17 de janeiro de 2019, 19h13

Ativista da causa LGBT, professor do Instituto Federal de MG morre após espancamento

O suspeito, que agrediu o professor no sábado (12), foi detido e confessou o crime, sem revelar a verdadeira motivação; polícia trabalha com linha investigativa de latrocínio, já população local e entidades acreditam em homofobia

Reprodução/Facebook
Morreu na tarde desta quinta-feira (17) em um hospital de Belo Horizonte (MG) o professor do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Ouro Preto, Haroldo de Paiva Pereira, de 63 anos. Ele dava aulas de artes no instituto e foi espancado no último sábado (12) em sua casa, também em Ouro Preto. De acordo com polícia, vizinhos perceberam que a casa do professor estava com a porta aberta, as janelas fechadas e que, desde a manhã, ele não saia de casa. Quando entraram no imóvel, encontraram Haroldo caído e com diversos ferimentos na cabeça e no rosto. A Polícia Militar,...

Morreu na tarde desta quinta-feira (17) em um hospital de Belo Horizonte (MG) o professor do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) em Ouro Preto, Haroldo de Paiva Pereira, de 63 anos. Ele dava aulas de artes no instituto e foi espancado no último sábado (12) em sua casa, também em Ouro Preto.

De acordo com polícia, vizinhos perceberam que a casa do professor estava com a porta aberta, as janelas fechadas e que, desde a manhã, ele não saia de casa. Quando entraram no imóvel, encontraram Haroldo caído e com diversos ferimentos na cabeça e no rosto. A Polícia Militar, então, foi acionada e o professor encaminhado ao hospital. A morte hoje foi decorrente da gravidade dos ferimentos.

O suspeito pelo espancamento, Rafael Luís Oliveira Fernandes Ferreira, foi detido e confirmou o crime. Ele não deu detalhes, no entanto, sobre a motivação. Apenas disse que espancou Haroldo até a morte após uma discussão.

Ferreira e o professor foram vistos juntos em um bar no dia anterior e investigações da polícia apontam que chegaram juntos na casa de Haroldo. A vítima e o agressor, no entanto, não se conheciam.

Após o espancamento, o suspeito roubou a moto de Haroldo, o que leva a polícia a acreditar que o crime tenha sido um latrocínio.

O professor, no entanto, era conhecido por sua militância LGBT e anti-homofobia, o que leva a população local, bem como entidades LGBT, a acreditarem que o crime tenha ocorrido por motivações homofóbicas.

O Movimento Itabiritense de Lésbicas Gays Bissexuais e Travestis (ITALGBT), por exemplo, divulgou uma nota em que destaca o ativismo do professor. “Agradecemos imensamente a grande contribuição que Haroldo deu aos seus alunos e a sociedade ouro pretana, que será sempre lembrado pelo profissionalismo, inteligência, competência e sensibilidade para lidar com as adversidades, fazendo um enfrentamento a LGBTfobia. Sua morte não será em vão”, diz a entidade.

O corpo do professor será velado na noite desta quinta-feira (17) na galeria de arte do IFMG.