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08 de Fevereiro de 2012, 19h45

Aprender e Ensinar é lançado em Canoas

A primeira edição do concurso, 2008/2009, recebeu 2.640 inscrições, de professores de 980 cidades brasileiras. Todos aplicavam métodos e técnicas simples que podem contribuir para a transformação social.

Nesta quarta-feira, 27, a revista Fórum e a Fundação Banco do Brasil lançaram o 2° Concurso Aprender e Ensinar Tecnologias Sociais, no Fórum Social Mundial 2010, na cidade de Canoas (RS). O objetivo do Concurso é reconhecer e apoiar práticas de tecnologias sociais na educação. Cinco professores de ensino fundamental da rede pública, um de cada região do Brasil, serão premiados pelas iniciativas com uma viagem para o Fórum Social Mundial 2011, que será realizado no Senegal, na África.

Para Jaqcques Pena, presidente da Fundação Banco do Brasil, o concurso é uma oportunidade de dar visibilidade a ações de tecnologia social a partir da escola. “Precisamos reconhecer e apoiar essas experiências. É um trabalho sobretudo de mobilização dos educadores que reconhecem a tecnologia social como um instrumento de transformação e inclusão social”, afirmou.

A primeira edição do concurso, 2008/2009, recebeu 2.640 inscrições, de professores de 980 cidades brasileiras. Todos aplicavam métodos e técnicas simples que podem contribuir para a transformação social. É o caso da professora Edinalva Pinheiro dos Santos, de Arapiraca (AL), premiada pela região Nordeste. Ela teve a ideia de construir uma horta comunitária na escola, o projeto cresceu e se transformou na Farmácia Viva. Mobilizando, alunos, pais, funcionários e professores, a Farmácia Viva começou a produzir a partir de ervas fitoterápicas xarope para gripe, disenteria, sabonete para piolho, entre outros produtos. “O Concurso abriu caminhos para o projeto, estamos comercializando e disseminando para outras 31 escolas rurais e urbanas da região e pretendemos construir um laboratório em Arapiraca para levar o uso ao SUS”, contou Edinalva.

Além de ser uma solução, o uso de tecnologia social é um instrumento pedagógico. “Utilizamos todas as disciplinas: matemática para construir a horta, ciências para as plantas, fizemos um abecedário das plantas medicinais, livro de receitas. A iniciativa trouxe entusiasmo para a escola”, explicou.

Outro professor presente no lançamento foi Edner Abeline, vencedor da região Sul. Ele constroi com seus alunos do oitavo ano um fogão com material reciclado a base de energia solar nas aulas de Ciências. “Conseguimos uma prática que se encaixa perfeitamente na teoria e trabalhamos conceitos de energia e meio ambiente. É possível cozinhar tudo, o que se necessita é de mais tempo”. Segundo Edner, com o fogão é possível esterelizar água e até cozinhar feijão, que leva “três horas sem panela de pressão”.

O conceito de tecnologia social surgiu nas décadas de 1970 e 1980. Segundo Renato Rovai, editor da revista Fórum, por isso muitos professores que fazem uso de tecnologias sociais às vezes não sabem. “Na primeira edição do concurso pretendíamos que professores descobrissem tecnologia social e reconhecessem que a usavam no dia a dia como instrumento para a educação, agora queremos incluir mais pessoas nesse debate”, disse.

O Secretário de Educação de Canoas, Paulo Ritter, que participou do lançamento, destacou que o Concurso é uma importante iniciativa: “Essa experiência é um reconhecimento daquilo que a sociedade capitalista exclui do saber formal”.


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