Blog do Rovai

03 de setembro de 2014, 19h41

Uma análise da pesquisa do Ibope comparada aos trackings diários

Principalmente no Sul, Centro Oeste e Norte a candidata do PT tem recuperado votos que haviam migrado para os indecisos e em menor proporção para Marina.

A pesquisa Ibope divulgada há pouco que apontou Dilma com 37%, Marina, 33%, e Aécio, 15%, confirma uma recuperação de Dilma que já vinha sendo percebida em trackings internos. Em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto, Dilma cresceu 3 pontos e Marina 4. Mas se comparado ao Datafolha, que apontou empate entre elas em 34%, o que se pode inferir é que Dilma voltou a crescer. E é exatamente isso que os trackings estão apontando.

Principalmente no Sul, no Centro Oeste e no Norte a candidata do PT tem recuperado votos que haviam migrado para os indecisos e em menor proporção para Marina. Seu crescimento tem sido lento, mas constante nessas regiões. Em São Paulo e no Rio de Janeiro esse movimento ainda não ocorreu. Isso acontece porque nesses lugares Marina penetrou nas classes populares e conseguiu se segurar num patamar alto.Mas ao que parece ela já começa a perder votos, entre os eleitores com ensino superior desses estados. O que pode indicar um movimento de recuo futuro também em outros segmentos.

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Os questionamentos a respeito de algumas posições de Marina, como o volta atrás nas posições sobre o segmento LGBT, chega primeiro nos mais informados e vai se alastrando na dinâmica da pedra no lago. E como essas discussões têm se estabelecido principalmente pelas redes, até bater no povão isso pode demorar alguns dias.

Mas mesmo nos trackings, Dilma  continua perdendo para Marina no segundo turno. No Ibope, a diferença é de seis pontos(46% a 39%). Nos trackings,  4%. As pessoas que têm estudados esses dados e com as quais tive oportunidade de conversar entre ontem e hoje avaliam que ainda é cedo para dizer que a candidata do PSB chegou ao seu teto, mas ao mesmo tempo avaliam que parece haver uma acomodação da onda que a levou até o atual patamar.

O que parece  quase certo é que Aécio perdeu a vaga no segundo turno. Mas nem isso pode ser considerado definitivo. Se vier a concentrar sua campanha em Minas e São Paulo, como seus coordenadores têm dito, ele pode recuperar uma parte dos votos que tinha nesses estados e puxar Marina para baixo.

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Aliás, a estratégia de Aécio de priorizar Minas e São Paulo neste momento é a mais viável e correta. A estratégia dele deve ser a de  convencer o eleitorado mais conservador desses estados de que Marina é um voo cego. Se for eficiente, pode voltar ao patamar próximo a 20% e tirar Marina da casa dos 30%, o que lhe reabriria o jogo. E permitiria, quem sabe, um sopro final de esperança na reta final.

O fato é que a pesquisa Ibope de hoje, somada aos bastidores de trackings, colocam a campanha num ponto mais racional. O que, aliás, este blogue vem alertando que teria de acontecer em algum momento. Isso não significa que Marina acabou. Ela ainda é favorita. Mas terá a partir de agora que convencer eleitores não tão somente pela emoção. E não apenas no esquema sonhático.

Até porque já ficou claro que não há sonho que concilie, por exemplo, o que pensa Malafaia e o que defende o movimento LGBT. Marina agora terá de demonstrar consistência. E talvez seja isso o que mais tenha lhe faltado nos últimos dias. A firmeza de Marina em questões importantes tem tido a consistência de uma gelatina. E o eleitor brasileiro não gosta disso.

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Atualizando a partir da divulgação do Datafolha: 

A análise acima não perde nada com a divulgação do Datafolha (Dilma 35%, Marina, 34%, e Aécio, 14%). O que fica claro de fato é que Marina parou de crescer e que Dilma inverteu sua curva de queda. É fato também que tudo está dentro da margem de erro. O que é mais importante no Datafolha é que a diferença entre Dilma e Marina que era de 10 pontos a favor da candidata do PSB no segundo turno, neste levantamento caiu para sete. Números mais próximos do  Ibope e dos trackings. Ainda tem muita eleição pela frente.

 

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