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23 de outubro de 2013, 17h25

Professor da UFMG é afastado após denúncia de assédio

Alunos pediram afastamento de dois docentes por tecerem comentários, em sala de aula e na internet, que constrangeram os estudantes

Alunos pediram afastamento de dois docentes por tecerem comentários, em sala de aula e na internet, que constrangeram os estudantes Por Redação Um professor do curso de ciências sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi afastado após alunos pressionarem a direção a afastá-lo, em função de uma denúncia de assédio moral e sexual contra uma estudante. Uma sindicância formada por duas professoras e um aluno foi aberta para apurar o ocorrido, o que pode resultar na formação de uma comissão disciplinar. Nesse caso, outra investigação será feita, podendo culminar com...

Alunos pediram afastamento de dois docentes por tecerem comentários, em sala de aula e na internet, que constrangeram os estudantes

Por Redação

Um professor do curso de ciências sociais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi afastado após alunos pressionarem a direção a afastá-lo, em função de uma denúncia de assédio moral e sexual contra uma estudante. Uma sindicância formada por duas professoras e um aluno foi aberta para apurar o ocorrido, o que pode resultar na formação de uma comissão disciplinar. Nesse caso, outra investigação será feita, podendo culminar com advertência ou exoneração do cargo.

O docente Francisco Coelho dos Santos foi alvo de protestos dos estudantes por conta do suposto assédio cometido em sala de aula. De acordo com a coordenadora do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Cacs), Fernanda Maia Caldeira, em entrevista ao jornal O Tempo, Coelho se insinuou para uma aluna. “Ele usa os alunos para exemplificar a matéria. E nesse dia disse que a nossa colega era atraente e que se não houvesse uma relação de professor e aluno, ele gostaria de ficar na horizontal com ela.”

Alunos estão organizando para esta semana novos protestos pedindo a saída dos dois docentes (Reprodução Rede Globo)

Coelho teria adotado postura sexista em outras ocasiões, segundo Tiago Lopes, estudante da unidade, que afirma ter visto o professor se dirigir para uma colega dizendo que “ela não passava de uma costela” e que “deveria ficar calada.”

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Antes de ser feita a denúncia formal, enderaçada ao colegiado de ciências sociais, à direção da Fafich, à reitoria, ao Ministério da Educação e ao MP-MG, outros fatos constrangedores foram descritos em uma nota de repúdio. O professor teria insinuado, de acordo com a nota, que uma aluna e um amigo estavam tendo relações sexuais porque dialogavam. Teria falado ainda, em outra ocasião, que “mulheres menstruadas não serviam para nada, nem para o consumo oral”, segundo o texto.

Doutor em sociologia pela Universidade de Sorbonne (Paris) e há 16 anos na universidade, Coelho declarou ao jornal O Estado de Minas que aceitou o afastamento até que seja concluída a sindicância. Ele alega não ter tido intenção de causar prejuízo a qualquer aluno e considera a situação “desagradável”.

Machismo e homofobia

Alunos da UFMG estão pedindo também o afastamento do professor Antonio Zumpano, professor do Instituto de Ciências Exatas (ICEx). Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), Zumpano teria dito, em uma rede social: “Desafio alguém a mostrar aqui o depoimento de algum pai aceitando seu filho gay.”

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Zumpano teria postado, em seu perfil no Facebook, e no seu blogue, mensagens homofóbicas, de acordo com os alunos. “Ele disse uma vez, quando uma aluna foi violentada aqui por um homem, que o machismo é uma virtude e que a estudante estava no lugar errado na hora – sendo que ela tinha acabado de sair da aula”, afirmou Giselle Maia, do Centro Acadêmico da Gestão Pública (CAGP), da UFMG, ao O Tempo.

Apesar de alguns comentários terem sido feitos na internet, o professor teria ferido o Código de Ética da universidade, de acordo com os estudantes. Os alunos estão organizando para esta semana novos protestos pedindo a saída dos dois docentes.

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