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14 de setembro de 2007, 17h18

Atividade do FME critica monopólio da mídia e imobilidade dos professores

Atividade autogestionada, no segundo dia do Fórum Mundial de Educação critica monopólio da mídia e a imobilidade dos professores diante o avanço da desregulamentação da educação

Atividade autogestionada, no segundo dia do Fórum Mundial de Educação critica monopólio da mídia e a imobilidade dos professores diante o avanço da desregulamentação da educação

Por Brunna Rosa

No segundo dia do Fórum Mundial de Educação (FME), uma das atividades mais concorridas foi a mesa “Paulo Freire Vive! Hoje, dez anos depois…”.A atividade leva o nome do livro produzido pelo mandato do deputado federal Ivan Valente (PSOL). O objetivo era discutir o legado do educador e de que forma ele é recriado no dia-a-dia da educação.

Anita Freire, educadora e ex-mulher de Paulo Freire, representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Lisete Arelaro, professora da Universidade de São Paulo (USP) discutiram o pensamento freireano e a educação brasileira.

Em uma palestra marcada pela emoção, Anita Freire falou sobre o aumento da procura pela obra de Paulo Freire. “Paulo é lido em todo mundo. A cada dia a procura pela sua obra aumenta e isso é reflexo da malvadeza do neoliberalismo. Há dez anos me dedico a divulgá-la, mas infelizmente ele não chegou a ver sua obra traduzida para o chinês e o coreano”, lamenta Anita.

Anita, também, falou sobre seu livro Paulo Freire: Uma História de vida, no qual se dedicou durante sete anos para escreve-lo.

A professora Lisete Arelaro, livre-docente da USP, em sua palestra afirmou que os professores precisam se reorganizar e não esperar por mais bônus governamental. “Nós, professores, somos cotidianamente convidados a nos afastar dos sindicatos. São bônus e mais bônus que surgem para quem não falta, para quem não chega atrasada, quem não questiona e quem faz com que os alunos decorem os livros didáticos”, critica. “Precisamos nos reorganizar e parar de aceitar a tripla jornada de trabalho”, convoca.

A professora ainda lembrou do recente episódio que envolve o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) e a Nestlé. “É um absurdo o prefeito aceitar que a multinacional Nestlé diminua a quantidade de carne ou frango de sopas da merenda escolar. Além de aceitar elogia os técnicos da Nestlé e se diz orgulhoso por trocar o antigo fornecedor de leite para a rede municipal pela multinacional”.

Veja
Após uma educadora citar um artigo de Cláudio Moura Castro, na revista Veja, para realizar uma pergunta a mesa de palestrantes mobilizou-se para criticar o monopólio da mídia.

Anita Freire,foi categoria ao dizer que não lê a Veja porque sabe que eles mentem. Ela também citou o episódio da morte de Paulo Freire, que fora noticiada no mundo inteiro, e que a única revista a colocar uma matéria sintética e deturpada fora a Veja. Já o deputado Ivan Valente admitiu que lê por “ossos do oficio”, mas que a odeia.

A professora Lisete Arelaro listou uma série de motivos para qual as pessoas deveriam parar de ler e acreditar em meio de comunicação como a Veja e a Globo.

Plano Nacional de Educação
Após inúmeros questionamentos de “como mudarmos a educação brasileira” o deputado Ivan Valente, membro da comissão de educação da Câmara dos deputados, falou sobre a necessidade de colocarmos em prática o Plano Nacional de Educação (PNE). “O PNE está aprovado desde 2001, mas o governo do Fernando Henrique Cardoso conseguiu vetar. Necessitamos que 10% de nosso PIB [Produto Interno Bruto] seja destinado a educação. Precisamos pressionar o governo Lula a derrubar os vetos que estão barrando um investimento em massa neste setor”.

Para finalizar, o deputado elucidou como a categoria dos profissionais da educação está com o salário achatado em detrimento do aumento do lucro dos banco. Ele conta que, antes da clandestinidade, cursava engenharia e dava aulas de matemática na rede pública. Ele calcula que recebia, por 40 horas, o que equivale hoje a R$ 4.500. Atualmente um professor, não-efetivo, recebe por estas mesmas horas R$ 1.500. “Acontece exatamente o contrário com os bancos. Em dez anos as tarifas bancárias aumentaram 300% e o número de clientes pulou de 35 milhões para 75 milhões. Essa é a verdadeira censura no país, educação não da Ibope”.