Raphael Silva Fagundes

20 de fevereiro de 2019, 23h53

Aqui não tem santo: os interesses da imprensa que ataca Bolsonaro

Raphael Silva Fagundes: “Temer, Bolsonaro, Mourão, são todos marionetes para impor um projeto de poder covarde. Fazem o povo amar e odiar pessoas quando na verdade o vilão é uma estrutura de poder”

Foto: José Cruz/Agência Brasil

“Eu conheço o sistema meu irmão, aqui não tem santo.”
Racionais Mc’s

O que pode acontecer quando o governo perder a sua capacidade de convencimento? A mídia vem chamando Bolsonaro de “despreparado”, mas em relação a quê? Talvez por causa das polêmicas que podem vir a enfraquecer a Reforma da Previdência, as propostas de privatizações e o projeto “repressão” de Moro, medidas que satisfazem o grande capital.

O que é “estar preparado para governar”? Certamente para a imprensa bancada pelos grandes capitalistas é ser o mais transparente possível para que seus interesses passem no Congresso.

Existe um enorme medo das grandes corporações de que o governo perca o seu poder de convencimento e, por conta disso, não conseguir colocar para frente o projeto “Ponte para o futuro” iniciado em 2016. Bolsonaro parece frágil, a cada escândalo que aparece, e, principalmente, pelo fato de seus filhos influenciarem suas decisões. A mídia focaliza principalmente esse aspecto.

Mas se o famigerado “mito” perder a capacidade de seduzir as multidões, as mesmas que o levaram ao cargo de presidente, Mourão irá assumir. Ele estaria preparado? Com as declarações que vem dando, com certeza, as grandes corporações entendem que sim. Ele aparenta ser uma figura ao mesmo tempo rígida e liberal (que vem construindo uma imagem populista), útil para conduzir as reformas no Congresso.

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A retórica, a arte pela qual se adquire o poder de convencimento, surgiu quando o mundo grego decidiu pôr fim à vingança pessoal. Nasce o júri, e as duas partes envolvidas precisam convencê-lo a julgar pela questão.

Ela se tornou uma alternativa à violência, e quando se prefere usar esta última é porque o convencimento não foi mais possível. Na Grécia antiga, a política se resumia à retórica. Quando Roma se tornou um império autoritário, a retórica se contraiu e Cícero, o maior orador de Roma na época, exilou-se.

De duas uma, ou se buscará outras formas para se manter o convencimento (Mourão já aparece nas graças da mídia) ou se implantará a violência. As duas questões são caminhos para se implantar o pacote da desgraça inaugurado por Michel Temer.

As medidas dependem de quem as implementa. A boa imagem do governo influencia na decisão. O povo tinha raiva de Temer, este foi substituído por Bolsonaro e, quando este se enfraquecer, entrará outro para dar pé à ganância do mercado, às reformas que priorizam os interesses do capital.

As propostas de Moro deixaram de lado o caixa dois, pois se sabe que muitos membros do PSL realizam tal prática, inclusive o próprio presidente, como vimos no escândalo durante a campanha. Por outro lado, enrijece a repressão ao cidadão, dando mais poder ao policial. E, sem dúvida, esse poder será usado nas greves e protestos.

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O acordo assinado entre o povo e Bolsonaro vem se corroendo. O povo irá aceitar perder os direitos enquanto o outro lado não cumpra com o prometido? O prometido foi o combate à corrupção, mas o que mais se vê são corruptos. O fato de Bebianno ter saído do governo não quer dizer que o crime não aconteceu, e que o PSL, partido do presidente, está purificado. Todos se beneficiaram com os candidatos laranjas.

Parte do povo defende as babozices que Bolsonaro diz porque ele é populista, a partir do momento em que ele parar de falar o povo também parará. É aí que a figura de Mourão entra em cena. Ele representaria tanto o convencimento quanto a violência.

A mídia quer nos convencer de que o problema é Bolsonaro e não o modelo político e econômico que se quer implantar. A boa e velha personificação da política. Temos que pensar no sistema e não nos fantoches. Temer, Bolsonaro, Mourão, são todos marionetes para impor um projeto de poder covarde. Fazem o povo amar e odiar pessoas quando na verdade o vilão é uma estrutura de poder que se quer impor e está encontrando dificuldades para isso porque ela é em si nefasta e, como já comprovado, corrupta.

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Querem nos fazer de burros. Colocam uma negra como apresentadora para proferir o discurso dos brancos. Isso é covardia. Como os pastores que visitam a casa do fiel enfermo e dá a ele assistência aproveitando-se da ausência do Estado para controlá-lo.

“Despreparado”, “incapaz”, “sem coragem”, foram as palavras usadas pelo Estadão para classificar Bolsonaro, mas o jornal está interessado em acelerar as reformas que podem vir a sofrer um certo atraso devido às polêmicas que envolvem a dinastia Bolsonaro. São covardes que querem nos induzir a ficar do lado deles, a concordar com eles, sendo que defendem medidas que querem nos empobrecer. Temos que refletir sempre sobre as críticas que a imprensa faz sobre Bolsonaro. Ninguém é santo.

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