Blog do Rovai

05 de outubro de 2013, 16h04

Marina no PSB é pragmatismo na veia e a morte da Rede

Decisão de ir para o PSB é muito mais uma ação pragmática para tirar o PT do governo federal do que qualquer outra coisa

A notícia da vez em relação à decisão de Marina Silva é de que ela vai se filiar ao PSB. E que pode ser candidata a vice na chapa de Eduardo Campos. O PSB é um partido muito melhor do que a ampla maioria dos partidos políticos no Brasil. Mas não é diferente da maior parte deles. Ao contrário, talvez tenha como maior vocação o governismo. Onde há governo, o PSB é a favor. Tem sido um partido mais pragmático que o PMDB, que é acusado disso o tempo todo na mídia.

Marina torna a cadidatura de Campos muito mais forte, e acaba de matar a Rede Sustentabilidade (Foto: Reprodução)

O partido de Eduardo Campos apoiava o PT no governo federal, no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Brasília. O PSDB, em Sâo Paulo, Minas e Paraná. E o PMDB no Rio de Janeiro. Brasil afora, em quase todas as cidades onde o PSB está montado, ele ou é governo ou é governo. São raros os lugares onde se acha um PSB de oposição.

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A decisão de Marina parece ter levado esse pragmatismo em conta. Ela se filia num partido que de alguma forma não é de direita, nem de esquerda e nem de centro. É governo. O que a leva a ter na vida real um espaço concreto para operar politicamente.

O jogo das eleições de 2014 fica muito diferente com essa sua decisão. Porque a candidatura Campos passará a ser muito mais forte. Mas ao mesmo tempo, Marina acaba de matar o que poderia vir a ser a Rede Sustentabilidade. Porque não fará sentido para muitos daqueles que a acompanharam integrar um projeto como o do PSB, que em vários lugares tem no comando do partido políticos altamente vinculados com o conservadorismo e a velha política. Em Santa Catarina, por exemplo, Campos acaba de entregar o partido aos Bornhausen.

O fato é que Marina se pintou. Se pintou para a guerra. Sua decisão de ir para o PSB é muito mais uma ação pragmática para tirar o PT do governo federal do que qualquer outra coisa. Ela faz parte de um projeto onde estarão não só Campos, mas Roberto Freire, Serra, Aécio, Borhausen etc.

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Por fim, se Marina se filiou ao PSB por “questões programáticas”, imagino que a questão ambiental não esteja entre elas. Na votação do código florestal o partido liberou sua bancada para votar a favor ou contra o código. E a bancada se dividiu praticamente ao meio. Ou seja, metade votou com os ruralistas. É esse o programático de Marina? Ou seria o pragmático…

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