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16 de maio de 2019, 11h35

Ativista pela maconha Willie Nelson compartilha imagem de Bolsonaro em Dallas

Quis o destino que o cantor, ativista pela legalização da maconha, da causa LGBT entre outras, fosse parar na mesma imagem do presidente de extrema-direita

Bolsonaro faz turismo em Dallas (Fotos: Flickr/Palácio do Planalto)
Rejeitado em Nova Iorque por autoridades e entidades, o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) foi parar no Texas, um estado mais conservador. Mais precisamente em Dallas, cidade sede do assassinato do democrata John Fitzgerald Kennedy, em novembro de 1963. Considerado um bastião do conservadorismo americano, o estado vem assistindo nos últimos anos a um fortalecimento da esquerda que, segundo analistas, pode colocar em risco a dominância do Partido Republicano. Posto isto, inadvertidamente ou não, o fotógrafo presidencial clicou o presidente sentado em um bar conversando com o amigo Hélio “Bolsonaro” Negão (PSL/RJ) e o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de...

Rejeitado em Nova Iorque por autoridades e entidades, o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) foi parar no Texas, um estado mais conservador. Mais precisamente em Dallas, cidade sede do assassinato do democrata John Fitzgerald Kennedy, em novembro de 1963.

Considerado um bastião do conservadorismo americano, o estado vem assistindo nos últimos anos a um fortalecimento da esquerda que, segundo analistas, pode colocar em risco a dominância do Partido Republicano.

Posto isto, inadvertidamente ou não, o fotógrafo presidencial clicou o presidente sentado em um bar conversando com o amigo Hélio “Bolsonaro” Negão (PSL/RJ) e o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), escondido na foto. Sobre os dois aparece, em um retrato na parede que ocupa praticamente metade da imagem, o cantor, compositor e ativista Willie Nelson.

O fato não teria a menor importância não fosse Willie Nelson quem é. Nascido há mais de 80 anos, a pouco mais de 100 quilômetros dali, na cidade de Abbott, no mesmo estado do Texas, o cantor e compositor, neto de uma índia cherokee e de um irlandês, é um grande ativista. É defensor da legalização da maconha, já tendo sido preso inúmeras vezes por posse ilegal; da causa LGBT, que ele diz ser o novo movimento pelos direitos civis; dos direitos humanos, dos animais e do meio ambiente. Enfim, um perfeito esquerdista.

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A sua lista de feitos em prol de causas que Bolsonaro, como tem demonstrado ao longo da vida, está pouco se lixando ou é definitivamente contrário, é extensa. Em 1985, por exemplo, ele criou o festival Farm Aid, uma reunião de músicos em cena para levantar recursos para famílias de agricultores americanos em dificuldades financeiras. Ajudou, em 1987, a aprovar uma lei que instituiu uma linha de crédito rural, o Agricultural Credit Act.

Além disso, foi o criador da empresa Willie Nelson Biodiesel, que produz o BioWillie, combustível feito de soja e outros vegetais. Ele se tornou sócio de Bob e Kelly King, possuidores de duas fábricas de biodiesel, uma em Salem, no Oregon, e outra em Carl’s Corner, no Texas. Após esse início, ele se associou, em 2012, à Pacific Biodiesel, para produzir combustível.

Willie Nelson também é um ativista contra os maus-tratos a cavalos e outros animais, tendo feito campanha pela aprovação do American Horse Slaughter Prevention Act, além de militar pelo Animal Welfare Institute.

Um olhar atento à imagem, feita pelo fotógrafo oficial do presidente de extrema-direita, pode parecer que Willie Nelson se vira de lado, entre a contrariedade e o deboche. Um esgar por estar tão próximo de gente tão avessa às suas posturas ao longo da vida.

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Com informações de Jotabê Medeiros no Globo Rural

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