Blog do Rovai

18 de março de 2016, 09h02

Se houver confronto hoje o nome do responsável é Geraldo Alckmin

Hoje é dia para ter confusão. Quer se criar uma narrativa diferente do domingo passado onde tudo era lindo e maravilhoso...

O que está acontecendo desde anteontem à noite na Avenida Paulista chama-se armação. Criou-se uma armadilha midiático-policial com a sustentação da Fiesp e do governo de Estado de São Paulo, cujo governador é o tucano Geraldo Alckmin.

Algumas dezenas de manifestantes invadiram (vou usar este termo porque é o que eles gostam) a Avenida Paulista logo depois da nomeação de Lula como ministro da Casa Civil e estão dizendo que só sairão do local com o impeachment de Dilma.

Ontem pela manhã o jornalista e editor do site Outras Palavras, Antonio Martins, passeou pela região às 6h30 e não eram mais de 20 pessoas que interrompiam três quarteirões de uma das principais artérias da capital. Ele produziu um vídeo de uma entrevista com o comandante da ocupação e perguntou por que estavam sendo mantidos três quarteirões fechados se havia ali apenas 20 pessoas. O comandante achava que eram 50 e disse que estava lá para proteger os manifestantes.

Nunca na história desse país a polícia de Alckmin protegeu quem ocupa lugares públicos. A recepção é sempre na base de bomba de gás lacrimogênio, cassetetes, spray de pimenta e bala de borracha.

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Mas desde anteontem há centenas de policiais que passam seu tempo na Paulista assistindo os “invasores” da avenida não só a pararem parte da cidade como também vendo-os agredirem jovens e casais que passam ali e não tem o biotipo clássico dos apoiadores de suas teses. Foram muitos os vídeos e fotos que circularam aqui ontem mostrando as agressões.

E hoje pela manhã, de novo, a foto do Antônio Martins que ilustra este post mostra que não são mais do que uma dúzia de barracas e umas 30 pessoas que estão no local.

Ao invés de retirá-las dali, a polícia protege o local. Por outro lado, a Globo e outros veículos divulgam a concentração e fazem com que essa publicidade garanta que outros comecem a seguir pra lá, o que faz com que durante o dia o local vá se tornando em um point dos pró-impeachment.

Só que hoje tem um detalhe. Faz ao menos duas semanas que há um ato dos movimentos sociais marcado para o mesmo local. E daqui a horas milhares de pessoas estarão por lá.

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O governador que foi tão radical em não permitir atos no dia 13 a favor de grupos opostos ao impeachment, hoje diz pela boca de seus oficiais que não pode tirar os “invasores” da Paulista de lá.

Diz que eles têm o direito de se manifestar e ontem um major que respondia pela polícia na madrugada, afirmou que os contra o impeachment deveriam fazer seu evento em outro lugar, sugerindo o Largo da Batata.

Enquanto isso a Fiesp distribuía quentinhas com filet mignon para que os manifestantes pudessem ter energia para continuar por lá.

Está mais do que claro que se montou uma armadilha na Avenida Paulista para que haja confronto hoje.

Há várias denúncias de que P2, policias não identificados, participarão da manifestação. E a gente que garante ter conhecimento de histórias de seguranças privados sendo contratados para se infiltrar no movimento com camisas vermelhas.

O objetivo por trás disso está ficando claro. Hoje é dia para ter confusão. Quer se criar uma narrativa diferente do domingo passado, quando a todo momento se falava em ordem, movimento pacífico, exemplo de democracia.

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Para hoje a narrativa será de conflito, baderna, confusão.

Só que com essa ocupação na Paulista, tudo pode acontecer.

E se esse tudo acontecer o governador Geraldo Alckmin terá de ser acionado por movimentos de direitos humanos em tribunais internacionais. Ele teve todas as chances de impedir isso. E espera-se que impeça, porque ainda há tempo.

PS: Às 9h a Paulista foi desocupada pela polícia com jato de água. O post continua valendo, porque ainda há risco de conflitos.

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