09 de agosto de 2018, 11h35

Associação de investidores alemães pede que empresas do país se afastem de Bolsonaro

Em nota, a Associação de Acionistas Críticos na Alemanha solicitou que as empresas alemãs no Brasil se posicionem contra a postura favorável da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em relação à candidatura de Bolsonaro

A Associação de Acionistas Críticos na Alemanha (Dachverband Kritische Aktionäre), entidade alemã que compra ações de empresas para cobrar delas respeito aos direitos humanos e ao meio ambiente está preocupada com o silêncio de filiais brasileiras sobre a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República. A DKA  possui pelo menos uma ação de cada empresa listada na bolsa de valores de Frankfurt e, segundo a lei alemã, tem direito a dez minutos de fala nas assembleias anuais dessas empresas – tempo que utiliza para pressioná-las e cobrar respostas.

Em nota, a DKA solicitou que as empresas alemãs no Brasil se posicionem contra a postura favorável da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em relação à candidatura de Bolsonaro. Segundo a DKA, Bolsonaro é um “fascista” devido a seus elogios a torturadores da ditadura militar e suas críticas a direitos humanos. O diretor da DKA, Christian Russau, afirmou à DW Brasil que o silêncio das empresas alemãs sobre Bolsonaro faz parecer “que os empresários só pensam em seus lucros”.

Russau mostra preocupação com o discurso de ódio que se espalha no Brasil. Ele se diz chocado com vídeos onde Bolsonaro critica as as cotas, o que ele chama de ideologia de gênero e o discurso politicamente correto. “Com democracia e ditadura não se brinca, não se pode fingir que não viu nada e deixar rolar”, acrescenta ele.

O diretor da DKA lembra a atuação da Volkswagen no anos 1970 no Brasil – quando a montadora acobertou violações do regime militar brasileiro. O ex-presidente da Volkswagen Carl Hahn chegou a dizer que não via problema na substituição da democracia brasileira por uma ditadura. Para Russau, as empresas alemãs são um fator importante na economia brasileira, especialmente quando no setor da indústria. Então, faz sentido a DKA exigir que as empresas germânicas aqui baseadas se posicionem frente à ameaça de um novo autoritarismo, de um pré-fascismo.

De acordo com ele, o chamado milagre econômico foi na base do arrocho salarial, quem pagou a conta foram os trabalhadores – as maiores empresas alemãs também lucraram com isso. “Hoje, nenhum acionista de uma empresa quer lucrar explicitamente na base da exploração de outros. Além disso, empresas têm uma responsabilidade moral e ética”.