31 de outubro de 2018, 18h58

Beber é preciso

No blog de Mouzar Benedito, uma coletânea de frases sobre bebida; "Como suportar o mundo atual sem um vício? Não dá. A não ser para quem gosta dos rumos que as coisas tomam, o que não é o meu caso"

Como suportar o mundo atual sem um vício? Não dá. A não ser para quem gosta dos rumos que as coisas tomam, o que não é o meu caso.

Não quer dizer que fiquemos só no vício, passivamente. É preciso continua ativo, mais ainda agora. Mas ficar de cara limpa o tempo todo é meio insuportável.

Meu vício é dos mais simples: beber. E não faço questão de anonimato. Aliás, compartilho uma ideia do amigo Chico Vilella, de muito tempo atrás: a criação da ABC – Associação dos Bêbados Conhecidos, uma espécie de antípoda do AA (Alcoólicos Anônimos). O lema proposto para nossa organização seria: “Nada de AA, nós queremos é BB”.

Não vou me estender em considerações. Passo direto a frases que coletei por aí, e no fim repasso uma receita de perdizes ao molho madeira, criada pelo glorioso Barão de Itararé. Por falar no Barão, começo com uma historinha contada por ele, sobre um bêbado, e em seguida com uma frase dele:

A historinha:

Ele estava bem embriagado. Aproximou-se da mesa onde se encontravam dois rapazes parecidíssimos, com roupas iguais.

– Uê! Será que estou vendo demais?

– Não é bem isso – esclareceu um dos rapazes. – Nós somos gêmeos.

E o bêbado admirado:

– Os quatro?

Agora as frases:

Barão de Itararé: “O fígado faz muito mal à bebida”.

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Churchill: “Aproveitei mais o álcool do que ele se aproveitou de mim”.

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Marguerite Youcenar: “O álcool tira as ilusões. Depois de alguns goles de conhaque já não penso mais em ti”.

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Antônio Callado: “O Brasil não sabe mais o que é um porre feliz”.

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Vinícius de Moraes: “O uísque é o melhor amigo do homem. É um cachorro engarrafado”.

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Millôr Fernandes: “Se você beber duas doses de uísque durante 29.200 dias, terá bebido exatamente 3.000 doses de uísque. E, o que é melhor, estará completando 80 anos”.

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Eu (falando para uma amigo baixinho, que quando bebia arrumava encrenca): “Você bebe só pra ficar ‘alto’!”.

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Cachorrinho criado pelo Ohi e por mim, no jornal Brasil Agora, sobre Boris Yeltsin, presidente russo que tinha fama de manguaceiro: “Os inimigos me chamam de bêbado. Os amigos me chamam para tomar mais uma”.

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Humphrey Bogart: “A humanidade está sempre três uísques atrasada”.

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Martha Medeiros: “Mas não se esqueça: assim como não se deve misturar bebidas, misturar pessoas também pode dar ressaca”.

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Nabuco de Araújo: “O bêbado é um voluntário da loucura”.

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Ditado popular: “Cachaça pode mais do que Deus, porque Deus dá juízo e cachaça tira”.

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Herman Melville: “Prefiro dormir com um canibal sóbrio do que um cristão bêbado”.

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Jô Soares: “Em uma coisa os bêbados e os geógrafos têm razão: a Terra gira”.

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Joe E. Lewis: “Comecei uma dieta e cortei a comida e comidas pesadas e, em catorze dias, perdi duas semanas”.

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Neil Simon: “Bêbados são uns chatos, a menos que saibam cantar umas coisas engraçadas e tenham dinheiro para perder no pôquer”.

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Charlie Harper: “Falam que o álcool causa a morte de muitas pessoas, mas nunca falam de quantas pessoas nasceram por causa dele”.

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Erma Bombeck: “Nunca aceite um drinque de um urologista”.

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Oscar Wilde: “Nunca devemos lamentar que um poeta seja um bêbado, devemos lamentar que nem todos os bêbados sejam poetas”.

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Thomas Quincey: “É um absurdo dizer, conforme a linguagem popular, que alguém se esconde na bebida; pelo contrário, a maioria se esconde na sobriedade”.

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Rui Barbosa: “O aperitivo alcoólico é uma chave falsa com a qual se procura abrir o apetite”.

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Oscar Levant: “Invejo as pessoas que bebem. Pelo menos têm alguma coisa em que botar a culpa”.

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Oscar Levant, de novo: “Detesto beber. Faz com que eu me sinta bem”.

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Mário Quintana: “Só se deve beber por gosto: beber por desgosto é uma cretinice”.

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Charles Bukowski: “É este o problema com a bebida, pensei enquanto me servia de um copo. Se acontece algo ruim, bebe-se para esquecer; se acontece algo bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa”.

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Robert Benchley (quando lhe disseram que beber é um suicídio lento): “E quem está com pressa?”.

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Camilo Castello Branco: “As bebedeiras são, às vezes, os purgantes da alma”.

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George Burns: “Na realidade, basta um drinque para me deixar mal. Mas nunca sei se é o 13º ou o 14º”.

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Josué de Castro: “Todo mundo faz hinos ao vinho, mas ninguém se lembra de fazer um hino ao leite”.

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Samuel Butler: “Se a ressaca precedesse o porre, o alcoolismo seria uma virtude”.

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Raymond Chandler: “O álcool é como o amor: o primeiro beijo é mágico, o segundo é íntimo, o terceiro é rotina. A partir daí você apenas tira a roupa da garota”.

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Emílio de Menezes: “Beber é uma necessidade, saber beber uma ciência, embriagar-se uma infância”.

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C. Fields: “Certa vez, durante a Lei Seca, fui obrigado a passar dias a comida e água”.

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Fields, de novo: “Uma mulher me levou a beber – e eu nem ao menos lhe agradeci por isso”.

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Fields, mais uma vez: “Não me importo de ser levado a beber. O que me preocupa é ser levado para casa”.

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Sabino de Campos: “A cachaça, quando não dá certo por dentro, dá por fora”.

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George Jean Nathan: “Bebo para tornar as outras pessoas interessantes”.

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Ernest Hemingway: “Algumas vezes um homem inteligente é forçado a ficar bêbado para passar um tempo com os burros”.

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Dylan Thomas: “Um alcoólatra é alguém de quem você não gosta e que bebe tanto quanto você”.

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Cazuza: “O amor é feito bebida: tem que tomar a dose certa”.

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Willie Nelson: “Existem mais velhos bêbados do que belhos médicos”.

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Clarice Lispector: “E naquele momento evitava precisamente a solidão, que seria uma bebida forte demais”.

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Marques de Rebêlo: “Uísque é como sopro de homem. Serve tanto para esquentar como para refrescar”.

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Aga Khan III: “Sou tão santo que, quando toco no vinho, ele se transforma em água”.

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Machado de Assis: “A bebedice parece desenvolver-se entre nós, já em tal escala, que a taberna é o pórtico da sepultura. A taberna é sempre pórtico de alguma coisa: da sepultura ou do xadrez”.

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Groucho Marx: “Todo homem deve crer em alguma coisa. Eu creio que vou tomar outra cerveja”.

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Ditado popular: “Todo mundo vê as pingas que eu tomo, mas ninguém vê os tombos que eu levo”.

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Tchekhov: “O vinho e a música sempre foram para mim um magnífico saca-rolhas”.

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Jaguar (atribuem a Jânio Quadros, mas é do Jaguar): “Bebo porque é líquido. Se fosse sólido eu comia”.

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Paulo Francis (atribuem ao Jaguar, mas é do Francis), ao ser convidado por uma moça para ir à praia: “Intelectual não vai à praia, intelectual bebe”.

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Mike Romanoff: “O trabalho é a perdição das classes bebedoras”.

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Eu: “Músico clássico bêbado só toca Bach, Chopin e Brahms”.

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Zeca Pagodinho: “A cerveja e a cachaça são os piores inimigos do homem. Mas o homem que foge dos seus inimigos é um covarde”.

 

Perdizes ao Molho Madeira – receita do Barão de Itararé

Apanhe cinco perdizes e cinco garrafas de bom vinho Madeira. Abra uma perdiz e tire-lhes as penas. Abra uma garrafa de vinho Madeira e despeje, sem pena, num copo o seu conteúdo. Beba-o todo, para ver se é bom mesmo. Não vá ser falsificado. Se ficar na dúvida, encha outro copo e beba-o devagar.

Estale a língua no céu da boca. É bom? Ah, então tome mais um traguinho e depois acenda o fogão, ponha a panela no fogo lento e vá despejando, aos goles, o conteúdo da garrafa e vá sorvendo aos poucos a madeira que está no copo.

Pegue a perdiz, sem penas, atire-a dentro da panela, que já deve estar ao rubro, abra depressa outra garrafa e vá bebendo, trago a trago, para não esfriar.

Apanhe outra perdiz, medite um instante sobre a maldade dos homens com as pobres avezinhas e atire-a, com pena, na panela.

Abra as outras garrafas de vinho, despejando sempre o seu conteúdo no copo, atire no lixo as vazias, tome um gole de perdiz da panela para ver se está seca ou molhada, molhe a garganta mais uma vez e leve, com passo incerto mas com muita dignidade, a panela diretamente para a mesa, onde estão os convidados esperando.

Deixe as perdizes sobre a madeira, com muita pena para que cada um se sirva à vontade, como manda o protocolo.