14 de fevereiro de 2018, 08h53

Após defender Temer, Segovia é acusado de ferir código de ética da PF

Presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (APDF), Edvandir Felix de Paiva, criticou as declarações do diretor da PF

Segovia pode ser alvo de uma ação popular, por iniciativa do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para pedir seu afastamento Foto: Reprodução/YouTube

Continuam repercutindo as declarações do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, que, em entrevista concedida à Reuters, disse que não há indícios que incriminem Michel Temer em inquérito aberto para investigar irregularidades no Decreto dos Portos. As reações são inúmeras, dentro e fora da corporação. Na avaliação do presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (APDF), Edvandir Felix de Paiva, Segovia pode ter violado o código de ética da PF. Em paralelo, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que faz oposição ao governo federal, avalia entrar com uma ação popular na Justiça Federal de Brasília para pedir o afastamento do delegado do cargo.  As informações são de André de Souza, de O Globo.

O código de ética da PF é de 2015 e veda algumas condutas dos integrantes da instituição. Um policial federal, por exemplo, é proibido de “utilizar-se de informações privilegiadas, de que tenha conhecimento em decorrência do cargo, função ou emprego que exerça, para influenciar decisões que possam vir a favorecer interesses próprios ou de terceiros”.

Um policial também não pode “comentar com terceiros assuntos internos que envolvam informações sigilosas ou que possam vir a antecipar decisão ou ação do Departamento de Polícia Federal ou, ainda, comportamento do mercado”. É proibido ainda de “expor, publicamente, opinião sobre a honorabilidade e o desempenho funcional de outro agente público” e de “conceder entrevista à imprensa, em desacordo com os normativos internos”.

Durante a entrevista à agência de notícias, Segovia disse que até o momento não há indício de crime e afirmou que o delegado Cleyber Malta Lopes, à frente do inquérito, poderia até ser punido pela forma como fez 50 perguntas ao presidente, caso a defesa de Temer formalize uma reclamação.