25 de junho de 2018, 07h26

Argentina: greve geral atinge vários setores e envolve sociedade civil

O presidente argentino Mauricio Macri enfrenta mais um dia de pressão popular contra a política econômica adotada pelo governo. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) anunciou que vai parar o país nesta segunda-feira (25). É a terceira greve geral em dois anos e meio da gestão do presidente Mauricio Macri.

Desde à meia-noite, os serviços de transporte público não funcionam. De acordo com o jornal ‘El Clarín’, não há trens, ônibus e metrô circulando nas províncias da Argentina.

A greve afeta os voos entre o Brasil e o país vizinho. As empresas aéreas Latam e Aerolíneas Argentinas anunciaram o cancelamento de voos com origem e destino aos aeroportos argentinos devido à greve.

A Aerolíneas Argentinas não opera, nesta segunda-feira, as viagens de Buenos Aires para São Paulo, Rio, Porto Alegre e Curitiba. Na Latam, estão cancelados voos de São Paulo, Rio, Brasília e Recife para Buenos Aires e da capital paulista para Rosario, Córdoba e Tucumán.

A paralisação atinge ainda os postos de gasolina e os bancos.

Às vésperas das paritárias, as negociações entre sindicatos e empresários, as centrais sindicais tomam a paralisação como demonstração de força. Paralelamente, a paralisação ocorre cinco dias após o primeiro desembolso dos US$ 50 bilhões que o Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou à disposição do governo argentino.

A medida vale pelos próximos 36 meses e tem o objetivo de ajudar o país a superar a crise cambial e colocar as contas em ordem. Em troca do empréstimo, o governo se comprometeu a reduzir os gastos públicos e a inflação, que este ano deve chegar a quase 30%.

Centrais sindicais prometem uma paralisação de 24 horas, que ganhou o nome de reação ao “brutal ajuste econômico” imposto pelo FMI. Para alguns setores da economia, o momento atual é comparado à crise de 2001, apontada como a pior da história recente da Argentina.

Reivindicações

Os diferentes sindicatos têm pauta comum: reajuste de salários para combater a elevação do custo de vida, que em 2017 chegou a 25%. Também reivindicam garantias para evitar demissões.

Por sua vez, o governo anunciou que vai reduzir o tamanho do Estado e o programa de obras públicas – que esperava usar para reativar a economia e gerar empregos. O ministro da Fazenda, Nicolas Dujovne, disse que o crescimento econômico será menor e a inflação será maior do que o esperado. Segundo ele, o acordo com o FMI impediu o agravamento da crise.

Desde dezembro, o peso argentino perdeu metade de seu valor. Segundo o presidente do Banco Central argentino, Luis Caputo, a desvalorização terá um custo no curto prazo. “Foi o melhor que pode ter acontecido”, resumiu Caputo, informando que a medida obrigou a Argentina a buscar o apoio do FMI e estabilizar a economia.

Pressão

O ministro do Trabalho, Jorge Triaca, afirmou que a greve geral “não serve para coisa alguma, porque não vai resolver os problemas dos argentinos”. Segundo ele, o objetivo da gestão Macri é manter o diálogo com as centrais sindicais. O sindicato dos caminhoneiros ameaçou parar o país e voltou atrás, após conseguir aumento de 25%. Mas outras categorias não obtiveram o mesmo.

A Igreja Católica também divulgou um documento, apelando ao governo para não adotar políticas de ajuste que aumentem a desigualdade. Em nome do papa Francisco, que é argentino, religiosos apelaram para que o interesse social se sobreponha ao econômico.

O governo e o próprio FMI têm ressaltado que o atual programa vai garantir a manutenção dos programas sociais, para proteger os “mais vulneráveis”

Com informações da Agência Brasil