Blog do George Marques

direto do Congresso Nacional

01 de fevereiro de 2019, 19h56

André Figueiredo (PDT) diz que PT manobra para conseguir cargos

Líder do PDT critica hegemonismo do PT; Freixo diz que "não vai aceitar puxadinho de bloco comandado e manipulado pelo atual presidente" e crise na esquerda se agrava

Foto: Agência Câmara

A eleição para a presidência da Câmara dos Deputados agravou o racha entre partidos de esquerda. Tanto os líderes do PT, quanto os líderes do PDT e PCdoB reivindicam as duas vagas em aberto: a de líder da Oposição e líder da Minoria.

“Nós formamos um bloco maior do que o deles. Então esse direito cabe a nós. O problema é que o PT se acostumou a manobrar”, disse ao blog o líder do segundo bloco de oposição, André Figueiredo (PDT).

Segundo o vice-líder do PT, Carlos Zarattini, o partido reivindicará tanto a vaga de líder da Oposição quanto do líder da Minoria. O congressista justifica que, por mais que o bloco liderado por PDT e PCdoB sejam maiores, eles não seriam uma oposição pura ao governo Bolsonaro.

Figueiredo partiu para o contra-ataque e disse que o PT passa por uma crise de identidade após o partido ter sido afastado do poder. “Mesmo depois de toda manobra que eles fizeram para destruir nosso bloco, levando o PSB para o entorno deles, nós conseguimos fazer um bloco muito maior do que o deles e vamos disputar os espaços que são naturais”.

Para entender: a Maioria é formada pelo bloco ou representação partidária que represente a maioria absoluta (metade + 1 de todos os membros) dos deputados da Câmara; por sua vez a Minoria é constituída pelo maior bloco parlamentar ou representação partidária que seja inferior ao número de componentes da maioria e de opinião diversa dela.

“Puxadinho de bloco”

Em coletiva de imprensa, Marcelo Freixo, do PSOL, jogou mais lenha na fogueira.

“O que a gente adianta é que não vamos aceitar puxadinho de bloco comandado e manipulado pelo atual presidente, para fingir que tem uma oposição outra que não a gente. O nosso bloco tem legitimidade para ser oposição ao Bolsonaro. Não vamos aceitar que entre um bloco com cesta de partidos feitos pelo atual presidente para ter o controle da maioria e da minoria. A gente não quer bloco do ‘sim’ e do ‘sim senhor’”.

Havendo impasse, Freixo não descartou judicializar a questão. “A gente formou um bloco e quer ser respeitado como bloco de oposição. Isso o regimento garante e a gente vai brigar por isso”, afirmou.