#MulheresNoFutebol: a luta delas contra o machismo desse esporte

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Texto por Francine Malessa e Thaís Campolina.

Por que toda vez que uma mulher diz que torce para um time, um cara chega e pergunta a escalação?”. A mania masculina de duvidar da capacidade das mulheres em compreender o futebol foi um dos assuntos que mais bombou na ação #MulheresNoFutebol, que ocorreu nas redes sociais, no dia 4 de maio. Embora a tag tenha sido utilizada no Facebook, no Medium e no Twitter, foi neste último que se registrou maior compartilhamento de histórias.

Ao longo do dia, foi possível notar que o preconceito que envolve a presença feminina no esporte não atinge somente as mulheres que estão na arquibancada ou no gramado, mas também aquelas que falam sobre ele. A jornalista Ana Paula Moreira, contou que mesmo atuando na área há alguns anos e pós-graduada em jornalismo esportivo, já foi questionada por um chefe que teve se ela sabia o que era impedimento. Por que é tão difícil para os homens entenderem que as mulheres também sabem quando o jogador é o único no ataque após todos os outros atletas da defesa do time adversário quando a bola é lançada?

Enquanto tantas mulheres diziam que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no futebol, um caso que mostra como machismo do meio nos invisibiliza estava à tona. A campanha coincidiu com a movimentação das corinthianas para serem vistas como torcedoras pela Nike, empresa de artigos esportivos responsável pelos produtos oficiais do time em questão. A Nike anunciou que a camisa II do Corinthians não será comercializada no modelo feminino e as mulheres que acompanham o time não gostaram disso. Essa negligência com as torcedoras não é novidade e se dá porque as empresas de artigos esportivos e diretorias dos times ignoram a presença crescente delas nos estádios.

O assédio e a invisibilidade feminina foram outros temas bastante citados pelas #MulheresNoFutebol. Enquanto algumas reclamavam de serem tratadas apenas como objetos ou belas e da arquibancada, outras mostraram-se insatisfeitas com a falta de reconhecimento da sua presença neste universo, como o caso de uma mãe que não pôde acessar o estádio para assistir ao jogo com seus filhos porque as gratuidades eram para setores diferentes.“Não consideraram uma mãe no estádio”, comentou a usuária no Twitter. Além disso, as participantes também falaram sobre como meninas são desencorajadas a jogar futebol: “Na escola, eu não podia jogar futebol porque era “esporte de homem”, disse Louisa.

Assim como ocorre em ações neste sentido, houve também resistência e crítica, por parte dos homens. Alguns questionaram se as mulheres compravam camisetas da Marta ou do Neymar (como se houvesse oferta do primeiro modelo), ou quantas mulheres apoiavam o futebol feminino (como se houvessem campeonatos bem estruturados e divulgação midiática deles no Brasil). Alguns acharam que dizer que mulheres embelezam o estádio ou “adoro mulheres no futebol, as mais bonitas são do meu time” era uma forma de apoio, mesmo com tantas mulheres na tag dizendo que estão cansadas de serem vistas como objetos no meio.

Ao final da ação, foram contabilizados 500 posts com a tag #MulheresNoFutebol, atingindo cerca de 460 mil pessoas e mobilizando 300 usuários no Twitter, de acordo com o Keyhole (uma ferramenta de mensuração de resultados na rede). Fomos trending em Belo Horizonte, São Paulo e, por algum tempo, no Brasil! Da iniciativa, encontramos mulheres que compartilham as mesmas dificuldades e sentimentos por um esporte capaz de mobilizar multidões, multidões estas que são cada vez mais mistas em questão de gênero. Foi o primeiro toque na bola, mostrando que temos muito mais do que 90 minutos para buscar o respeito e a igualdade no esporte.

Os depoimentos compartilhados pelas participantes mostram o quanto é necessário discutir o machismo no futebol e novas ações serão pensadas, inclusive abrangendo também a homofobia. Ocupar e destacar nossa presença nesse esporte é fundamental para diminuir o machismo no meio. A gente não quer mais ouvir termos como “mulherzinha” e nomes femininos serem usados para ofender jogadores, árbitros, torcedoras e treinadores. A gente não aceita que a violência contra a mulher fora do campo seja ignorada “em nome do bom futebol” e nem que um jogador seja rechaçado com tweets e até mesmo bombas por uma torcida por suspeitarem que ele seja gay. A gente quer ver o futebol se tornar menos machista e lgbtfóbico e nos mobilizaremos para isso.


Fizemos um moment com alguns dos tweets da campanha, veja aqui.

Leia o texto “Musas não, torcedoras“. Nele há onze dicas para tornar o futebol menos machista.