09 de fevereiro de 2012, 14h41

As palavras cortantes do Mano

Primeiro entrevistado da Fórum, o líder do Racionais MC’s era uma das vozes que começava a mostrar a força e a criatividade da periferia brasileira: “Ajo como um preto deveria agir. Digo ‘não” pras coisas que todo mundo acha que eu devia dizer sim”.

Por Renato Rovai

 

Mano Brown e um dos maiores erros de edição da Fórum

A primeira vez a gente nunca esquece. Como se diz no Twitter: #fato. A escolha de Mano Brown para ser o primeiro entrevistado da Fórum não se deu por acaso nem com facilidade. Muito pelo contrário. Brown não é de muito falar. Naquela época, menos ainda do que hoje.
Foi uma batalha seduzi-lo para ser o entrevistado da primeira edição. E a colaboração do jornalista Ademir Assunção para que isso acontecesse foi fundamental.
A escolha de Brown foi simbólica.
Nosso objetivo, desde o primeiro momento, era trabalhar com o “Lado B” da informação. Com os temas da periferia do mundo, da cultura, das cidades… Com os debates que não se tornavam notícia no universo midiático tradicional. E que só eram e são explorados pelos seus estereótipos.
A nosso ver, Brown simbolizava um pouco disso que imaginávamos. E uma conversa com ele permitiria extrair frases fortes e contundentes.
Tudo aconteceu como prevíamos.
A entrevista realizada lá no Jardim Ângela foi interessante e reveladora.
Mas na hora de fechar a capa, escolhemos a matéria sobre a Amazônia.
Que nos pareceu um tema mais global.
Nos primeiros dias que a revista chegou às bancas, percebemos a bobagem que tínhamos feito. As pessoas ligavam para a editora querendo comprar a revista que tinha a entrevista do Mano Brown. E a gente mordia os lábios de raiva.

(Renato Rovai)

Ele tem pelo menos 12 anos de rap. E 31 de periferia. Pedro Paulo Soares Pereira é um sobrevivente do inferno. Preto, pobre e mesmo sem ser craque de bola ou pagodeiro, Mano Brown ficou notório – como ele mesmo diz. A força das suas palavras e de seu protesto dão o tom do trabalho do Racionais MC´s, grupo que não aparece no Gugu, Xuxa, Faustão e quetais e mesmo assim vende centenas de milhares de CDs. Aliás, mais de 1 milhão deles.

Brown é hoje um dos poucos berros ouvidos na periferia brasileira. Durão no jeito e no portar-se, não faz discurso bonitinho. E não se acha o bambambam por ter espaço para expor seus pensamentos. Ao contrário, com clareza, diz que a imprensa fala dos Racionais por achar o grupo excêntrico: um bando de pobres e pretos que falam umas coisas diferentes. Sem dó rasga o verbo, dá porrada e chuta na canela quando é necessário.

Nesta entrevista exclusiva para a Fórum, Browm revela sua profissão de fé evangélica e ao mesmo tempo diz que pegaria em armas para fazer a revolução. De resto, em meio a um ou outro palavrão traduz a agonia da maioria. Boa nitroglicerina pura, caro leitor.

Violência, paz e consumo
Qual das violências? A do revólver? Há vários lados a analisar. Um é o do desemprego. A tendência é só piorar, ainda mais com tanta competição. Tem muita arma na rua. Falta comida, mas não falta arma. É o circo do cão. Hoje tem um monte de coisas “bala” pra comprar, mas falta dinheiro. Isso desperta mais cobiça ainda. Por outro lado tem o dinheiro. Todo mundo quer ter. E aí o ladrão tem mais respeito que o trabalhador. Até pra sociedade. Por isso a molecada, filho daquele pai que já sofreu pra caralho, que não tem nada, que mora no barraco, não quer viver igual ao pai… não quer morrer no anonimato. Ele quer ser alguém. Quer ser notório. Quer ser notado. Quer seu espaço. Ele não é ninguém pro governo, não é ninguém pro patrão dele, não é ninguém pra mulher dele, não é ninguém pros vizinhos dele, não é ninguém. Mais um. Aliás, mais um não, ninguém. E aí quem faz o crime é notório, é alguém. O mundo é violento. O sistema é violento. Hoje o que manda é o ter. Quem não tem não é. É isso que o mundo é. Quem tem é, quem não tem não é.
Se você pode consumir você é. Se não, você não é. As pessoas vêem muita televisão, o que é vendido na televisão. Você quer ser o cara da TV. Compre o Startac, se você não tem é vacilão. Falam isso pra você. Compra a calça tal, se você não tem é prego. Ninguém quer ser prego nem vacilão. Tem que estar a pampa no dia-a-dia, senão as minas te vêem como um prego. Você tem que ter e vai ter como? Esse discurso de paz é furado. Toda tentativa pela paz vale. Eu não quero dar a impressão de que sou pessimista. A última coisa que você quer é um cara pessimista do seu lado. Mas é uma coisa pra pensar.

O povo brasileiro
O brasileiro é pacífico. Ele tem que se organizar. Não vejo chance de uma revolta do pobre. O pobre é muito alienado. Fraco na raiz, não só na condição do dinheiro, mas de interesses. Não vê o porquê, não confia. O brasileiro não confia muito no Brasil, não confia na melhora, não confia no vizinho. Não há sentimento de união. Não tem esse povo brasileiro que o pessoal fala. Tem um monte de gente. O Brasil não tem um povo. O que é o brasileiro? Todos os movimentos são de classe média, dos que estudaram, que aprenderam a diferenciar as coisas. O pobre não consegue chegar no estudo. Quando estuda quer sair, porque não agüenta.

O MST
Revolucionário. Uma arma. Tinha que ter gente pra segurar arma. Mas o movimento pode quebrar também. Ainda tem gente na periferia que enxerga os caras como vilão. Periferia é alienada demais.

Alienação e bandidagem
E é o que eles estão conseguindo. O crime é alienado. Os criminosos na periferia não são políticos, não têm ideologia. São alienados. É ouro, puta, motel, roupa de marca, carro de playboy. Não tem ideologia, tem merda. Eu vivo na periferia, eu vejo o que é. Eu vejo os moleques começando. Tem movimentos isolados, aqui e ali, tá pintando, mas é difícil.

Dignidade
É ganhar respeito e ter seu espaço. Eu sou um homem, não sou uma peça, um móvel. Mas eu vejo que aqui as pessoas são tratadas como móvel velho. Tem muita gente na boca pra tentar seu espaço. É essa a impressão que dá. Se morrer não tem luto de uma semana. Morreu, já era. Tamo aí. É frieza.

Drogas
Elas não desestruturam só a periferia. O que existe em toda periferia é tráfico. Droga é problema geral. Se bobear, até o presidente dá uns pegas. Mas rico se passar mal vai pra clínica. Na periferia não, a guerra do tráfico da droga mata. Sem a droga a periferia já é desestruturada. Isso é só um baratinho a mais pra ajudar.

Ser humano
Cada ser humano é um país como o nosso… capitalista. Ninguém quer ser igual. Ninguém quer ser igual a ninguém. Na periferia também.

A polícia
A polícia não reprime, representa, faz teatro. A polícia não repreende nada. É mais um trabalhador que está enganando o patrão, que nesse caso é o povo. Eu vou lá, dar um rolê pra aqueles lados, se eu catar um otário-vacilão eu mando. Se a bocada tiver dinheiro e der pra eu catar um cara, eu cato; se não tiver nada também se dane, não é meu filho. É desse jeito. Esse espírito do vamos combater o crime para o bem da população não existe. Não tem nada disso. Ele nada mais é que um criminoso com farda. Os que nós vemos aqui, todos são iguais. Agora o que dá nojo é que ele é um cara que muitas vezes sabe das coisas. Mas lá na polícia, dentro da corporação, não sobra ninguém. Uma vez eu estava numa delegacia e vi um policial chegando pra falar com o comandante dele. Aí o comandante berrou: “volta pra trás, cadê seu chapéu”? O cara parou e o comandante mandou: “Eu te chamei pra você entrar aqui? Volta pra trás, pra lá, mais pra lá”. O cara fez o que ele mandou e voltou. Não deu outra, o comandante: “De novo, volta, pede licença e agora você vem”. Mandou ele voltar três ou quatro vezes. Agora solta aquele cara na rua e você é o primeiro otário a trombar com ele numa favela. Na hora ele pensa: “Vou tirar a neurose é nesse aqui”.

PT
Eu tô ouvindo falar que o Lula vai virar um cara mais liberal. Não pode liberar nada. Ou ele representa o sofredor ou não é ninguém. Tem que ser radical. O Lula tem de ser homem de aço. Tem que ser de aço, não pode envergar. É aí que se trata de política.

Movimento Zapatista e armas
Sou mal informado sobre isso. Todo movimento que é pra defender os que sofrem sou a favor. Que seja da partilha, pra defender os oprimidos. Tô dentro. Não sou contra pegar em armas. A periferia já tá armada. Só que na periferia é tudo alienado. Eles só conseguem enxergar o inimigo aqui no meio deles. Mas o inimigo não está perto de nós. Quem está perto de nós somos nós mesmos. Eles estão muito longe.

Racionais
Uma minoria tá ligada no que a gente fala. Uns 20%, e já é uma grande coisa. A maioria tá na onda. Curte Racionais, axé, forró. Mesmo porque, se na periferia todo mundo fosse do jeito que a gente pensa, todo mundo tocava rap. E não é assim. Eu tenho noção de que é muito pouco, mas só que é desse jeito mesmo. Eu nunca imaginei que fosse molinho, macio, não é fácil mesmo. Tá na guerra é pra morrer ou matar. Você até volta pra casa vitorioso, mas às vezes sem um braço. Agora, a mídia e muitas pessoas vêem a gente como atração de circo, a mulher barbada, o homem que engole espada. Os “maluco” é preto, do Capão (Redondo) e até que nem é tão burro. Tá todo mundo acostumado a ver Chico Buarque, Jorge Ben, Gilberto Gil, os caras intelectuais cantando. Aí, de uma hora pra outra, aparecem uns malucos de periferia cantando rap, falando uns barato. Os caras não tão acostumados a ver sair pessoas da periferia com essas idéias. É mais como se fosse um barato excêntrico. Eu acho que o Racionais é excêntrico. Tem vários excêntricos que já pintaram.

O negro no Brasil
O movimento negro nos últimos vinte anos é o rap. No Brasil, depois do Zumbi vem o rap. O rap fez o movimento negro, trabalhou sobre o povo negro. O moleque lá na casa do caralho, preto, que tinha vergonha de ser preto, hoje usa a camisa 100% negro. O rap levantou o orgulho dele. O Malcom X me fez entender coisas que estavam do meu lado e eu não entendia. O preto foi tirado dum continente com uma cultura totalmente diferente e jogado num sistema europeu. O Brasil vem de um sistema europeu. Tudo feito no espelho da cultura do europeu. Só que nós não somos europeus, temos um outro estilo de vida, outro tudo. Talvez nunca a gente se adapte à cultura europeia. Enquanto tiver preto vai ter gueto, vai ter gangue, vai ter um líder, alguém reclamando, uma música muito louca, um cara que joga pra caralho. Enquanto tiver preto e branco, não vai ser unido. Dá pra conviver, em prol duma fita, mas não é igual nunca.

A educação branca
O ensinado no Brasil é pro branco, não pro preto. Cada um gosta de coisas diferentes. Eu fui descobrir que preto tem uma glândula debaixo do braço que faz suar mais e ter um cheiro forte há pouco tempo. Por que ninguém nunca falou disso? Quantas pessoas não sofrem por causa disso? Por que não foi explicado? Da mesma forma que branco pega câncer de pele muito mais que preto. Por que não falam isso? Nunca falaram isso. A cultura europeia vê o negro como coadjuvante, só na sombra. A maioria dos pretos que entram nas escolas de branco e vira doutor fica chato pra caramba. Ele não é o preto verdadeiro. E também não é branco. É igual um branco querer ser igual a nós. É chato pra caralho. Ele tá sendo um barato que ele não é. Não tá no sangue. Ele vira um ser qualquer. Cada um é o que é. O branco veio da Europa, o japonês veio da Ásia, o hindu é hindu, não adianta querer que ele seja igual a nós, lutar capoeira, o cara não é. O sonho dos países de maioria branca é fazer os pretos serem eles. Igual esse cara que morreu agora, esse doutor da USP, o Milton Santos. Ele era cabuloso, preto mesmo, porque ele não tentou ser branco. Ele sabia que a vida é assim, foi pra França e nem por isso deixou de ser preto. Agora a maioria fica igual ao branco. E fica um bagulho estranho.

Sonho
Quero viver, quero ser homem, continuar sendo homem e morrer como homem. Tenho vários sonhos, mas não sou muito louco pra estar com vários sonhos. Quero viver a vida e vamos ver. Queria ver uns camaradas bem. Os camaradas com filho, com trampo, a mãe deles com saúde, eles felizes. É um barato individual meu: os meus camaradas.
Sonho coletivo: eu quero a justiça, só que pra você pensar em todo mundo tem que pensar em você primeiro, ver como tá ao seu redor, quem tá do seu lado. Como seus camaradas vivem. Aí você vai vendo, a 10 metros, a 1 quilômetro, na outra cidade. Não adianta querer todo mundo bem e os camaradas do seu lado estarem mal. Eu tento analisar o que tá perto de mim, porque eu sempre tentei ver muito o público. Desde que eu comecei a cantar as pessoas falam que o Racionais é um grupo que defende os pobres. Não, a gente fala de nós. São coisas que acontecem com a gente, com gente nossa e acabam influenciando e tendo a ver com a vida de muitas pessoas. Todo mundo acha que eu tenho que falar em prol de um grande número de pessoas, só que eu falo do que tá do meu lado. Os problemas dos camaradas. Eu quero que todo mundo da quebrada, da região, viva bem. Só que cada um tem um sonho diferente do outro. Não adianta querer que todo mundo estude. Vai ter cara que não é de escola. Tem cara que estuda pra caralho e não é feliz. Tem mil fitas.

Estados Unidos e Cuba?
Eu acho que Cuba é que nem o Mano Brown. Só sobrou ele. Sou boi de corte. Falam que eu falo muito, que eu tiro todo mundo, que eu vou arrumar uma pá de inimigo. De repente você vê: opa, tô sozinho. Cuba é mais ou menos assim. E tem o Fidel… Quem garante que o próximo vai ser que nem ele? Ou que de repente vai ir logo abrindo as pernas pros americanos, já mete uma pá de McDonald´s e acaba tudo. Vira história. Enquanto ele tá vivo, ele é o cara. E Cuba é Cuba. Agora, quanto aos Estados Unidos, se o mundo for acabar, vai começar por lá… Agora, uma pá de bagulho que vem de lá é da hora. Tudo que é chique é americano. Não dá pra negar. A pior burrice é criticar o que é da hora e fingir que não é. O Brasil também é um país da hora, só não sabe, não descobriu. A culpa é do nosso governo, que é igual puta que perde status. Não bate bem. O que falta ao Brasil é um governante à altura pra defender o interesse do país. O governo americano defende o interesse dele. Independente de quem é presidente, eles querem ganhar.

Novas tecnologias
Eu tô atrasado nisso, não sei mexer no computador. Nunca mexi num computador na minha vida. Não sei nada, e também não me interessa. Eu não tenho celular, não sei mexer no computador. Sou um cara rústico. Nasci rústico e vou morrer rústico. Não consigo viver que nem o Caetano Veloso, fazendo uns trabalhos no computador. Não sei. Tem umas tábuas velhas onde eu escrevo até hoje. No caderno erro, rasgo, apago. E vou usar até morrer, não vou mudar. Isso só estragou o mundo. Não curto, se precisasse tanto eu usava e eu não uso.
Eu sou um cara meio romântico, eu gosto das coisas meio antigas mesmo. Música antiga, gosto de camaradagem, de carro velho cheio de gente dentro tomando cerveja, ouvindo um som louco. Hoje em dia, isso perdeu o valor, os carros tão cada vez menores, cada vez mais individuais. Uma forma de reagir a essa opressão econômica não é não se adaptar a essas coisas? Não gastar uma puta grana num relógio? Não sei se eu tô me negando, ou se eu não consegui me adaptar. Às vezes, eu penso que tô me negando, mas outras vezes eu acho que eu não consegui me adaptar. Mas eu tô feliz.

Fidelidade e traição
Ser verdadeiro é felicidade. Ter meus amigos do meu lado. Saber que meus amigos gostam de mim. O que mata a alma é a traição. Às vezes, você pega uma pessoa e quer que ela seja igual a você e ela até fica, mas uma hora ela se mostra. Você passar como otário é a pior coisa. Confiar demais, gostar mesmo da pessoa e descobrir que ela nunca gostou de você. Isso é um barato que ninguém escapa.

Esperança
Sou um cara cheio de esperança. Pode não parecer. Eu podia ser um cara até mais feliz se não soubesse de muita coisa. Ia ser um cara meio chatão, meio burrão, mas era mais feliz. Saber te faz sofrer um pouco com as coisas do mundo. Você quer mudar, mas vai se sentindo cada vez mais só. Quando você vê um cara do seu lado e fraqueja, “porra, mais um”. Cada um que vem saem três. Mas eu tenho esperança. Não dá pra viver diante disso sem esperança.

Choro e mãe
Faz tempo que não choro. Já chorei. Mas faz tempo. Rolou da última vez numa situação estranha. Pensamento louco, nada a ver. Mas eu não faço papel, eu sou durão. Tem que ser durão. Minha mãe é durona. Mais durona que todo mundo que tá aqui. Ela veio da Bahia com 12 anos porque tretou com pai dela e nunca mais voltou. Ela não sabe ler, não sabe escrever. E ela sabe que eu sou duro. Eu tô sempre emburrado. A gente fala que eu sou emburrado por causa dela. Ela é dura, não é amarga, faz os bagulhos sem dó. Eu sou assim também. Eu sou um cara duro, mas não sou mau. Sem amarelar. Não sou mole.

Ser ruim
Ser ruim é o cara que não perdoa. O cara que troca uma amizade pra conseguir alguma coisa, por dinheiro.

Classes e conflitos sociais
Eu não li muitos livros. Tem muito discurso pronto. Todo mundo fala a mesma coisa da opressão. O pobre é coitadinho e o rico é filho da puta. Na verdade, quem tá por baixo sempre é coitado. Só que tá do jeito que o diabo gosta. O sistema funciona de uma maneira que pobre não tem a mínima condição de ter justiça sem ter derramamento de sangue. Só Deus, mas aí vou ter que ir pro lado da religião… Todos os países que têm uma condição razoável de vida tiveram derramamento de sangue.

Religião
Eu frequento uma igreja evangélica pentecostal aqui da quebrada. Eu já simpatizei com o candomblé. Agora, quando minha família ia ao candomblé não tinha nem pra comer. O candomblé mexe com coisa que não é da alçada do ser humano. Eu acho que existe uma força maior. Acredito em Deus, que Jesus existiu mesmo, que ele fez o que falam. Não que eu vá seguir pessoas. Se eu tentar me espelhar num crente, vou me danar. Tem que ir pela palavra, não num ser humano que é igual a mim. Todo mundo quer analisar a religião pelas pessoas. Você pode encontrar pessoas boas e pessoas más numa igreja. Você não pode seguir o homem, mas a palavra. Se fosse pra seguir o homem não existiria Deus e essas coisas. Como pode existir a criatura? Precisa de criador. É outro assunto.

Fama

Você começa a se ver de outro jeito. Eu tô sempre procurando ser cada vez mais verdadeiro. Não me empolgar com elogio de ninguém, não ser nada além do que eu sou.

Pelé
Um barato que dá muito Ibope é falar do Pelé. Ele é um jogador de futebol. Ele soube ser preto do jeito dele. Ele fez a cara dos pretos do jeito dele. Por si só ele representa os pretos. Lógico que se ele falasse causaria impacto.

Não à mídia
Ajo como um preto deveria agir. Digo “não” pras coisas que todo mundo acha que eu devia dizer sim. Nós não precisamos disso aí.

Colaborou o jornalista Ademir Assunção