25 de junho de 2018, 18h40

Após críticas, página do Senado retira do ar campanha fakenews contra a maconha

Atrasados: A equipe de comunicação do Senado Federal informou que a campanha permeada de mentiras sobre maconha, como a de que a planta pode causar morte, tem como fonte a Polícia Federal

A página do Senado Federal no Facebook divulgou, na tarde desta segunda-feira (25), uma nota de esclarecimento informando que retirou do ar uma campanha contra o uso da maconha que foi alvo de inúmeras críticas no últimos dias. A peça publicitária fazia parte da campanha da Semana Nacional de Políticas Sobre Drogas e tinha como objetivo alertar a população sobre o uso de algumas substâncias.

A imagem usada para criticar o uso da maconha trazia mentiras como a que a planta poderia causar morte imediata ou mediante o consumo continuado. Nunca, em nenhum lugar do mundo, foi registrada uma morte em decorrência do uso de maconha.

Leia também
O Brasil vai legalizar a maconha?

Na nota de esclarecimento divulgada hoje, a equipe de comunicação do Senado informa que usou como base para seu alerta contra a maconha estudos da Polícia Federal. A PF, no entanto, não se pronunciou sobre a origem dos dados falaciosos utilizados na campanha.

Críticas

Não foram poucas as críticas à campanha fakenews sobre maconha do Senado Federal. Inúmeros especialistas e ativistas pela descriminalização das drogas rebateram a campanha com dados corretos sobre a erva e criticaram a irresponsabilidade de uma iniciativa com esse tom, que apavora e desinforma a população.

Leia também
Não compro, planto – O cultivo caseiro de maconha no Brasil

Andrea Glassi, da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, por exemplo, foi uma das especialistas que usou o Facebook para criticar a campanha. “Não há, sequer, uma morte reportada pela ciência atribuída ao uso de maconha. Amedrontar se valendo de mentiras não é o caminho republicano para informar a população”, escreveu em uma postagem que tinha ainda uma imagem ironizando a campanha do Senado. “Possíveis efeitos imediatos: vontade de ouvir reggae; ataque de riso; desejo de comer pastel com geleia”.

A jornalista e ativista de direitos humanos Rebeca Lerer, que tem uma longa trajetória na militância da redução de danos e políticas de drogas, também teceu críticas: “O tom de medo e pânico e as mentiras destacadas pelo conteúdo da campanha geram descrença, ridículo e afastam as pessoas da única informação relevante ali contida (embora mal redigida), de que o uso de maconha pode não ser adequado a pessoas com histórico de doenças psiquiátricas como esquizofrenia. A postagem, que usa a Polícia Federal como fonte (??!!), também esquece de citar que maconha é remédio, inclusive o próprio Senado discutiu o tema em audiência na semana passada. Se eles fossem minimamente sérios e preocupados com a saúde pública, dariam dicas concretas de cuidado e redução de danos para quem usa maconha e não tentariam enrolar as pessoas. Informação científica não falta. Simples assim”, escreveu em seu Facebook.

A campanha veio justamente no momento em que o mundo todo adota políticas contrárias com relação ao uso de maconha e outras drogas. Recentemente, o Canadá entrou para a lista dos países que descriminalizara o uso da maconha. O uso da erva para fins medicinais é discutido em propostas que tramitam no mesmo Senado Federal que compartilhou a campanha falaciosa.