Blog do Rovai

10 de outubro de 2018, 13h19

Por que o bolsonarismo é o talibanismo tupiniquim

Um estado teocrático militarizado é um imenso perigo. E quando Bolsonaro mistura versículos bíblicos com gestos metralhando adversários é isso o que ele aponta para o futuro.

Um mestre de capoeira assassinado com doze facadas nas costas em Salvador, um jovem de camisa vermelha sendo agredido de forma violenta em Teresina, o espancamento na noite de ontem de um estudante da UFPR, a perseguição a jornalistas que manifestam opiniões contrárias ao que Bolsonaro pensa, destruição de templos de umbandas e de candomblé e os ataques a Roger Walters.

Isso tudo somado está colocando o Brasil no rumo do Afeganistão caso Bolsonaro venha a ser eleito. Um lugar dominado por um tipo de talibanismo, onde mulheres de minissaias serão apedrejadas, casais homoafetivos agredidos, professores de histórias serão retirados à força da sala de aula ao falar de nazismo, fascismo ou da época ditadura e em que adversários políticos serão assassinados.

As ameaças a jornalistas e pessoas da cultura já estão ocorrendo, mas podem se tornar maiores. Exposições ou peças teatrais já estão sendo proibidas, mas isso ao invés de uma exceção pode vir a se tornar uma regra.

O bolsonarismo é o talibanismo tupiniquim e se você tem dúvida disso deve pesquisar no Google o que era o Afeganistão antes de este grupo ter assumido o controle do Estado. Cabul não era um protetorado religioso. Não era um país destruído pelo ódio.

O talibã surge como um movimento político e militar apoiado pelos EUA e a Arábia Saudita para derrotar o comunismo no país. E tirá-lo da influência da Rússia.

A CIA armou os talibãs, assim como há suspeita que esteja armando ciberneticamente Bolsonaro.

E por isso quando assumiu o poder em 1996, uma das primeiras ações do Talibã foi assassinar o ex-presidente do país, Mahammad Najubullah, e o seu irmão que eram do partido comunista.

Afeganistão nos anos 60, antes do talibã (Foto: Divulgação)

Quando Bolsonaro fala em metralhar adversários político, como fez no Acre, é disso que se trata. Não é uma metáfora. Não é uma brincadeira. É porque na história quando grupos extremistas chegam ao poder é assim que se resolvem as coisas.

Um estado teocrático militarizado é um imenso perigo. E quando Bolsonaro mistura versículos bíblicos com gestos metralhando adversários é isso o que ele aponta para o futuro.

Os adversários de hoje são Lula e o PT, como foram os comunistas no Afeganistão. Amanhã serão artistas, mulheres que não respeitarem a nova ordem moral, jornalistas, gays etc.

Mulheres em Cabul antes do Talibã

Bolsonaro não é uma brincadeira. Ele é uma séria ameaça à democracia e ao país. Derrotá-lo exigirá imenso esforço de um amplo campo político.

E por isso, se eleito, Haddad terá que, no seu mandato, investir fortemente para resgatar da democracia com ações firmes para melhorar a vida do povo.

Um governo essencialmente social democrata e amplo.

Que traga um sopro de renovação em todos os espectros ideológicos e firme um novo pacto para impedir que a barbárie se instale hoje ou amanhã por aqui.

Pois mesmo com a vitória de Haddad, o país não estará livre da noite para o dia desta ameaça. Mas antes é preciso derrotá-la nas urnas.

Ou o Brasil entrará num túnel muito mais escuro do que alguns supõem. Porque se há algo próximo do bolsonarismo no mundo não é Trump e nem Le Pen, mas o talibanismo, que junta fé e poder militar. E que transforma isso em perseguição a adversários num primeiro momento. Mas depois será a tragédia para muitos.