12 de março de 2018, 08h48

Alckmin usa imóvel de cunhado delatado na lava jato como sede de suas empresas

Desde o final de 2006, Alckmin mantém vínculo com o escritório do cunhado, na avenida Nove de Julho, no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista

De acordo com matéria da repórter Thais Bilenky, publicada na Folha desta segunda-feira (12), três empresas da família do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), têm ou tiveram como sede um edifício comercial de propriedade de seu cunhado Adhemar Ribeiro, acusado por dois delatores da Odebrecht de ter recebido R$ 2 milhões no caixa dois para a candidatura do tucano em 2010.

Em ao menos duas eleições, para a Prefeitura de São Paulo, em 2008, e para o governo paulista, em 2010, as campanhas de Alckmin tiveram uma base no imóvel.

Em ambas as prestações de contas eleitorais, há registro de aluguel do espaço. Neste ano, o tucano deve disputar a eleição para a Presidência.

Ribeiro é irmão da primeira-dama Lu Alckmin. Alckmin nega irregularidades nas campanhas eleitorais. Seu cunhado não se manifestou.

Desde o final de 2006, Alckmin mantém vínculo com o escritório do cunhado, na avenida Nove de Julho, no bairro do Itaim Bibi, na capital paulista.

Em 14 de novembro daquele ano, duas semanas depois do segundo turno da eleição presidencial, em que perdeu para Lula (PT), o governador registrou a Humanitas Fórum, Palestras & Cultura no endereço.

De propriedade do governador em sociedade com sua filha, Sophia, e capital de R$ 10 mil, a empresa tem como objeto social “pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais e humanas, regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços, ensino de dança, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”.

A assessoria do tucano disse que a empresa foi criada para atividades dele como “professor e palestrante”.

O mesmo prédio de Ribeiro, o Wall Street Empreendimentos, serviu de sede para a Trigo Assessoria, agência de notícias de Sophia com uma sócia, de 2009 a 17 de fevereiro de 2017, quando elas mudaram de endereço.

A migração da agência da filha de Alckmin ocorreu 18 dias depois de o STF (Supremo Tribunal Federal) homologar a delação da Odebrecht, o que resultaria na divulgação, em abril do ano passado, dos depoimentos dos ex-executivos da construtora.

Um dos delatores da Odebrecht, Carlos Armando Paschoal, ex-superintendente da construtora em São Paulo, relatou a atuação de Ribeiro na campanha de Alckmin.

Ele afirmou que foi levado por Aluízio de Araujo, conselheiro da Odebrecht morto em 2014, “a uma reunião com Geraldo Alckmin no escritório deste, na avenida Nove de Julho, próximo à avenida São Gabriel” –descrição compatível com a do escritório do cunhado.

Segundo ele, chegando lá, aguardou em uma antessala enquanto Alckmin e Araujo conversavam. Quando foi chamado, disse Paschoal, “foram faladas apenas banalidades, e com isso percebi que o tema já estava acertado entre os dois”.

“Quando eles ficaram de pé, como quem diz ‘acabou’, o dr. Alckmin pediu à secretária um cartão”, afirmou o delator. “Ele disse: ‘Esse aqui é o meu cunhado. O que a gente combinou aqui com o dr. Araujo, você pode…'”.

A partir de então, segundo Paschoal, de julho a outubro de 2010, ambos se encontraram em lugares determinados pelo cunhado de Alckmin para efetuar os repasses.

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