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24 de Abril de 2014, 21h55

Anistia Internacional pede desmilitarização e controle externo das atividades policiais

Em nota a respeito das mortes na favela do Pavão-Pavãozinho, entidade diz esperar que "seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias"

Em nota a respeito das mortes na favela do Pavão-Pavãozinho, entidade diz esperar que “seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias”

Por Redação

A Anistia Internacional Brasil divulgou uma nota no fim da tarde desta quinta-feira (24) pedindo uma investigação “célere e independente” a respeito das mortes de Douglas Rafael da Silva Pereira e Edilson Silva dos Santos, ocorridas na última terça-feira (22) na comunidade Pavão-Pavãozinho.

O dançarino Douglas Rafael , de 26 anos, atuava no programa Esquenta, da Rede Globo, e foi encontrado morto em 22 de abril. Existem denúncias de que a cena do crime foi adulterada. No protesto ocorrido em função da morte de Douglas, no mesmo dia, Edilson, de 27 anos, foi morto com um tiro no rosto.

“Infelizmente, o índice de homicídios de jovens em territórios de favelas e periferias é alarmante. A polícia brasileira está entre aquelas que mais matam no mundo, segundo dados da ONU. Utilizando como exemplo o estado do Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP/RJ) mostram que, de 2002 a 2011, foram registradas 10.134 mortes derivadas de intervenções policiais”, diz a nota.

Para a entidade , o contexto de violência do Rio de Janeiro e de todo o país exige que “seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias, que incluam a sua desmilitarização, o aumento da transparência e a implementação de um controle externo efetivo das atividades policiais”. Confira a íntegra da nota abaixo.

Mortes na favela do Pavão-Pavãozinho devem ser totalmente esclarecidas e autores responsabilizados

“As mortes de Douglas Rafael da Silva Pereira e Edilson Silva dos Santos devem ser devidamente investigadas e os autores responsabilizados”, afirmou hoje (24) a Anistia Internacional Brasil. Os jovens foram mortos na última terça-feira (22) na comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, Rio de Janeiro. A organização espera uma investigação célere e independente das duas mortes, considerando que há suspeitas de que foram cometidas por policiais militares.

O dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, foi encontrado morto na comunidade, no início da tarde do dia 22. Embora a morte tenha acontecido de madrugada, policiais cercaram a creche onde estava o corpo durante todo o dia e há denúncias de que a cena do crime foi adulterada.

No protesto que se seguiu à morte de Douglas, Edilson Silva dos Santos, de 27 anos, foi morto com um tiro no rosto. Ele estava desarmado, junto com outros moradores, no protesto que estava sendo monitorado por policiais munidos de arma de fogo.

Infelizmente, o índice de homicídios de jovens em territórios de favelas e periferias é alarmante. A polícia brasileira está entre aquelas que mais matam no mundo, segundo dados da ONU. Utilizando como exemplo o estado do Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP/RJ) mostram que, de 2002 a 2011, foram registradas 10.134 mortes derivadas de intervenções policiais.

A violência presente no Rio de Janeiro também pode ser identificada no restante do país. O Brasil apresenta uma das taxas de homicídio mais altas do mundo, com registro anual de 50.000 mortes por ano. Entre os jovens, a proporção de mortes é duas vezes maior se comparada com a idade adulta. E entre os jovens brasileiros que morrem, 78% são negros.

Diante desse contexto de violência, a Anistia Internacional Brasil pede não apenas que as mortes sejam devidamente investigadas, esclarecidas e responsabilizadas, mas que seja reconhecida a necessidade urgente de mudanças estruturais na organização das polícias, que incluam a sua desmilitarização, o aumento da transparência e a implementação de um controle externo efetivo das atividades policiais.

Foto de capa: Protesto de moradores após enterro de Douglas (Mídia Ninja)