14 de março de 2019, 16h34

Alemães e brasileiros marcham em Berlim por Marielle e contra Bolsonaro

Sob chuva e um frio de 5º graus, políticos e ativistas fizeram um ato em homenagem a Marielle Franco, assassinada há um ano, e protestaram contra o presidente Jair Bolsonaro e as relações de empresas alemãs com o governo brasileiro

Foto: Christian Russau
“Doutor, eu não me engano. O Bolsonaro é miliciano”. A paródia que se popularizou no carnaval de rua do Brasil neste ano cruzou mais de 9 mil quilômetros pelo Atlântico e chegou na Alemanha. Nesta quinta-feira (14), em Berlim, cerca de 180 pessoas, entre brasileiros e alemães, marcharam pelas ruas da capital para homenagear a vereadora Marielle Franco, assassinada há um ano no Rio de Janeiro, e protestar contra o governo de Jair Bolsonaro. Organizado por inúmeras entidades, sob chuva e frio de 5 °C , o ato reuniu ativistas e políticos, brasileiros e alemães, para, além de rememorar o legado de...

“Doutor, eu não me engano. O Bolsonaro é miliciano”. A paródia que se popularizou no carnaval de rua do Brasil neste ano cruzou mais de 9 mil quilômetros pelo Atlântico e chegou na Alemanha. Nesta quinta-feira (14), em Berlim, cerca de 180 pessoas, entre brasileiros e alemães, marcharam pelas ruas da capital para homenagear a vereadora Marielle Franco, assassinada há um ano no Rio de Janeiro, e protestar contra o governo de Jair Bolsonaro.

Organizado por inúmeras entidades, sob chuva e frio de 5 °C , o ato reuniu ativistas e políticos, brasileiros e alemães, para, além de rememorar o legado de Marielle e pedir justiça pelo seu brutal assassinato, repudiar as relações de empresas do país com o governo brasileiro, considerado por eles antidemocrático.


Vídeo: Christian Russau

Em entrevista à Fórum dois dias antes do protesto, o jornalista e sociólogo alemão, Christian Russau, explicou: “Denunciamos a contínua colaboração das empresas alemãs com políticos brasileiros como o Bolsonaro, que é explicitamente antidemocrático. Denunciamos que as empresas alemãs, que representam 12% do PIB industrial brasileiro, continuam pensando só no lucro, e que os direitos humanos só lhes interessa quando se trata deles e de suas famílias”.

No ato em Berlim, foi Russau quem abriu as falas, em frente à Federação das Indústrias Alemãs (BDI). Em sua intervenção, o sociólogo lembrou que o Deutsche Bank chamou Bolsonaro de “o candidato preferido do mercado” e que o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo, Wolfram Anders, fez campanha explícita para Bolsonaro através do Twitter.

A deputada alemã do partido Die Link, Heike Hänsel, também fez uma fala na abertura do protesto. Ela exigiu o fim da parceria estratégica Brasil-Alemanha, afirmando que o governo alemão não pode ter relações normais com um governo como o de Bolsonaro. A parlamentar ainda pediu o fim da exportação de armas alemãs para o Brasil – a arma utilizada no assassinato de Marielle Franco, inclusive, é alemã.

Depois das falas, o grupo seguiu em marcha pelas ruas de Berlim, ao som de tambores de maracatu, com palavras de ordem em memória de Marielle e contra Jair Bolsonaro. Havia ainda faixas de “Lula livre”, em português e em alemão, entre os manifestantes.


Vídeo: Heloisa Avante

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