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02 de dezembro de 2017, 14h00

Apeoesp questiona projeto de banqueiros para alunos da rede estadual de São Paulo

Ao invés de aplicar recursos diretamente nas escolas, governo Alckmin pretende pagar empresas para implementar política com o objetivo de reduzir em 7% as taxas de reprovação.

Ao invés de aplicar recursos diretamente nas escolas, governo Alckmin pretende pagar empresas para implementar política com o objetivo de reduzir em 7% as taxas de reprovação.

Redação*

O Sindicato dos Professores no Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), por intermédio da subsede Sul/Santo Amaro, questionou formalmente a Diretoria Regional de Ensino Sul 2 sobre a implementação do projeto de Contrato de Impacto Social (CIS). Os professores querem uma reunião para discutir a proposta, que está sendo comparada à tentativa de reorganização da rede, em 2015, em termos de impacto. A diretoria ainda não respondeu ao ofício entregue no último dia 23.

Em outubro, professores, pais e estudantes de Santo André rejeitaram a proposta de adesão apresentada pela direção de ensino local. No entanto, o tema começou a ganhar repercussão a partir de 23 de novembro, quando a Secretaria Estadual da Educação colocou em consulta pública a minuta do edital sobre o contrato. Conforme o órgão do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), o CIS tem o objetivo de complementar as políticas da rede estadual de ensino de São Paulo e melhorar a qualidade do Ensino Médio. A consulta se encerra no próximo dia 12.

A ideia é contratar, por meio de licitação, uma empresa para implementar uma política para reduzir em 7% as taxas de reprovação em 61 escolas estaduais contempladas. O CIS foi idealizado por um grupo integrado pelo Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a ONG britânica Social Finance e o Insper.

“Não podemos ser favoráveis a uma proposta que pretende repassar recursos públicos para empresas, e não para a solução dos problemas da educação que já são conhecidos, como falta de professores e de infraestrutura adequada, como laboratórios e outras instalações”, afirma o professor de Filosofia e dirigente da Apeoesp Tales Amaro Ferreira.

Para o professor, a proposta sinaliza que a empresa que vencer a licitação atuará como gerente da escola. “Os professores responderão a essa gerência, que pelo que tudo indica terá influência também sobre a parte pedagógica. Não é à toa que o estado apresenta essa proposta ao mesmo tempo em que cria um comitê para planejamento de ações visando à implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, completa.

A proposta do governo tucano, que está sendo comparada à proposta de reorganização do ensino em 2015, que levou à reação dos estudantes que passaram a ocupar escolas, está sendo costurada há mais de um ano. Em novembro do ano passado, o secretário estadual da Educação, José Renato Nalini, falou na abertura do seminário Inovação em Contratos de Impacto Social (CIS): Experiência Mundial e Agenda para o Brasil. A “experiência em São Paulo” chegou a ser destaque em um dos painéis.

*Com informações da Rede Brasil Atual

Foto: Governo de SP/Arquivo