Blog do Rovai

17 de fevereiro de 2016, 17h59

Análise: Picciani reeleito faz governo respirar e Cunha sofrer sua maior derrota

O Palácio agora tem todas as condições de dialogar com outras bancadas para impedir que o processo de impeachment na Câmara tenha continuidade

cunha perde de picciani

A reeleição de Leonardo Picciani (RJ(, que teve 37 votos contra 30 de Hugo Mota (PI) para a liderança do PMDB é a primeira grande vitória da dupla Wagner-Berzoini, que assumiu a articulação política em substituição a Aloisio Mercadante no final do ano passado exatamente para fazer com que o governo parasse de acumular derrotas nos embates contra Eduardo Cunha.

A vitória de Picciani é claramente uma grande derrota de Cunha e ao mesmo tempo uma moderada vitória de Dilma, que passa a respirar não só com aparelhos.

Se o governo Dilma fosse derrotado hoje, dificilmente conseguiria terminar o ano bem. Com a vitória, pode ao menos acumular esperanças de lutar por dias melhores.

O Palácio agora tem todas as condições de dialogar com outras bancadas para impedir que o processo de impeachment na Câmara tenha continuidade. Para isso, porém, vai ter de garantir com Picciani que ele indique ao menos seis dos oito membros do partido para votar contra o processo.

Se isso acontecer, as outras bancadas perceberão que ou ficam com o governo ou ficarão sem nada. Afinal, Cunha já não tem quase nada a oferecer e sua derrota de hoje deixou claro que até no seu partido sua força já é bem menor do que há 1 ano, quando sem que ele se posicionasse tão claramente na disputa, Picciani ganhou por apenas um voto.

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Dilma agora tem melhores condições no Congresso, mas isso não resolve todos os seu problemas. Se o governo não apresentar um plano arrojado para tirar o Brasil da recessão, depois de junho a presidente não vai ter um candidato a prefeito para lhe defender. E aí, a onda que pode estar arrefecendo agora, pode retornar com a força de um tsunami.

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