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26 de abril de 2019, 22h49

Aliança Nacional LGBTI+ repudia escalada de intolerância do governo Bolsonaro

“Desejamos que o Sr. Jair Bolsonaro pondere sobre o desgaste que ele vem causando para a imagem do Brasil no mundo, o qual gera imediatas repercussões negativas tanto em nível cultural como econômico”, diz nota da entidade

Foto: Agência Brasil
A Aliança Nacional LGBTI+ divulgou nesta sexta-feira (26) uma nota de repúdio às declarações preconceituosas, machistas e homofóbicas de Jair Bolsonaro e contra a escalada da intolerância à diversidade do seu governo. Entre outras arbitrariedades, Bolsonaro disse: “Quem quiser vir aqui (no Brasil) fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”. Vejam abaixo a íntegra da nota: O Brasil exige respeito à diversidade: não aceitaremos atitudes e ações ligadas ao racismo, machismo, discriminações contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, intersexuais (LGBTI+), nem quaisquer outras pautas que promovam o...

A Aliança Nacional LGBTI+ divulgou nesta sexta-feira (26) uma nota de repúdio às declarações preconceituosas, machistas e homofóbicas de Jair Bolsonaro e contra a escalada da intolerância à diversidade do seu governo.

Entre outras arbitrariedades, Bolsonaro disse: “Quem quiser vir aqui (no Brasil) fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”.

Vejam abaixo a íntegra da nota:

O Brasil exige respeito à diversidade: não aceitaremos atitudes e ações ligadas ao racismo, machismo, discriminações contra lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, intersexuais (LGBTI+), nem quaisquer outras pautas que promovam o ódio.

O país assiste indignado à escalada de intolerância patrocinada pelo chefe do Poder Executivo Federal. Não obstante as ações coordenadas que desqualificam a Educação, as Ciências Humanas e os direitos sociais, o presidente vetou um anúncio publicitário do Banco do Brasil focado no público jovem, o qual contemplava a diversidade do país.

Além de extrapolar suas atribuições, interferindo de maneira arbitrária e abusiva em estratégia publicitária de empresa de economia mista (Banco do Brasil), Bolsonaro ainda demitiu, em gesto típico de períodos autoritários, o diretor de marketing do banco, Delano Valentim. Na mesma linha, foi noticiado que o presidente vetou o uso, nos comerciais do Banco do Brasil, de expressões vinculadas à comunidade LGBTI+, como “lacrar”. A ação presidencial também foi na contramão da promessa eleitoral da economicidade para com os recursos públicos, uma vez que desperdiçou uma peça que custou R$ 17 milhões, segundo a assessoria do Banco do Brasil.

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Consideramos estas ações do presidente da República incompatíveis com as reais necessidades do país, provocando polêmicas desnecessárias sobre direitos civis e liberdades democráticas e incitando a divisão da sociedade, o preconceito e o ódio. Além disso, o presidente vem exercendo de forma reprovável o seu papel de líder no enfrentamento às grandes questões do país, como desemprego, a fome estrutural, o aumento da pobreza e tantos outros pontos, que tanto demandam políticas públicas urgentes e eficazes.

No mesmo dia, em coletiva de imprensa, o presidente da República fez declarações discriminatórias contra a comunidade LGBTI+: “O Brasil não pode ser um país do mundo gay, de turismo gay; temos famílias”, promovendo o ódio. Salientamos ao presidente que somos seres humanos, nascidos e constituídos nas formas mais diversificadas de famílias sob a forma do afeto e do amor.

Igualmente deplorável, na mesma fala, foi a afirmação do presidente de que “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade”, expressando convicções inaceitavelmente machistas, incentivando turismo voltado à exploração sexual de mulheres e meninas.

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O Brasil se orgulha das conquistas democráticas que vimos celebrando desde a Constituição de 1988. Em nossa vida enquanto nação, estivemos dentro do jogo democrático, reconhecendo os direitos das mulheres, das negras e negros, da juventude, dos povos indígenas, das pessoas com deficiência, das pessoas LGBTI+, dentre tantos outros indivíduos da sociedade, que formam a pluralidade social e, consequentemente, a principal beleza do povo brasileiro.

Não aceitaremos retrocessos, tampouco que a intolerância se transforme em política de governo, ou de Estado. Tomaremos postura diante das ameaças e ataques às políticas afirmativas, de promoção dos Direitos Humanos e da cidadania de diversos setores sociais.

Desejamos que o Sr. Jair Bolsonaro pondere sobre o desgaste que ele vem causando para a imagem do Brasil no mundo, o qual gera imediatas repercussões negativas tanto em nível cultural como econômico. Afinal, quem iria querer visitar um país intolerante, discriminatório e racista?

Não aceitaremos que nossa existência física e simbólica, nossa cultura e nossa dignidade sejam atacadas. Se ameaçam nossa existência, seremos resistência! Nesse sentido tomaremos todas as medidas democráticas e judiciais para que não haja retrocessos nos direitos conquistados.

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O presidente da República descumpriu o artigo 78 da Constituição Federal, que determina “o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro”.

A Aliança Nacional LGBTI+, por sua Diretoria, Coordenações Estaduais e Municipais, conclama todo o povo brasileiro e instituições nacionais e internacionais, sobretudo todos(as) os(as) defensores(as) das liberdades democráticas a enfrentarem essa escalada de intolerância atualmente promovida por setores do Poder Executivo, principalmente na pessoa do presidente da República, exigindo a manutenção das políticas sociais e ações afirmativas.

Aliança Nacional LGBTI+

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