12 de julho de 2018, 11h17

Anistia Internacional vai reivindicar acompanhamento externo do caso Marielle/Anderson

A ONG considera grave o fato do crime permanecer em aberto, o que “demonstra ineficácia, incompetência e falta de vontade das instituições em resolver o caso”

(Foto: Reprodução Facebook)

A Anistia Internacional marcou para esta quinta-feira (12) um encontro com os pais de Marielle Franco. Juntos, eles vão reivindicar o acompanhamento externo das investigações sobre o assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes, que está prestes a completar quatro meses, ainda sem solução.

A Anistia considera grave os autores do crime não terem sido encontrados. Isto “demonstra ineficácia, incompetência e falta de vontade das instituições do Sistema de Justiça Criminal brasileiro em resolver o caso”.

“Como se sabe, o caso Marielle tem forte indício de envolvimento de agente público. É necessário um mecanismo de acompanhamento externo para que tudo fique claro. A Câmara dos Deputados criou uma comissão para fazer o monitoramento, mas ela não segue todos os itens de independência, porque está inserida num aparato estatal. Além disso, é necessário ter membros com especialização na área, como peritos”, disse Renata Neder, coordenadora de Pesquisa da Anistia Internacional Brasil.

“Quem matou Marielle e Anderson?”

Países como Honduras e Nicarágua já adotaram acompanhamentos externos para monitorar investigação de crimes.

“Há vários modelos que podem ser seguidos. Na Nicarágua, por exemplo, adotaram um sistema com peritos independentes, recomendado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que faz parte do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA)”, afirmou a coordenadora da Anistia. Ela acrescenta ainda que o fato de a investigação estar correndo sob sigilo não impede o acompanhamento externo. “É óbvio que entendemos o sigilo, mas isso não pode significar o total silêncio das autoridades”, completou.

Além de cobrar respostas para a pergunta “Quem matou Marielle e Anderson?”, a Anista diz que esse acompanhamento externo poderia ajudar a esclarecer questões que ficaram perdidas ao longo dos últimos quatro meses.

“A própria imprensa divulgou informações sobre o crime que não foram esclarecidas até hoje pelas autoridades. Por exemplo, como ficou a história de a munição usada pelos criminosos pertencer a um lote restrito? Não falaram mais nada sobre isso. E a arma usada, uma submetralhadora também de uso restrito? E as câmeras do local do crime? Foram desligadas na véspera? Todas essas informações, que surgiram logo após as mortes, não foram completamente esclarecidas”, disse Renata.

Para a diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, é “fundamental não apenas identificar e responsabilizar os autores dos disparos, mas também os autores intelectuais dos homicídios, bem como a motivação do crime”.