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08 de junho de 2019, 08h40

Aplicativos de tiroteio no Rio de Janeiro funcionam em tempo real e como banco de dados

Aplicativos de tiroteio fazem parte da rotina do morador da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e servem tanto como forma de evitar enfrentar troca de tiros quanto como banco de dados para políticas públicas

Fonte: Fogo Cruzado
Segundo o aplicativo “Onde Tem Tiroteio (OTT)”, nos primeiros 7 dias do mês de Junho já ocorreram 137 trocas de tiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Já no “Fogo Cruzado”, esse número foi um pouco maior: 157, com 12 mortos e 15 feridos. Apesar da diferença dos números, os dois têm um objetivo comum: mapear os tiroteios em tempo real. Com 690 mil curtidas no Facebook e outros 120 mil no Twitter, o OTT lidera as estatísticas de engajamento. Lançado em janeiro de 2016, é pioneiro na troca de informação sobre troca de tiros no Rio de Janeiro. Segundo...

Segundo o aplicativo “Onde Tem Tiroteio (OTT)”, nos primeiros 7 dias do mês de Junho já ocorreram 137 trocas de tiro na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Já no “Fogo Cruzado”, esse número foi um pouco maior: 157, com 12 mortos e 15 feridos. Apesar da diferença dos números, os dois têm um objetivo comum: mapear os tiroteios em tempo real.

Com 690 mil curtidas no Facebook e outros 120 mil no Twitter, o OTT lidera as estatísticas de engajamento. Lançado em janeiro de 2016, é pioneiro na troca de informação sobre troca de tiros no Rio de Janeiro. Segundo a descrição da aplicação, sua principal missão é retirar os cidadãos das rotas dos arrastões, das falsas blitzes e das balas perdidas.

Para Benito Quintanilha, um dos fundadores da aplicação que se baseia na segurança pública 4,0, feita do cidadão para o cidadão, o OTT hoje faz parte da rotina do cidadão fluminense. “Com o número de tiroteios no Rio de Janeiro, ultrapassando os 600 por mês, o aplicativo com certeza faz parte dessa rotina”, disse à Fórum.

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O OTT, que funciona com alertas em tempo real tanto no aplicativo quanto nas redes sociais, atualiza os dados com “informações colhidas, analisadas e divulgadas num curtíssimo espaço de tempo”. Quintanilla disse que, para checar os dados recebidos, são mantidos grupos de confirmação.

Além do Rio de Janeiro, o OTT atua desde março do ano passado na região metropolitana de São Paulo. A iniciativa ainda disponibiliza relatórios para a imprensa.

Criado poucos meses depois, em julho de 2016, com apoio da ONG Anistia Internacional até 2017, o Fogo Cruzado é alimentado com informações em tempo real fornecidas por usuários, boletins da Polícia Militar e casos divulgados pela imprensa. “O Fogo Cruzado ajuda a dar informações para que o cidadão possa escolher por qual caminho seguir, em qual hora sair de casa, entendendo que muitas vezes é difícil evitar passar por alguma zona com troca de tiros. O cenário de violência no Rio de Janeiro é muito marcado pela arma de fogo”, disse Maria Isabel Couto à Fórum.

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Couto também afirmou que o aplicativo não pretende ser apenas um “tempo real”. “Nós tomamos muito cuidado para que não haja uma transferência de responsabilidade para o cidadão. Ele tem o direito a ser protegido pelo Estado, nós atuamos também acumulando dados que podem ser usados para a formulação de políticas públicas de segurança, de redução de danos. Ou seja, buscamos atuar tanto no curto prazo, fornecendo informação imediata ao morador fluminense quanto no médio e longo prazo, levando diagnósticos para o poder público”, afirmou.

Fonte: Fogo Cruzado

Com mais 60 mil curtidas no Facebook e outros 40 mil no Twitter, o Fogo Cruzado afirma prezar pela confiabilidade das informações: “Não publicamos nada sem checar. Uma informação mal dada, um boato, atrapalha mais do que ajuda e causa pânico. Nosso objetivo não é esse, por isso às vezes deixamos de fornecer algum dado do que causar confusão”.

Desde o ano passado, a aplicação chegou também a Recife, onde o perfil dos casos é diferente. “O volume de dados é bastante menor, mas tem uma característica particular, que é o fato da maioria dos casos terem vítimas. No Rio, não é assim, na maioria dos informes não há pessoas baleadas”, destacou Couto.

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