27 de julho de 2018, 20h23

Bachelet abre o encontro do setor mais progressista da saúde brasileira

A cada três anos, médicos sanitaristas, sociólogos e outros profissionais e acadêmicos brasileiros da saúde e da gestão pública se reúnem para discutir os rumos do seto; na abertura, ex-presidenta do Chile pediu a continuidade da resistência dos povos latino-americanos para vencer a nova tentativa de avanço do neoliberalismo

Foto: Luiz Henrique Dias

Por Luiz Henrique Dias

Foi emblemática a abertura do 12° Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), ocorrida nesta quinta-feira (26) na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Michelle Bachelet, duas vezes presidenta do Chile, foi a primeira conferencista e pediu a continuidade da resistência dos povos latino-americanos para vencer a nova tentativa de avanço do neoliberalismo que, como ocorreu há poucas décadas, é construída sob o viés legalista e ataca diretamente a ordem democrática e os direitos da população, em especial a mais pobre.

Ela que é médica (cirurgiã pediátrica e sanitarista) relacionou o aprimoramento da democracia com o acesso direto à saúde pública. “Os índices sociais são uma realidade para a saúde”, disse a Bachelet, que relacionou a melhora da qualidade de vida com o que chamou de “vitalidade do processo político”.

Também fez um alerta quando o avanço do mercado sobre os serviços, em especial os de saúde, e criticou duramente as medidas de ajuste fiscal – como ocorre no Brasil – que retira o investimento em pessoas e amplia os lucros do mercado. Segundo ela, os países desenvolvidos somente chegaram a esse patamar investindo pesadamente em qualidade de vida e em saúde pública.

Dessa forma, Michelle pediu resistência aos brasileiros e o fortalecimento do SUS e da atenção primária como forma de garantir uma melhora dos indicadores sociais e econômicos da população mais pobre, evitar as epidemias, conter as mortes prematuras e aumentar a expectativa de vida.

Lula Livre, Fora Temer e Marielle Presente no Abrasco 2018

As mais de 4 mil pessoas presentes no primeiro dia do Congresso entoaram gritos de ‘Lula Livre’ e ‘Fora Temer’ durante vários momentos da abertura, que ocorreu em uma grande tenda chamada de Marielle Franco, em homenagem à vereadora e ativista morta a tiros no Rio de Janeiro.