19 de novembro de 2018, 14h46

“Antes de começar, governo Bolsonaro já provoca uma tragédia social”, diz Dilma Rousseff

Ex-presidenta foi ovacionada na abertura do 8º Congresso da Clacso, em Buenos Aires, onde falou sobre a saída dos cubanos do programa Mais Médicos, das eleições no Brasil e da prisão de Lula. “O Brasil entrou numa rota trágica”.

BUENOS AIRES – A ex-presidenta Dilma Rousseff foi ovacionada na abertura do 8ª Conferência da Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais), que ocorre em Buenos Aires, com a participação de cerca de 30 mil pessoas, segundo a organização. Dilma afirmou que daria “um testemunho do que se passa no Brasil”. Para ela, o país entrou numa rota trágica, neoliberal, neofacista e autoritária.

Questionada como se dará a resistência do povo brasileiro diante desse cenário, a petista destacou que a “retirada sistemática de direitos levará à reação popular”. “Acredito que o povo brasileiro tem uma vantagem em relação aos momentos anteriores, sabe que foi possível no Brasil crescer e distribuir renda e aumentar o atendimento dos serviços à população. Ele vai perder isso. Já começou, com as declarações de Bolsonaro que levaram à retirada dos cerca de 9 mil médicos cubanos”, disse.

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Dilma lembrou que o país sofre com a falta de médicos nacionais nas periferias e comunidades indígenas. “Utilizaram critérios ideológicos sobre uma política social de governo. É uma catástrofe. Antes de começar, o governo já provoca uma tragédia social.”

Para a ex-presidente, Bolsonaro traz “ao mesmo tempo uma proposta de governo que se caracteriza por um alinhamento submisso aos EUA e claro corte neoliberal de retirada de direitos e destruição do Estado”.

Golpe e reação ao PT
Dilma fez um resgate do golpe que a retirou do governo do país, em 2016. “Sem crime de responsabilidade, sem o cumprimento do padrão mínimo de constitucionalidade. Até as pedras sabiam que não havia razão para o impeachment. Foi feito para reenquadrar o Brasil novamente no neoliberalismo.”

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A segunda etapa do golpe, segundo Dilma, ocorreu com as medidas aprovadas que retiraram direitos, como a reforma trabalhista e a PEC do Teto dos Gastos. A terceira, de acordo com ela, foi a prisão de Lula e o impedimento do ex-presidente disputar a eleição deste ano, na qual ele venceria, segundo as pesquisas.

“Surge no Brasil uma reação ao PT justamente porque é o partido que tem mais força no meio das esquerdas. Nestas eleições fomos derrotados, mas ao contrário da ditadura, não foi uma derrota estratégica, elegemos a maior bancada, partidariamente o maior número de governadores e o maior número de representantes nas assembleias legislativas estaduais”, disse.

 “A característica dos neofascistas é que são transparentes, dizem claramente o que vão fazer. Em relação ao PT, deixaram claro que não basta ganhar eleitoralmente porque é uma vitória que não nos destruiu. Querem agora nos destroçar, não só o PT, mas todas as conquistas de movimentos sociais do Brasil, principalmente MST e MTST. Nós teremos de resistir, só há um jeito de enfrentar o autoritarismo, neoliberalismo e neofascismo”, concluiu.

O 8º Congresso da Clacso acontece até o dia 23 e reúne as principais lideranças da esquerda latino-americana, como Pepe Mujica, Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila, entre outros. Acompanhe a transmissão ao vivo pelo canal da Fórum no Youtube.

Confira a transmissão ao vivo do 8º Congresso da Clacso, em Buenos Aires, na Página da Fórum no Facebook

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