Imprensa livre e independente
15 de janeiro de 2014, 13h11

Ativista gay é apedrejado em praça do Uruguai

Adultos incitaram crianças a atacar Kevin Royk, que gravava um clipe na área pública

Adultos incitaram crianças a atacar Kevin Royk, que gravava um clipe na área pública Por Isadora Otoni “Começaram a me chamar de preto, marica”, disse Kevin (Reprodução/Youtube) Kevin Royk, cantor e ativista dos direitos LGBT no Uruguai, foi apedrejado no último domingo (12) enquanto gravava um clipe na praça Seregni, em Montevidéu. Dois adultos empunhavam pedaços de pau e incitavam cerca de quatro crianças a atacarem o artista e sua equipe de produção. “Os adultos disseram que eu estava despido, que eu não podia estar ali, mas eu estava vestido como mostra o vídeo”, contou Kevin. “As crianças começaram a...

Adultos incitaram crianças a atacar Kevin Royk, que gravava um clipe na área pública

Por Isadora Otoni

“Começaram a me chamar de preto, marica”, disse Kevin (Reprodução/Youtube)

Kevin Royk, cantor e ativista dos direitos LGBT no Uruguai, foi apedrejado no último domingo (12) enquanto gravava um clipe na praça Seregni, em Montevidéu. Dois adultos empunhavam pedaços de pau e incitavam cerca de quatro crianças a atacarem o artista e sua equipe de produção. “Os adultos disseram que eu estava despido, que eu não podia estar ali, mas eu estava vestido como mostra o vídeo”, contou Kevin. “As crianças começaram a me chamar de preto, marica, e coisas que não posso reproduzir porque me envergonham. Depois vieram mais adultos e começaram a golpear mais forte, mas ninguém teve lesões graves”.

O cantor estava acompanhado de aproximadamente 10 pessoas produzindo o vídeo da canção “SuperFlúo” e, coincidentemente, também gravavam cenas para um documentário chamado La Tribu, que aborda a violência na rua contra diferentes tribos urbanas. Kevin se assustou com o episódio e declarou que não é uma situação constante, mas ainda acontecem vários casos de violência contra as minorias.

Veja também:  Após atos, rejeição a Bolsonaro sobe cinco pontos e supera aprovação pela primeira vez, mostra pesquisa

“Os afros e LGBT seguem sendo vulneráveis na sociedade, e não podemos seguir assim, avançando por um lado e retrocedendo em outros. A praça é um lugar público, um grupo só não pode se apoderar de um lugar, muito menos dessa maneira”, desabafou. “Ainda existem casos de assassinatos de pessoas trans que não foram esclarecidos”.

Apesar das iniciativas progressistas do governo de Uruguai, a população ainda avança lentamente em questões sociais. “Uruguai está em avanço, temos lei de aborto, lei da maconha, matrimônio igualitário, mas na rua, tudo está igual”, lamentou Kevin. “Necessitamos da aplicação das leis aprovadas”. Para o artista, a resolução do problema está na educação dada às crianças, já que parte da população ainda segue discriminando e atacando sem motivo.

Em 2013, Kevin esteve no Brasil para participar da 13ª Feira Cultural LGBT, em São Paulo. No evento, o cantor apresentou o show “Go Glama” com dois dançarinos. O artista também possui contato com o ativismo LGBT da Argentina, onde já integrou a programação da Marcha do Orgulho LGBT de Buenos Aires.

Veja também:  PL busca garantir acesso de casais homoafetivos a programas de moradia do governo

Fórum em Brasília, apoie a Sucursal

Fórum tem investido cada dia mais em jornalismo. Neste ano inauguramos uma Sucursal em Brasília para cobrir de perto o governo Bolsonaro e o Congresso Nacional. A Fórum é o primeiro veículo a contratar jornalistas a partir de financiamento coletivo. E para continuar o trabalho precisamos do seu apoio. Clique no link abaixo e faça a sua doação.

Apoie a Fórum