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09 de maio de 2007, 02h26

Banco Mundial: Círculo de Wolfowitz desmorona

Procurando acalmar os críticos, Wofowitz ofereceu há duas semanas a cabeça de dois de seus principais assessores, Kellems e Robin Cleveland, mal vistos pelos funcionários do Banco por seus estilos agressivos e altos salários, que, segundo diversas versões, chegam a US$ 250 mil por ano para cada um. Kellems, em particular, é uma das figuras-chave da controvérsia Riza-Wolfowitz Por Emad Mekay, da IPS Kevin Kellems, mão direita do atribulado presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, pediu demissão. O gesto foi interpretado por observadores como um esforço para salvar seu chefe. “Kellems, diretor de estratégia em assuntos externos e alto assessor,...

Procurando acalmar os críticos, Wofowitz ofereceu há duas semanas a cabeça de dois de seus principais assessores, Kellems e Robin Cleveland, mal vistos pelos funcionários do Banco por seus estilos agressivos e altos salários, que, segundo diversas versões, chegam a US$ 250 mil por ano para cada um. Kellems, em particular, é uma das figuras-chave da controvérsia Riza-Wolfowitz

Por Emad Mekay, da IPS

Kevin Kellems, mão direita do atribulado presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, pediu demissão. O gesto foi interpretado por observadores como um esforço para salvar seu chefe. “Kellems, diretor de estratégia em assuntos externos e alto assessor, informou sua intenção de renunciar ao seu cargo no Grupo do Banco Mundial”, e a demissão “se efetivara na próxima semana”, informou em um comunicado o vice-presidente do Banco para assuntos externos, Marwan Muasher. Está informação não detalhou nenhuma razão para a renúncia de Kellems, mas observadores não duvidam em ligá-la ao escândalo em torno de seu chefe e ex-companheiro no governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Em suas explicações a diversos órgãos de imprensa, Kellems atribuiu sua decisão às más condições de trabalho dentro do Banco e à busca de novas oportunidades profissionais. Segundo acusações em exame pela Junta de Diretores do Banco, Wolfowitz pode ter violado normas da instituição ao dar à sua noiva, Shaha Riza, aumentos salariais e compensações extremamente generosas por sua passagem em “missão externa” para o Departamento de Estado norte-americano, porque dois funcionários do Banco Mundial não podem trabalhar dentro do mesmo “cone de autoridade”, segundo regras da instituição.

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“A renúncia de Kellems talvez seja um esforço de último momento para evitar um voto de censura na Junta”, disse o diretor-executivo do não-governamental Centro de Informação sobre o Banco, Manish Bapna. “É muito pouco e muito tarde. Parece sugerir, se é que sugere algo, que o futuro de Wolfowitz no Banco Mundial é incrivelmente precário e que seus dias estão contados”, disse Bapna. As acusações de nepotismo lideram uma longa lista de queixas sobre seu estilo de direção e desataram uma revolta entre o pessoal da instituição. Alguns dos principais gerentes uniram, nas últimas semanas, suas vozes aos pedidos de renúncia do presidente.

Procurando acalmar os críticos, Wofowitz ofereceu há duas semanas a cabeça de dois de seus principais assessores, Kellems e Robin Cleveland, mal vistos pelos funcionários do Banco por seus estilos agressivos e altos salários, que, segundo diversas versões, chegam a US$ 250 mil por ano para cada um. Kellems, em particular, é uma das figuras-chave da controvérsia Riza-Wolfowitz. Foi seu escritório que inicialmente desacreditou qualquer possibilidade de conduta errônea por parte do presidente do banco e ex-subsecretário de Defesa dos Estados Unidos.

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Nesse sentido, Kellems disse ao jornal The Washington Post que a Junta de Diretores havia autorizado o aumento de salários e a promoção de Riza, o que logo foi desmentido energicamente pela própria Junta e por altos dirigentes do Banco. Membros do Comitê de Ética da Junta, outro órgão com podres de aprovar um pacote de benefícios como o concedido a Riza, informaram que esse organismo não teve nenhum conhecimento do acordo.

Riza, oficial de comunicações do Escritório para o Oriente Médio do Banco, recebeu aumento de 35,5% após a chegada de Wolfowitz à presidência em 2005. Assim, chegou aos US$ 180 mil anuais. No ano seguinte, o salário da funcionaria, já transferida para o Departamento de Estado, aumentou 7,5%, completando US$ 193.590 ao ano. Kellems, ex-porta-voz do vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, e ex-assessor do senador oficialista Richard Lugar, foi designado diretor de estratégias externas do Banco Mundial no ano passado.

Muitos funcionários da instituição não esconderam sua indignação, pois consideraram que a escolha para o cargo, de caráter técnico e tradicionalmente previsto em concurso, foi política. Kellems, logo foi alvo de críticas por sua falta de experiência em matéria de desenvolvimento internacional. Sua responsabilidade ra integrar o papel do Departamento de Assuntos Externos com todas as instancias de ação do Grupo do Banco Mundial, assim, como “fortalecer o impacto global dos assuntos públicos” de toda a instituição.

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Em janeiro de 2006, soube-se da queixa anônima de um funcionário do Banco pela afirmação de Wolfowitz segundo a qual “as normas e os procedimentos” do organismo “foram esticadas para a designação de assessores próximos” ao seu presidente. Essa denúncia, que teve grande repercussão pública, também questionava a lógica por trás dos altos salários e contratos por tempo indefinido em favor de Kellems e Cleveland, ex-dirtora-adjunta do escritório de gerência e orçamento da Casa Branca que teve um papel-chave na reconstrução do Iraque no pós-guerra.

Observadores prevêem que a renúncia de Kellems pode ser a última dentro do circulo intimo que Wolfowitz construiu em sua volta desde sua escolha pelas mãos do presidente Bush. “Por acaso esta renúncia será o prelúdio de outras está semana? Assim espero”, escreveu Alex Wilks, do site http://worldbankpresident.org. “Lembremos que Wolfowitz também ofereceu o sacrifício de sua outra colaboradora, Robin Cleveland, oferta que o pessoal do Banco rejeitou”, acrescentou.

 (Envolverde/IPS)

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