegáveis de que Herzog foi assassinado. Ao usar o termo “derrapar” no título a Lupa evidencia mais uma  falta de rigor com o...

A Agência Lupa afirma no título de uma de suas checagens que Bolsonaro “derrapa” ao dizer em entrevista na sexta-feira (6), ao programa Mariana Godoy Entrevista, na RedeTV! que o jornalista não foi assassinado durante a ditadura militar. Na ocasião,  o pré-candidato do PSL  disse que “ninguém tem prova de nada [sobre a morte de Vladimir Herzog]”.

A frase, conforme levantado pela agência e de acordo com documento da Comissão da Verdade é absolutamente falsa, já que há provas inegáveis de que Herzog foi assassinado. Ao usar o termo “derrapar” no título a Lupa evidencia mais uma  falta de rigor com o contexto informativo.  E de alguma maneira também mostra sua pouca empatia com valores democráticos em nome de um certo distanciamento do objeto jornalístico.

Derrapar é algo menor, sem muita importância. Não é um grave erro ou uma agressão imensa à memória dos que foram mortos e torturados na ditadura militar e aos seus familiares.

O mais grave é que agência tinha os elementos para afirmar diferente e esclarece o caso mais adiante:

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Os peritos encontraram dois sulcos distintos de enforcamento no cadáver de Herzog, o que indica que o jornalista foi estrangulado e, posteriormente, içado com o objetivo de simular o suicídio. O texto do laudo afirma o seguinte:

“A observação desses dois sulcos (ambos com reações vitais) – um deles típico de estrangulamento e o outro característico daqueles observados em locais de enforcamento (ou em locais onde o corpo foi içado com o objetivo de simular enforcamento) – é incompatível com a versão oficial apresentada de que Vladimir Herzog teria se auto-eliminado”.

Além disso, a perícia também constatou escoriações no tórax de Herzog e concluiu que elas indicam que o corpo do jornalista foi pressionado durante o enforcamento.

“Essas marcas não foram citadas no laudo e guardavam características de terem sido produzidas por compressão da região torácica contra suporte rígido, podendo a ação compressiva ter sido aplicada nas costas de Vladimir Herzog, o que gerou o contato do tórax com esse suporte rígido”.

Por fim, para os peritos, a nota de confissão de Herzog apresenta fortes indícios de ter sido ditada pelos agentes. “Não é possível afirmar que o texto lançado no documento foi escrito de forma espontânea. As alterações de calibre e espaçamento interliterais e intervocabulários, bem como variações de pressão e de tonalidades do traçado, configuram falta de fluidez própria das escritas espontâneas”.

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Para a Corte Interamericana de Direitos Humanos também não há dúvida de que Herzog foi enforcado. A instituição destaca que o jornalista apareceu morto, pendurado por uma cinta, mas que os macacões do DOI-CODI, onde ele morreu, não tinham cinta por questões de segurança.

Além disso, a corte reuniu testemunhas que ouviram gritos no dia da morte de Herzog, o que indica que ocorreu tortura.

“Nós dois fomos retirados da sala e levados de volta ao banco de madeira onde nos encontrávamos, na sala contígua. De lá, podíamos ouvir nitidamente os gritos, primeiro do interrogador e depois de Vladimir e ouvimos quando o interrogador pediu que lhe trouxessem

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