22 de junho de 2018, 10h20

O que temos a comemorar na absolvição de Gleisi pelo STF?

Da aparência à essência

Muita gente comemorou, com justeza, a absolvição de Gleisi Hoffmann pelo STF, depois de uma série de decisões bastante polêmicas da mesma Corte.

Vi comentários do tipo:
“Enfim, se fez justiça”.
“O STF tem gente decente..”
E por aí vai…

Do outro lado da bolha, as comemorações foram inversas.

E o que isto nos diz – ou deveria nos dizer?

Que a vida política eleitoral tem sido cada vez mais regida pela Corte do Supremo, constituída por 11 membros.

Que os destinos eleitorais de um país de 208 milhões habitantes são decididos por 11 pessoas.
Onze!

É a consolidação do Poder Moderador extemporâneo.
É a afirmação de que a soberania popular tem como limite o desejo e a vontade do Poder Judiciário – o único dos três Poderes sobre o qual não recai nenhum tipo de controle social.
Nem aquele mais básico : o que regula os vencimentos acima do teto republicano que não valem para a “Corte”.

Sim, nossa história monárquica e tutelada não nos deixa.
Ao que parece, acreditamos que precisamos de uma regência, de um Olimpo que nos cuide e nos ampare de nossas más intenções.
Sim, desconfiamos do povo e de sua capacidade de decidir.

Por isso, assistimos e torcemos pelas “boas decisões” do STF.
Como espectadores e não como cidadãos e cidadãs.

Precisamos mudar – estruturalmente – esta lógica de poder secular.
Precisamos parar de dar poder a quem não tem representação popular,
Precisamos nos livrar da lógica punitivista e da descrença na democracia.

Precisamos resgatar o poder de trilhar o destino deste país pelas nossas próprias mãos.
Sem tutela!