Notas Internacionais

por Ana Prestes

14 de fevereiro de 2019, 12h02

Argentinos vão às ruas para protestar contra políticas de ajuste de Macri

Em sua coluna para a Fórum, Ana Prestes destaca que o país vive uma grave recessão econômica, com inflação e cortes nos subsídios aos serviços públicos

– Há dois dias uma notícia corre em Brasília e causa estranheza. Um militar brasileiro pode vir a assumir um cargo no Comando Sul dos EUA. O cargo é de subcomandante de interoperabilidade do Exército Sul dos EUA. A notícia já circulava desde o dia 7 de fevereiro, mas veio a público com a visita ao Brasil nos últimos dias do almirante Craig Faller, chefe do Comando Sul, e que partiu ontem após ter se reunido com militares, comandante do Exército e o ministro Araújo. Anteriormente, o cargo era ocupado por um brigadeiro chileno, Edmundo Villarroel. Já na sua despedida do cargo, em 22 de janeiro, Villarroel havia anunciado que seu sucessor seria um oficial brasileiro. O Comando Sul tem como tarefa implementar a política de segurança dos EUA na América Central, do Sul e no Caribe. Sob sua “área de responsabilidade” estão 31 países e 15 áreas de soberania especial.

– Celso Amorim, ex-chanceler e ex-ministro da Defesa dos governos Lula e Dilma, disse sobre o Brasil assumir um cargo no Comando Sul dos EUA: “Caso se concretize, considero essa designação totalmente imprópria e incompatível com a Política Nacional de Defesa, a Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco da Defesa Nacional, documentos que foram aprovados pelo Congresso Nacional”. Mais à frente em sua entrevista ao Sul 21, ele argumenta que a presença de um militar brasileiro nas operações do Exército Sul americano servirá “para legitimar uma eventual intervenção militar dos EUA na América Latina e Caribe e conferir a uma unidade daquele país um papel similar ao da OTAN, sem que nenhum tratado tenha sido firmado com tal objetivo”.

– Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas ontem em Buenos Aires e outras 50 cidades argentinas. Até agora um dos maiores protestos contra as políticas de ajuste de Mauricio Macri. Movimentos sociais e sindicais organizaram as paralisações e mobilizações. O país vive uma grave recessão econômica, com inflação e cortes nos subsídios aos serviços públicos. A Argentina terá eleições presidenciais em outubro de 2019.

– No Haiti, escolas e bancos seguem fechados, assim como postos de combustíveis e o comércio. A capital, Porto Príncipe, está parada. Já são sete dias de protestos gigantescos e caos nas ruas do país. A palavra de ordem entre os manifestantes é “Moise (presidente) deve cair”. Ontem (13), a organização ALBA Movimentos Haiti denunciou a morte de um militante em frente ao parlamento por disparos da Polícia Nacional, outro militante está ferido e hospitalizado. Não há consenso sobre o número de mortos desde o dia 7 de fevereiro, se fala de dez a 50. A recente tensão política no Haiti vem aumentando desde julho de 2018, quando houve alta dos combustíveis e revelações sobre desvio de fundos com o PetroCaribe. O Haiti é o mais pobre país das Américas, com 80% da população na pobreza, tendo passado pelas tragédias do terremoto de 2010 e o furacão Matthew em 2016.

– O Equador também foi palco de protestos contra o presidente Lenin Moreno ontem (13). Várias províncias e a capital Quito presenciaram manifestações contra as privatizações anunciadas, da companhia telefônica nacional, por exemplo, e o pacote de austeridade do governo. Participaram vários setores como professores, pequenos agricultores, servidores públicos e associações civis.

– Eugenio Martínez Enríquez, diretor-geral de América Latina e Caribe do Ministério de Relações Exteriores de Cuba reagiu ontem à iniciativa da OEA de discutir a legitimidade ou não da nova constituição cubana, que deverá ir a referendo popular no próximo dia 24 de fevereiro. Ao rememorar o histórico da OEA de apoio ao isolamento de Cuba e as políticas estadunidenses de intervenção militar na região, Martínez disse que a constituição cubana deve ser discutida e aprovada tão somente pelos cubanos.

– Pedro Sanchez, primeiro ministro espanhol, não conseguiu aprovar sua proposta de orçamento para o Estado ontem (13) no parlamento espanhol. Sua derrota se deve ao recuo dos independentistas que deixaram de apoiá-lo no momento em que a causa pela autonomia da Catalunha volta com força para a agenda do país. Na sexta-feira, Sanchez deve convocar novas eleições, que possivelmente serão em abril.

– Jornal Le Monde repercutiu notícia de que o pai do chanceler Ernesto Araújo, Henrique Araújo, contribuiu para impedir a extradição do Brasil de Gustav Franz Wagner, criminoso nazista, nos anos 70. Araújo pai era procurador-geral e negou pedidos de três países que pediam a extradição de Wagner para ser julgado por seus crimes nazistas. A matéria leva o nome de “O fantasma do nazismo assombra o Brasil de Bolsonaro”.

– Sobre as notícias veiculadas ontem pela imprensa americana, de que diplomatas chineses estariam em tratativas com representantes de Juan Guaidó, auto-intitulado presidente encarregado da Venezuela, nessa mesma nota fizemos uma ressalva de que parecia manipulação da imprensa. Em resposta, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunyng, se pronunciou dizendo que são “fake news”.

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