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09 de novembro de 2018, 14h04

Após comentários homofóbicos de comentarista, rádio faz acordo com MP e veiculará inserções LGBT

Ao comentar beijo gay em novela, Edson Ferreira disse, segundo o MPF, que “a gente não pode falar que tem que matar no ninho que é crime, mas que tá crescendo demais, tá. É uma viadada demais”.

Edson Ferreira (Reprodução/Facebook)
A Rádio Santa Fé, do município de Santa Fé do Sul, interior de São Paulo, vai veicular inserções a partir da próxima semana inserções voltadas aos direitos humanos e ao combate à discriminação de grupos LGBTQ+. As inserções são parte de um acordo com o Ministério Público Federal depois que o locutor Edson Ferreira fez comentários homofóbicos em um do programas, ao comentar um beijo entre homossexuais em um novela. Segundo o MPF, durante o programa, o locutor disse que “quem assiste um negócio desse é merda” e fez menção também ao assassinato de homossexuais. “Vai chegar uma hora que...

A Rádio Santa Fé, do município de Santa Fé do Sul, interior de São Paulo, vai veicular inserções a partir da próxima semana inserções voltadas aos direitos humanos e ao combate à discriminação de grupos LGBTQ+. As inserções são parte de um acordo com o Ministério Público Federal depois que o locutor Edson Ferreira fez comentários homofóbicos em um do programas, ao comentar um beijo entre homossexuais em um novela.

Segundo o MPF, durante o programa, o locutor disse que “quem assiste um negócio desse é merda” e fez menção também ao assassinato de homossexuais. “Vai chegar uma hora que nós vamos ter que provar que a gente é hétero, vai chegar uma hora que você vai ter que matar um para falar ‘meu filho não’”.

Ao responder a uma ouvinte, o locutor ainda fez nova referência à violência contra homossexuais, dizendo que “a gente não pode falar que tem que matar no ninho que é crime, mas que tá crescendo demais, tá. É uma viadada demais”, afirmou o radialista, segundo o MPF.

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O Ministério Público Federal acredita que o programa apresentou visão unilateral, estabelecendo uma relação preconceituosa e discriminatória contra os homossexuais.

Em nota enviada à Fórum, Leandro Lirussi, diretor geral da rádio, disse que assinou um termo com o MPF se comprometendo a veicular “material informativo voltado a direitos humanos, como forma de compensação aos comentários do jornalista Edson Ferreira”.

“A opinião do comunicador não representa a dos proprietários, da direção da emissora e dos demais colegas colaboradores da empresa, uma vez que, vivemos sob o regime democrático de direito, onde o ‘livre arbítrio’ diz respeito tão somente a cada um e cumpre-nos tão somente o cumprimento legal. A direção da rádio já adotou medidas para que episódios dessa natureza não se repitam. Quanto as inserções elas iniciarão na próxima semana”, informou o diretor da emissora.

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