10 de setembro de 2018, 16h40

Atentado a Bolsonaro foi um tombo para cima?

De uma reunião sigilosa de Bolsonaro com o Grupo Globo no início da semana à euforia dos 1.000 pontos do mercado financeiro ao saber da facada no candidato terminando com uma cobertura emotiva e apelativa no Jornal Nacional com vídeo exclusivo de Bolsonaro falando de Deus, da maldade humana e descrevendo o atacante como um “lobo solitário”, fecha-se o roteiro típico de um filme ou HQ: Bolsonaro foi promovido a “Mito Plano B” do consórcio jurídico-midiático – um final feliz com um tombo para cima?

Em postagem anterior, dois dias após a trágica morte do candidato presidencial Eduardo Campos em acidente aéreo em 2014, este humilde blogueiro observava que teorias conspiratórias não surgiam por acaso – por ser a realidade estranhamente sincrônica e repleta de anomalias (aquilo que foge à verossimilhança em um roteiro de ficção), acaba sempre sugerindo a suspeita de eventos milimetricamente maquinados para aproveitar o timing em determinados contextos.

Instantaneamente, o atentado sofrido pelo candidato à presidência de extrema-direita, Jair Bolsonaro, começou a apresentar sincronismos, anomalias e semelhanças com o contexto político da morte de Eduardo Campos. O que mais uma vez comprova que esse país não é para amadores…

(a) Do Contexto

Em primeiro lugar vamos ao contexto. O atentado aconteceu como fechamento de uma estranha semana de acontecimentos entrelaçados que, sincronismo dos sincronismos, é a Semana da Pátria.

Tudo começou com o simbólico incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro – simbólico com sua conexões com o Futurismo de Felippo Marinetti (Rio, cidade “futurista acidental” – afirmação de um artista que amava a cidade e falava em destruir museus para nos abrirmos ao “futuro” – clique aqui).

Semana também marcada pela crise política nas hostes da direita: para surpresa de todos, Ibope e Datafolha decidiram esconder os resultados das suas respectivas pesquisas eleitorais encomendadas pela Globo e Estadão num dia em que o mercado financeiro fechava em baixa e o dólar disparava. O que resultou numa espiral de versões sobre a irresistível ascensão de Lula e do aumento da transferência de votos para Haddad.

Acidente aéreo com Eduardo Campos: contextos políticos semelhantes

Depois do imbróglio, a Globo decidiu divulgar os resultados das intenções de voto na quarta, sem a presença de Lula e o impactos das transferência de votos para o vice-presidente petista.

Lembre-se o leitor que o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos ocorreu em um contexto no qual o desânimo da grande mídia era evidente com a baixa performance de Aécio Neves e o êxito da Copa do Mundo no Brasil. Além disso, as últimas bombas semióticas de “não-notícias” (a “fraude” na Petrobrás envolvendo um “media training” e o “escândalo da Wikipédia”) não surtiam o efeito desejado – clique aqui.

Nessa semana da Pátria, os resultados do Ibope divulgados no JN da Globo não foram nada animadores: enquanto a “esperança branca” Alckmin não decolava mesmo com todo o tempo disponível na TV, o Plano B, Bolsonaro, era figurado em cenários de derrota no segundo turno.

Do desânimo e incertezas, a morte de Eduardo Campos injetou ânimo imediato e euforia especulativa: “agora são duas campanhas… a que começa hoje apresenta um quadro totalmente imprevisível!”, comemorava a grande mídia. Isso alguns dias depois de seus intelectuais orgânicos (como o historiador Marco Antônio Villa) reclamarem do “voto inútil” e “desilusão com a política”.

Hoje repete-se o script: nada mais do que algumas horas depois do atentado contra Bolsonaro, a coluna Painel da Folha (notória por fazer especulações e criar balões de ensaio) disparava: “Atentado a Bolsonaro muda história da eleição; rivais esperam onda de comoção” (clique aqui).

Enquanto isso o sismógrafo do mundo financeiro acusava a euforia: mercado disparava em alta de 1.000 pontos e desacelerava o aumento do dólar antes do feriadão… Bolsonaro foi um tombo para cima?

(b) Das Sincronias

Dia quatro a revista Exame, do Grupo Abril, deu uma matéria descrevendo como banqueiros e investidores estão embarcando na canoa de Jair Bolsonaro como a opção mais viável contra a esquerda. Afinal, a piada do setor financeiro é: “Alckmin é o genro que todo pai gostaria de ter, com apenas um problema – as filhas não se apaixonam por ele”.

No dia cinco o Ministério Público ajuizou uma denúncia de improbidade administrativa contra o ex-governador Geraldo Alckmin – teria aceito 7,8 milhões da Odebrecht para financiar sua campanha de reeleição em 2014. Alguém pode imaginar uma ação contra um tucano em plena eleição presidencial?

Reunião sigilosa entre Bolsonaro com “aqueles-que-não-têm-nome-próprio”

No início da semana, Bolsonaro teve um encontro sigiloso de uma hora e meia com o vice-presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho. Isso logo depois de Bolsonaro “elogiar” a Globo e Roberto Marinho por terem dado apoio à “revolução” de 1964 em debates na TV. Encontro que certamente representa o empurrão final de Alckmin no abismo.

Sincronicamente, logo depois dessa reunião, o presidente desinterino Michel Temer divulga nas redes sociais um vídeo atacando frontalmente Alckmin em tom irritado e pontuado de ironias, acusando-o de dizer “falsidades” e disparando que o partido do candidato, PSDB, faz parte da sua base de apoio no governo. Enquanto Alckmin tenta fugir de Temer como o diabo foge da cruz.

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