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13 de junho de 2018, 11h09

Anistia Internacional pressiona Ministério Público por respostas no caso Marielle Franco

Caso completa três meses sem solução: "Grupos especializados do MP devem agir no caso", diz a entidade

A Anistia Internacional realiza, na manhã desta quarta-feira (13), no centro do Rio de Janeiro, a Ação por Marielle”. O objetivo, segundo a entidade, é exigir que o Ministério Público exerça seu poder de investigação no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes.

“Para garantir a competência e independência na apuração do caso, o Ministério Público deve exercer seu poder de investigação e cumprir seu papel de controle externo das atividades policiais através de seus grupos especializados. É preciso ainda que o processo seja realizado em tempo hábil, siga todos os padrões éticos e o devido rito legal”, disse Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional.

De acordo com a entidade, “há três meses não há respostas sobre o que levou ao assassinato da defensora de direitos humanos, Marielle Franco, e seu motorista Anderson Gomes. O Ministério Público do Rio de Janeiro deve atuar estrategicamente no caso, com a participação do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) e do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO). Deve ainda monitorar a atuação da Polícia Civil na investigação. Nada disso foi feito até o momento”.

O comunicado diz ainda que “em três meses, pouco foi esclarecido sobre o caso pelas autoridades. Sabe-se através da mídia que as câmeras próximas ao local do crime foram desligadas, que quem apertou o gatilho possuía treinamento para manusear o armamento e que a munição utilizada foi desviada de um lote vendido à Polícia Federal. Além disso, a arma empregada, uma submetralhadora, é de uso restrito das forças de segurança e pode ter sido desviada do arsenal da própria Polícia Civil, que investiga o caso”, diz a nota.

“Marielle dedicou sua vida à luta por direitos. Ao denunciar violações, em especial contra jovens negros de favelas e periferias, mulheres e pessoas LGBTI, além de abusos cometidos por policiais, ela cumpria um papel fundamental para a manutenção do Estado de Direito. Calar a sua voz representa uma grave ameaça a todos e todas que denunciam injustiças. Este crime não pode ficar sem solução”, completou Jurema.

A Anistia Internacional reitera ainda “a necessidade de as autoridades renovarem seu compromisso público com a resolução do crime e se pronunciarem sobre a imparcialidade das investigações. Isso porque é crucial não apenas a identificação do responsável pelos disparos, mas também dos autores intelectuais dos homicídios. O sigilo do caso tem como objetivo garantir a eficácia das diligências investigatórias, mas o silêncio sobre o caso reforça a sensação de impunidade. Por isso o Ministério Público também deve agir para solucionar o caso”, encerra a nota.