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06 de março de 2014, 13h00

Aliança dos EUA contra o Irã se parte no Golfo Pérsico

Bloco dos países árabes do Golfo Pérsico - aliado aos EUA e contra o Irã - entra em conflito e se parte

Com seus “aliados” agindo cada vez mais de acordo com seus próprios interesses, as campanhas “anti-alguém” de Washington tendem a falhar; desta vez, foram os estratégicos países árabes do Golfo Pérsico Por Moon of Alabama | Tradução: Vinicius Gomes Os Estados Unidos tem há muito tempo tentado forjar uma frente anti-Irã entre os países árabes do Golfo Pérsico. O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, sigla em inglês), criado em 1981, incluía Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes. O braço militar do GCC e seu escudo peninsular foram formados conforme orientação dos EUA. “Nós gostaríamos de expandir nossa...

Com seus “aliados” agindo cada vez mais de acordo com seus próprios interesses, as campanhas “anti-alguém” de Washington tendem a falhar; desta vez, foram os estratégicos países árabes do Golfo Pérsico

Por Moon of Alabama | Tradução: Vinicius Gomes

Os Estados Unidos tem há muito tempo tentado forjar uma frente anti-Irã entre os países árabes do Golfo Pérsico. O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, sigla em inglês), criado em 1981, incluía Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes. O braço militar do GCC e seu escudo peninsular foram formados conforme orientação dos EUA.

“Nós gostaríamos de expandir nossa cooperação em segurança com nossos parceiros na região; trabalhando de forma coordenada com o GCC, incluindo a venda de artigos de defesa dos EUA através do GCC, como uma organização,” disse o secretário de Defesa Chuck Hagel. “Esse é um passo natural para melhorar a colaboração EUA-GCC e irá permitir ao bloco adquirir capacidades militares importantes, incluindo itens para defesa com mísseis balísticos, segurança marítima e contraterrorismo”.

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Ele completou dizendo que nos últimos dez anos, a venda de equipamentos militares e armas aos países do GCC os distanciaram do Irã.

Ontem, o GCC se partiu:

A Arábia Saudita, o Bahrein e os Emirados Árabes retiraram seus embaixadores de Doha [capital do Qatar] nessa quarta-feira (5) em protesto à interferência do país em seus assuntos internos. O anúncio foi feito em conjunto.

Os três países do Golfo tomaram a decisão após os jornais reportarem ter sido uma “tempestuosa” reunião na terça-feira (4) entre os ministros de Relações Exteriores das seis nações do bloco, em Riad, na Arábia Saudita.

Os países do GCC “fizeram o máximo para contatar o Qatar, em todos os níveis, com a intenção de acordarem uma política unificada e garantir a não-interferência, direta ou indireta, em assuntos internos de quaisquer dos Estados-membros”, lia-se no anúncio conjunto.

Os países também pediram ao Qatar, um apoiador da Irmandade Muçulmana – banido na maioria dos países do Golfo – a “não apoiar qualquer partido que possa ameaçar a segurança e a estabilidade de qualquer país-membro”, citando campanhas de mídia contra eles, em particular. O anúncio enfatizou que, apesar do comprometimento do emir catariano, Sheikh Tamim bin Hamad al-Thani, com esses princípios durante uma cúpula em novembro passado, que contou com o emir do Kuwait e monarcas sauditas, o Qatar falhou em cumpri-los.

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Investimentos em ações do Qatar caíram após o anúncio, mas o país ainda tem alguma vantagem, uma vez que fornece gás natural aos Emirados Árabes. Os outros dois membros, Kuwait e Omã, não chamaram seus embaixadores de volta.

O Qatar e a Arábia Saudita têm brigado em questões como: suas ligações com os “Arquivos Síria”; sobre interpretações ideológicas do Islã e também sobre a postura fanática da Arábia Saudita contra o Irã. O Omã é outro país que não adere à orientação anti-Irã, liderada pelos EUA/Arábia Saudita, dentro do GCC.

Os EUA agora têm outro grande problema de política externa nas mãos. Em todos os lugares onde eles tentar unir “aliados” em suas campanhas “anti-alguém”, os EUA parecem falhar.

Na Europa, os “aliados” dos norte-americanos estão reticentes sobre possíveis sanções à Rússia e provavelmente não seguirão a campanha anti-Rússia dos EUA; no Extremo Oriente, os “aliados” Coreia do Sul e Japão estão batendo cabeça e provavelmente não irão se unir na campanha anti-China. Com o GCC se rompendo, a campanha norte-americana anti-Irã no Golfo, provavelmente irá falhar também.

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As aspirações hegemônicas da política externa estadunidense estão ameaçadas, pois seus “aliados” estão cada vez mais agindo de acordo com seus próprios interesses, ao invés de seguir a liderança, muitas vezes lunática, de Washington. Esse fato histórico ainda tem que ser compreendido pelos atores da política externa nos EUA.

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